Suit Actor no Kyouji (O orgulho de ser suit actor), da jornalista Mishio Suzuki, conta a história do tokusatsu pelo lado de dentro do traje. O livro saiu no Japão em 26 de setembro de 2023, pela Shueisha International. Reúne 18 entrevistas com intérpretes, diretores e coreógrafos de ação, escolhidas numa apuração que ouviu mais de 50 pessoas do meio, e ainda não tem edição em português nem em inglês.
Em março de 2023, o suit actor Jiro Okamoto apareceu como um soldado de Tokugawa em Dousuru Ieyasu, a novela histórica anual da NHK, e morreu em cena atingido por uma flecha. A participação foi curta e bastou para o nome dele circular no X, onde espectadores lembraram que quem vestia o traje de Kamen Rider Black, em 1987, "era o Jiro". Suzuki abre o livro com essa cena porque ela resume o argumento das páginas seguintes, o de que o público passou a querer saber quem está dentro do traje.
Quando a autora publicou o livro anterior, em 2015, a palavra suit actor circulava só entre fãs, e explicar a profissão a colegas exigia várias tentativas. Suzuki conta que começou a usá-la no início dos anos 2000, meio constrangida por se tratar de um termo inventado no Japão a partir do inglês. Em 2023, a conta oficial da Toei anunciou os suit actors de Ohsama Sentai King-Ohger. A publicação teve cerca de 3.000 curtidas em uma semana, número parecido com o do anúncio do elenco sem máscara.
No último episódio de Kikai Sentai Zenkaiger, em fevereiro de 2022, os nomes dos suit actors apareceram nos créditos ao lado dos personagens. A robô Magine, vivida por Ayumi Shimozono, chegou a posar para a Weekly Playboy. No verão de 2023, Kamen Rider Geats e King-Ohger voltaram a agrupar os nomes num bloco. Suzuki registra que ainda há gente no meio que defende a ideia de que "não existe ninguém dentro do traje". A resposta dela vem em forma de pergunta: "Não seria justamente o profissional que interpreta o personagem quem tem o direito de falar sobre ele?".
A autora
Mishio Suzuki nasceu em 1964, estudou na Universidade Hosei, em Tóquio, e na Universidade de Boston, e fez mestrado em ciência política na Universidade Northwestern, nos Estados Unidos. Entrou no Yomiuri Shimbun em 1989 e passou pelas editorias de política e de cultura antes de assumir funções de editora no jornal. Foi comentarista de programas da Nippon TV e se apresenta em público como presidente de um partido imaginário, o Partido Tokusatsu do Japão.
Desde 2003, Suzuki organiza o 340 Presents, série de bate-papos com atores e técnicos de séries de heróis. O nome vem dos algarismos 3, 4 e 0, que em japonês podem ser lidos mi, shi e o, o primeiro nome dela. Ela também comanda o Kanreki-sai, encontro no Loft Plus One, em Shinjuku, que homenageia suit actors veteranos quando completam 60 anos. O livro anterior, Showa Tokusatsu Bunka Gairon (Introdução à cultura tokusatsu da era Showa), saiu em 2015.
Numa das edições do Kanreki-sai, Suzuki pediu a Tetsuya Nakayashiki que improvisasse, sem música nem luz, um Rider que acaba de lutar no alto de um penhasco e se vira para trás. Ele mexeu de leve os ombros, como quem recupera o fôlego, e se virou. A plateia, que conversava, ficou em silêncio, e a autora descreve o momento numa frase: "Ali estava Kamen Rider".
Aos seis anos, Suzuki não pôde ver o primeiro episódio de Kamen Rider porque a família controlava a televisão das crianças. No ensino médio, ela visitava os estúdios algumas vezes por ano, onde encontrava outras garotas da idade dela. A primeira das três partes do livro trata do suit actor como figura pública e da influência dos heróis japoneses no exterior. A segunda conta a formação do ofício, da Ohno Kenyukai ao Japan Action Club (JAC), e a terceira discute técnica, condições de trabalho e quem é, afinal, o protagonista de uma série de heróis.
Hollywood
O capítulo 2 compara o Japão com os Estados Unidos a partir de Power Rangers, que estreou em 1993 e completou 30 anos em 2023. A série americana reaproveitou as lutas de Super Sentai e, quando passou a refilmar as cenas, continuou trazendo suit actors do Japão. O diretor Koichi Sakamoto trabalhou na franquia de diretor de ação a produtor executivo. Segundo ele, os dublês americanos dominam as artes marciais e não conseguem os "movimentos e interpretações que transmitam a presença de um herói".
Sakamoto conta que um herói vermelho de Super Sentai comemorava cada vitória com o punho erguido e a outra mão junto ao cotovelo, gesto obsceno na televisão americana. A equipe dos Estados Unidos quase caiu para trás ao ver as imagens. Michi Yamato veio da Ohno Kenyukai e foi o suit actor principal de Saban's Masked Rider, em 1995. Ele explica a diferença pelo ma, a pausa entre um golpe e outro herdada do kabuki e dos filmes de espada:
"Os americanos se movimentam demais. Não conseguem se aproximar lentamente, parar por um instante, segurar a tensão e então assumir uma pose marcante. Eles não conseguem trabalhar o ma."
Michi Yamato, coordenador de dublêsTrês anos depois do fim de Gavan, Paul Verhoeven escreveu ao designer Katsushi Murakami para pedir autorização de usar elementos do traje em RoboCop, de 1987, e recebeu o sim de graça. Suzuki compara o sofrimento de Peter Weller dentro da armadura, que deixava a boca de fora, com o de Jun Murakami, que dava saltos mortais e lutava de espada com o traje fechado de Gavan.
O Homem-Aranha
A parte mais saborosa do capítulo é a defesa do Homem-Aranha da Toei, de 1978. Hirofumi Koga, do JAC, vestiu o herói e teve o nome creditado como "Spider Action" a partir do episódio 9, coisa rara na época. Na abertura, ele sobe pela estrutura da Torre de Tóquio e lembra, rindo: "Corda de segurança? Colchão de proteção? Não tinha nada disso". Nas escaladas de prédio, cinco ou seis colegas puxavam do terraço a corda presa a um arnês sob o traje, e Koga precisava parecer que subia sozinho.
Suzuki chama de "decepcionante" a série americana da mesma época e repete o que escreveu em 2015, que a versão japonesa é superior. Koga responde com modéstia: "Eu achava o Homem-Aranha americano incrível. Mas, talvez porque o traje me servisse bem, às vezes pensava que o meu físico ficava melhor". O livro cita ainda um depoimento de Stan Lee, gravado para um box de DVDs de 2005, em que o criador do personagem elogia os japoneses por fazerem a ação "com o próprio corpo".
Koga queria ser dublê e tinha dificuldade com as falas, que o Homem-Aranha da Toei dizia de máscara para repreender vilões e aconselhar crianças:
"No começo, eu detestava ter de dizer as falas. Detestava mesmo. Então passei a colocar a máscara já nos ensaios. E, para minha surpresa, conseguia atuar sem tanto problema. Para mim também, aquela era uma máscara mágica."
Hirofumi Koga, o Homem-Aranha da ToeiOs pioneiros
Koichi Ose, nascido em 1937 e primeiro entrevistado do livro, fez Juro Iwai e o próprio Gekko Kamen, série de 1958. Recebia 7.000 ienes por episódio, valor que o fez achar que a cédula de 10.000 ienes, lançada naquele ano, "foi criada por minha causa". Para dizer as falas de máscara, ele soltava o ar por baixo dela, "fff, fff", e combinava com os colegas que, depois de alguns segundos daquele som, eles podiam responder.
Bin Furuya, o Ultraman de 1966, resistiu ao convite porque acabava de entrar na turma de novos talentos da Toho e queria ser astro de cinema. Entrar numa fantasia era visto então como trabalho menor, comparável a fazer as pernas do cavalo no kabuki, até Haruo Nakajima mostrar em Godzilla que se podia atuar ali dentro. Como funcionário da Toho, Furuya recebia o salário mensal da empresa e nenhum adicional pelas cenas com gasolina e água.
Hiroshi Fujioka, o Kamen Rider 1, vestiu o próprio traje no começo da série de 1971 e descreve a máscara que embaçava, as botas escorregadias e o couro que apertava o corpo com o suor. O acidente de moto nas gravações do episódio 10 quebrou a perna dele. Na entrevista, Fujioka diz que se incomoda com o pouco caso da sociedade japonesa por quem trabalha nos bastidores:
"Uma pessoa sozinha não consegue simplesmente voar. Há sempre alguém que a apoia. Muitas vezes, a história registra quem aparece, mas não mostra as pessoas que trabalharam nos bastidores."
Hiroshi Fujioka, o Kamen Rider 1Ohno Kenyukai
Com Fujioka fora de cena e a estreia marcada para 3 de abril de 1971, a Toei reaproveitou imagens já gravadas. O Rider transformado ficou com a Ohno Kenyukai, grupo de luta de espadas fundado por Kotaro Ono por volta de 1964. Fumiya Nakamura, Tetsuya Nakayashiki e Masaru Okada passaram a vestir o traje, e o produtor Toru Hirayama, contra a ideia de matar Takeshi Hongo, criou o Rider nº 2. Para Suzuki, a divisão entre o ator do rosto e o ator do traje, nascida dessa emergência, é a origem do ofício que o livro descreve.
A Kenyukai trouxe dos filmes de espada a pose de transformação, que o coreógrafo Kazutoshi Takahashi montou diante do espelho com movimentos da luta com duas espadas e da dança tradicional japonesa. Também trouxe o costume de nunca pôr a máscara no chão, porque ela era o "rosto do protagonista". Takeshi Sasaki, o Rider nº 2, vestiu o traje escondido do produtor para entender o trabalho dos colegas:
"Eu grito "Transformação!", posso me despedir da equipe e seguir para o próximo trabalho. Mas é a partir daí que começa a parte mais difícil, feita pelos homens da Ohno Kenyukai. Eles se esforçam arriscando a vida."
Takeshi Sasaki, o Kamen Rider 2Os integrantes da Kenyukai treinavam de duas a três horas de manhã e outras tantas à noite, descalços, sem água e sem ar-condicionado, e só folgavam em 31 de dezembro e 1º de janeiro. Kazuo Niibori, ainda novato, vomitou pela janela do dojo para a rua, e na manhã seguinte Kotaro Ono quis saber quem tinha sido. Quem dissesse "não consigo" ouvia "então tire o traje", e outro o vestia. Nakayashiki subiu à chaminé de 50 metros em V3 pela diária de sempre, "alguns milhares de ienes", e todos os entrevistados disseram à autora que não recebiam adicional por perigo.

O JAC
O capítulo 5 acompanha a passagem das lutas para o Japan Action Club, fundado por Sonny Chiba, a partir do episódio 67 de Gorenger, em janeiro de 1976. Suzuki não investiga os motivos da troca, que diz ter várias versões e envolver pessoas já mortas. Ela descreve a mudança de estilo, com trampolins espalhados pelo chão, torres humanas como a Denji Tower de Denziman e soldados inimigos que davam saltos mortais em sincronia.
Kazuo Niibori estreou como Akarenger aos 20 anos, cercado de veteranos que respondiam "vai você!" quando ele gritava "avancem!", e fez 14 vermelhos até Jetman, em 1991. Hirofumi Ishigaki conta que, num ensaio, Niibori passou a espada de leve por uma fila de cápsulas explosivas presas ao corpo de um monstro e quebrou todas, com uma precisão que "normalmente seria impossível". Como Niibori não sabia nadar, os roteiros passaram a desfazer a transformação sempre que o Red tinha de cair na água.
O cantor Ricardo Cruz, de São Paulo, integrante associado do JAM Project, aparece no capítulo entre os admiradores do Red de Niibori:
"Mesmo quando ele está usando a máscara, consigo perceber imediatamente que é Niibori quem está interpretando o personagem. Existe alguma coisa quase mágica em seus movimentos."
Ricardo Cruz, cantor do JAM Project
Kenji Ohba, o Battle Kenya de Battle Fever J e o Denzi Blue de Denziman, e Junichi Haruta, o Goggle Black e o Dyna Black, levaram o JAC para os papéis sem máscara. No meio, eram chamados no meio de "Ohba, o computador" e "Haruta, o homem selvagem". Ohba calculava onde pisar e onde aterrissar. Haruta atacava como se quisesse derrubar o adversário de verdade, e os novatos do grupo se dividiam entre os dois estilos.
Os colchões das pontas da formação, apelidados de kuzu matto, "colchões imprestáveis", eram piores do que o do Red, no centro. Michihiro Takeda, o suit actor de Goggle Pink, sangrava pelo nariz em quase todas as quedas. Kuniyasu Ito, o Goggle Yellow, fraturou vértebras do pescoço num salto mortal triplo, ficou sem movimentos do pescoço para baixo. Voltou no ano seguinte, em Dynaman, e fez um salto mortal duplo uma única vez, como ritual para vencer o medo. Takeda também saltou de um helicóptero, a 20 metros, no filme de Sun Vulcan:
"Enquanto caía de costas, o céu estava lindo, completamente azul. Tudo parecia acontecer em câmera lenta. Eu conseguia enxergar até o contorno das montanhas, bem distantes. Aquela queda pareceu durar uma eternidade."
Michihiro Takeda, o Goggle Pink
Suzuki escreve que, como autora, não pode "romantizar de maneira irresponsável" as condições de trabalho da era Showa nem encerrar a discussão dizendo que antes tudo era melhor. A ressalva ocupa um parágrafo, e o resto do capítulo trata cada fratura com a admiração de quem viu aquelas cenas na infância.
Gavan
O capítulo 6 começa com Uchu Keiji Gavan, a série de 1982 que, no relato de Suzuki, tirou o tokusatsu do inverno do começo dos anos 1980 e chegou a 18,6% de audiência. O protagonista Kenji Ohba aparecia em quase todas as cenas, e a produção entregou o herói prateado a Jun Murakami, do JAC. Murakami levava as próprias botas para o set e pedia que fossem pintadas de prateado. Para economizar na composição de efeitos, a espada laser ganhou uma lâmpada fluorescente como lâmina, e o ator tinha de lutar sem tocar o adversário e escondendo o fio com o movimento das pernas.
Hiroshi Watari, que sucederia Ohba em Sharivan, conta no livro que assistia às lutas dele em vídeo até quase gastar as fitas:
"As diferenças de físico e de experiência são evidentes. Mas, acima de tudo, aquela força do tronco, aquela estabilidade que permite executar uma sequência inteira de luta com precisão absoluta, sem nenhuma oscilação, é algo que só o Kenji Ohba tem."
Hiroshi Watari, o Sharivan
Em maio de 2018, menos de um mês depois de aparecer num evento organizado por fãs, Ohba adoeceu e se afastou do trabalho. Suzuki fecha o trecho dizendo acreditar "firmemente" que ele voltaria a aparecer diante do público, "assim como os heróis que interpretou". Kenji Ohba morreu em 6 de maio de 2026, aos 71 anos. Lida hoje, a passagem guarda a esperança que a autora dividia com os fãs.
Okamoto
Jiro Okamoto tinha cerca de 1,80 m e três anos de JAC quando o diretor de ação Osamu Kaneda o escolheu para Kamen Rider Black, em 1987. O Red de Niibori servia então de manual para quem fazia herói, com o braço estendido a partir do ombro para apontar o inimigo. Okamoto cortou esses gestos para construir um Rider que apenas fica de pé. O suit actor Yasuhiro Takeuchi, o Don Murasame de Donbrothers, disse à autora: "Mesmo quando não está fazendo nada, o jeito como ele fica de pé é muito bonito".

Parado, Okamoto já calculava onde poria os pés quando a luta começasse. Também mudou a posição das mãos de uma série para a outra, abertas em Black, como quem acabou de lutar, e fechadas em RX, como quem continua pronto para o combate. Na entrevista, ele diz que o sentimento é o que atravessa o traje:
"Se for uma cena de choro e eu chorar de verdade dentro da máscara, vou parecer estar chorando mesmo sem nenhum gesto específico. Se não houver sentimento, quem assiste percebe, e tudo vira mera forma."
Jiro Okamoto, o Kamen Rider BlackHeisei
Kenji Tominaga fazia ninja no parque temático Nikko Edomura e quase não tinha assistido a Kamen Rider quando foi escolhido para Kuuga, em 2000. Sem conhecer as convenções do gênero, atuava com o rosto escondido dentro da máscara, e a equipe ria dizendo que Kuuga não parecia surpreso nas cenas de surpresa. Seiji Takaiwa, o Mr. Heisei Rider, vestiu o protagonista em 18 séries, de Agito a Zi-O. Levou um ano para ganhar o que chama de "coragem de não se mover", depois que o diretor Ryuta Tasaki lhe disse que até o jeito de se virar dele era "de Sentai".
Kamen Rider Den-O, de 2007, rende as páginas mais divertidas do capítulo. Takaiwa fazia Den-O e o Imagin Momotaros, Okamoto fazia Kintaros, Eitoku fazia Urataros e Toshihiro Ogura, Ryutaros, e o grupo se provocava em cena com medo de ser ofuscado pelos outros. Takaiwa colou na máscara de Momotaros sobrancelhas de fita adesiva preta, direto na tomada valendo, para não correr o risco de ser vetado no ensaio.
Sanshiro Wada, um dos intérpretes de Ultraman Mebius, de 2006, protagoniza a passagem mais forte do capítulo. Na gravação da despedida, em que Mebius volta para o espaço, Wada subiu na plataforma que a equipe ergue nos braços para simular a decolagem e começou a chorar dentro da máscara. O esforço para segurar o choro aparece no abdômen, que sobe e desce dentro do traje, e Suzuki escreve que a imagem só existe porque há um ser humano no personagem.
As entrevistas
As sete entrevistas da segunda parte foram feitas entre junho e outubro de 2022, e cada uma abre com uma foto recente do entrevistado. Nakayashiki conta que a cena da chaminé de V3 nasceu de um mal-entendido, "É que eu não ia saltar de lá!", e avalia o próprio trabalho na época em "cinquenta por cento, sendo generoso". Masaru Okada, que vestiu o Homem-Aranha (Kumo Otoko), primeiro monstro da Shocker, abriu com uma chave de fenda os buracos dos olhos da máscara, e por isso os monstros seguintes ganharam olhos expostos.
Kosuke Asai, o Gavan do filme de 2012, lembra que Kenji Ohba ficou no set de madrugada só para assistir às cenas noturnas dele, mesmo sem ter o que gravar. Yuya Nawata, o Zero-One de 2019, rezou no santuário Kurumazaki, em Quioto, para fazer um protagonista ao menos uma vez e voltou lá para agradecer quando recebeu o papel. Suzuki faz aos entrevistados a mesma pergunta sobre a palavra suit actor, e as respostas, reunidas no quadro abaixo, formam um debate que o livro deixa em aberto.
O livro
Suit Actor no Kyouji tem os vícios de um texto escrito por quem admira o assunto. Suzuki usa com frequência palavras como "extraordinário" e "sobre-humano". Alguns parágrafos empilham nomes de séries e de intérpretes em ritmo de catálogo. O capítulo 2 termina em tom de orgulho nacional, chamando a atuação de máscara de técnica "sem equivalentes" que o Japão deveria preservar. A própria autora reconhece que a crítica ao Homem-Aranha americano saiu "maldosa e severa".
A troca da Ohno Kenyukai pelo JAC em Gorenger, um dos episódios mais discutidos da história dos bastidores, fica fora do livro por decisão declarada. A autora prefere a palavra dos entrevistados à reconstituição dos conflitos. Em troca, Suzuki conversa com essa gente há duas décadas, desde o primeiro 340 Presents, e o acesso aparece nos detalhes. A corda puxada por cinco colegas no Homem-Aranha da Toei e o choro de Wada dentro de Mebius são exemplos de bastidor difíceis de encontrar reunidos.
Para o leitor brasileiro, que cresceu com Jaspion, Changeman e Black Kamen Rider na televisão, o livro diz quem estava dentro das armaduras daquela geração e quanto ganhava para cair de um prédio. Kyouji, a palavra do título, junta em japonês orgulho e dignidade profissional. Tetsuya Nakayashiki dá ao livro a definição mais próxima dela quando a autora lembra que muitos profissionais de ação o chamam de gênio:
"Eu me pergunto onde está essa genialidade. Gênio é quem faz tudo com facilidade, sem esforço. Eu me esforcei, então prefiro ser chamado de dedicado. Penso que consegui fazer aquilo porque me esforcei muito."
Tetsuya Nakayashiki, o Mr. Showa RiderFontes: Maruzen Junkudo, imidas e Kumamoto Nichinichi Shimbun.


