Kazuo Niibori
KYOUDAI EXPRESS / COLUNA · PERFIL
Kazuo Niibori · n. 1955 Mr. Red · Suit Actor
新堀和男 · スーツアクター列伝

O Homem Que Ensinou
o Vermelho a se Mover

Da infância em Ibaraki à criação do arquétipo corporal dos líderes de Super Sentai, a trajetória de "Mr. Red" é também a história de uma geração que transformou dor, risco e anonimato em linguagem heroica.

{{ s.val }}{{ s.unit }}
{{ s.label }}
IBARAKI, 1955·ONO KEN'YUKAI → JAC·AKA RANGER → RED HAWK·14 HERÓIS VERMELHOS

No último episódio de Choujin Sentai Jetman, Kazuo Niibori entrou numa igreja vestido de padre, sem capacete, sem explosão e sem monstro nenhum pela frente. Tudo o que ele precisava fazer era conduzir um casamento e dizer meia dúzia de falas, e foi aí que as mãos e as pernas dele começaram a tremer.

Compartilhar: Read in English

Àquela altura, Niibori já tinha vinte anos de carreira dentro de trajes de herói, carregando armaduras que pesavam demais, repetindo acrobacias perigosas até acertar e passando tardes inteiras dentro de máscaras sem ventilação, e mesmo assim foi um punhado de falas que o travou. A cena fecha a passagem dele pelos uniformes vermelhos e diz mais sobre o ofício do que qualquer estatística: ele tinha aprendido a atuar sem o rosto, a liderar sem levantar a voz e a emocionar o público com uma silhueta, de modo que estar fora da máscara era o que o deixava exposto. Para entender como um menino de Ibaraki foi parar no centro físico de Super Sentai por quase duas décadas, vale voltar ao dia em que ele descobriu que os corpos mais importantes do cinema japonês quase nunca eram os que apareciam nos cartazes.

Primeiro Ato
Aprender a Desaparecer

Por trás da máscara

Durante décadas, o herói japonês teve dois corpos trabalhando ao mesmo tempo: um ator dizia as falas, conduzia o drama e ia parar nos cartazes. O outro vestia a roupa, enxergava o set por uma fresta estreita e precisava fazer com que raiva, coragem, liderança e dor chegassem ao público sem nenhuma ajuda do rosto. Kazuo Niibori foi um dos poucos que pegaram essa divisão de trabalho e transformaram num ofício com regras próprias.

Ele nasceu em 23 de fevereiro de 1955, na província de Ibaraki, e ao longo da carreira foi ator de ação, dublê, suit actor, coreógrafo, diretor de ação e professor de gente nova. No meio disso tudo acumulou um número que ninguém repetiu. Fez Aka Ranger na primeira fase de Himitsu Sentai Gorenger e depois vestiu treze líderes vermelhos seguidos, de Battle Japan, em Battle Fever J, até Red Hawk, em Choujin Sentai Jetman. São quatorze heróis vermelhos na televisão.

O número, porém, conta bem menos da história do que as imagens que ele deixou. Niibori corre com o peito projetado à frente e os braços cortando o ar, e saca a espada como se o movimento tivesse começado antes de a lâmina sair da bainha. No meio de uma formação de cinco pessoas, ocupa o centro sem nunca parecer parado ali. Ele inclina o corpo, espera uma fração de segundo e só então golpeia, num tempo que quem cresceu vendo aquilo reconhece antes mesmo de saber o nome do homem lá dentro. É esse conjunto de escolhas que faz dele um dos autores da ideia física do "Red", o líder que organiza o grupo, segura a tensão da cena e passa autoridade antes de abrir a boca.

O garoto que queria dar o golpe

Nada disso começou com sonho de estrelato. Em Ibaraki, o Niibori era um menino inquieto criado entre morros, brincadeira de rua e filme de época, e nas lutas de chanbara da vizinhança fazia questão de juntar a molecada para ser sempre quem dava o golpe. Poucas famílias da região tinham televisão naquela época, então as crianças se amontoavam na casa de quem tinha aparelho para ver filme de samurai, seriado e as lutas de Rikidozan.

A profissão só apareceu como possibilidade depois que ele deixou o interior e foi para Tóquio. Ainda adolescente, começou a ajudar numa oficina mecânica que ficava ao lado da Mifune Productions. Terminado o expediente, ficava por ali olhando as filmagens noturnas do estúdio de Toshiro Mifune, até entender, plano a plano, como aquele espetáculo funcionava por dentro. Niibori conta:

"Via um homem galopar, parar o cavalo e desmontar. De repente, quando a câmera chegava perto, aquele homem tinha virado o Mifune. Os dois usavam a mesma roupa. Foi assim que percebi que outro profissional fazia as cenas perigosas. Quando vi uma cena grande de luta sendo filmada na minha frente, pensei: 'É isso que eu quero fazer'."

Kazuo Niibori

A memória tem tudo de cena de origem, e o revelador ali é para onde o olho dele foi: direto no sujeito que arriscava a queda, completava o salto e sumia assim que a câmera chegava perto. Muito antes de vestir qualquer máscara, Niibori já se reconhecia no profissional cuja presença dependia de ninguém perceber que ele estava ali.

A forja da Ono Ken'yukai

Ele acabou encontrando o anúncio de uma escola ligada à Nippon Television, passou na seleção e pegou dinheiro emprestado para pagar as aulas de leitura dramática, interpretação, pantomima e combate cênico. Foi ali que conheceu Kotaro Ono, fundador da Ono Ken'yukai, grupo responsável pela ação de várias séries centrais do período, entre elas os primeiros Kamen Riders. A casa era rígida na hierarquia e, para um novato, talento sozinho não abria porta nenhuma. Niibori lembra:

"Quando entrei, havia entre vinte e trinta veteranos na minha frente. Por isso eu treinava todos os dias. De dia praticava com os veteranos livres. À noite treinava de novo com os que voltavam das filmagens. Eram dois treinos por dia. Fiquei sem lugar para morar, mas havia um alojamento vazio ligado ao mestre Ono onde eu podia dormir. Deu sorte: pelo menos não fiquei na rua."

Kazuo Niibori

O começo foi o de sempre nas equipes de ação, com soldado inimigo, monstro, substituição de última hora e apresentação em parque de diversões: ele foi combatente da Shocker e um dos seis falsos Kamen Riders antes de ganhar, nos shows ao vivo, o primeiro protagonista da vida, o Gekko Kamen. No antigo estádio do Korakuen a equipe chegava a fazer cinco espetáculos por dia, e foi nessa rotina que perceberam nele uma qualidade que definiria o resto da carreira. No encerramento de Gekko Kamen, a silhueta dele iluminada contra o estádio arrancava aplauso do público, e começaram a dizer que o rapaz tinha "boa presença de costas". Para um suit actor, é o tipo de elogio que vale ouro: quer dizer que ele consegue comunicar heroísmo com o rosto inteiramente fora de cena.

O dia em que quis ir embora

A subida, no entanto, teve bem menos linha reta do que a lista de personagens sugere. Nas séries de Kamen Rider, ele cobria a ausência de intérpretes mais experientes e assumia personagem sem tempo de preparo. Um desses trabalhos, em Kamen Rider Stronger, virou lembrança dolorida: teve que executar de improviso a apresentação do protagonista, com uma coreografia inspirada nos dramas de época. Niibori conta:

"Passei a manhã inteira errando. Os adversários, veteranos, começaram a perder a paciência: 'De novo? Dá um jeito nisso, Kazuo!'. Eu pensava: 'Nem pedi para fazer isso, só vim porque não havia outra pessoa'. Cheguei a trabalhar com lágrima nos olhos. Queria voltar para casa e pensei sério que aquela profissão talvez não fosse para mim."

Kazuo Niibori

O episódio interessa porque estraga a imagem do "Mister Red" infalível que a nostalgia construiu depois. Antes de comandar equipe, Niibori foi o novato que travou numa apresentação, atrasou o set inteiro e chorou dentro da máscara, e a autoridade física que apareceria nos anos seguintes foi construída em cima dessa vergonha.

Kamen Rider desfere um golpe voador contra um monstro
O ofício do suit actor é passar fúria, coragem e impacto sem contar com o rosto, e foi na ação de Kamen Rider que Niibori aprendeu a fazer isso.

Depois de substituir colegas em Kamen Rider X, ele foi escalado desde o início para Kamen Rider Amazon. O personagem pedia o contrário da postura heroica de sempre: centro de gravidade baixo, ataque com garra, mordida e agarrão, o corpo todo moldado pela ideia de selva. Niibori passou dias inteiros agachado, com as pernas tensionadas e o queixo recolhido, até as coxas endurecerem e o peso da máscara castigar o pescoço, e precisou desaprender boa parte do repertório que o tinha levado até ali. Amazon fixou um princípio que ele carregaria pelo resto da carreira: cada traje impõe um peso, uma geometria e uma personalidade, e o trabalho do suit actor é transformar essas limitações em linguagem.

Segundo Ato
Construir o Vermelho

Até esse ponto, a carreira de Niibori era a de um aprendiz brigando por espaço entre profissionais mais velhos. Ora combatente no fundo do quadro, ora substituto chamado de última hora, sempre no papel do corpo que precisava sumir para preservar a ilusão do protagonista. Gorenger mudou a rota de uma vez, porque pela primeira vez o rapaz acostumado a ocupar o lugar dos outros teria que ensinar ao público como um herói novo ocupava o centro.

Aka Ranger: o líder mais jovem da sala

Em 1975, Gorenger propôs uma virada e trocou o herói solitário por cinco figuras coloridas dividindo a ação. Niibori imaginou que ficaria com um integrante secundário e, quando disseram que ele vestiria o vermelho e que o vermelho era o líder, levou um susto. Aos vinte anos, teria que comandar em cena colegas que estavam acima dele na hierarquia da Ken'yukai. Ele lembra:

"Nos ensaios eu apontava e dizia conforme o roteiro: 'Azul, verde, avancem!'. Os veteranos respondiam: 'Por que você mesmo não vai?'. Eu ficava confuso, dizia 'sim' e avançava sozinho. Era brincadeira deles. Faziam isso para eu relaxar e perder o constrangimento de mandar em profissional mais experiente."

Kazuo Niibori

A lembrança explica bastante coisa sobre a criação do primeiro líder vermelho de Super Sentai, porque a autoridade de Aka Ranger foi aprendida ao vivo, por um rapaz obrigado a dar ordem aos próprios veteranos. Aqueles homens o provocavam para que ele ocupasse o centro sem ficar pedindo licença, e deu certo. Niibori fez Aka Ranger do episódio 1 ao 66, num traje de couro que rasgava fácil e com uma máscara grande que atrapalhava a visão. Foi ali que nasceu a gramática visual que o Sentai usa até hoje, com o vermelho dando o sinal, estabilizando a formação e começando o movimento coletivo.

O peso de um gigante: Daitetsujin 17

Depois de Gorenger veio um problema de outra natureza, que era interpretar o robô gigante de Daitetsujin 17. Niibori teve que abandonar a agilidade humana e inventar uma caminhada capaz de passar escala e massa. A armadura era tão rígida que ele não conseguia se sentar direito, e as junções raspavam as articulações, feriam as axilas e chegavam a machucar as orelhas. Ele começou pelo elemento mais básico, a caminhada, controlando o tempo de cada passo para sugerir um corpo muito maior que o dele, e preso àquilo chegava a perder cerca de três quilos num dia de gravação. Sobre a espera dentro da roupa, ele conta:

"O pior era a espera dentro da roupa. No verão eu chegava ao limite. Uma vez pensei: 'Se a roupa quebrar, vão ter que encerrar por hoje'. No ensaio, fiz o 17 cair como parte da interpretação e quebrei de propósito a antena comprida da testa. Fingi que tinha escorregado. A equipe disse que não daria para consertar naquele dia e passou a filmar só os monstros. Fui dispensado mais cedo."

Kazuo Niibori

A história mostra o custo real do trabalho, porque aquele herói de aço que parecia invulnerável na tela dependia de um homem superaquecido, ferido nas axilas e sem conseguir sentar entre uma tomada e outra. Niibori aprendeu a sugerir o peso de uma máquina enquanto aguentava, por baixo, o peso de uma roupa que passava o dia tentando expulsá-lo de dentro dela.

Um mês na cozinha e o telefonema do destino

Depois de protagonizar Aka Ranger e o 17, ele voltou a receber papel de soldado e robô secundário, desanimou com a sequência, saiu do grupo e decidiu largar a ação de vez. Como gostava de cozinhar, entrou como aprendiz num restaurante de Numabukuro, com plano de abrir o próprio negócio. A aposentadoria durou cerca de um mês: Issho Takahashi, um de seus mestres, preparava uma série nova chamada Battle Fever J e vivia dizendo que só conseguia imaginar o antigo aluno como Battle Japan. Niibori conta:

"Ele retrucou: 'Você passou tantos anos aprendendo esse ofício. Vai jogar tudo fora por um mês de cozinha?'. O próprio chefe do restaurante me apoiou: 'Se você gosta mesmo de ação, volte. A cozinha continua aqui'. Assim eu voltei. Também surgiu em mim um espírito competitivo: queria mostrar a ação que aprendi na Ken'yukai no meio dos profissionais da JAC."

Kazuo Niibori

A decisão mudou a história de Super Sentai, porque a partir dali o rito se repetiu ano após ano. Quando Battle Fever J terminou, o produtor o chamou para Denziman; perto do fim de Denziman, alguém mandou que ele fosse provar o traje de Sun Vulcan; quando Sun Vulcan se aproximou do encerramento, Goggle V já estava esperando os ajustes. Niibori nunca chegou a pertencer à JAC nem à JAE, apesar de trabalhar cercado pelo pessoal delas, e essa posição de quem está sempre um pouco de fora alimentou nele uma competitividade produtiva. Ele carregava a interpretação dramática que aprendera na Ken'yukai. Ao mesmo tempo, ia aprendendo com Kenji Oba as técnicas mais acrobáticas: trampolim, aterrissagem e queda de altura.

Niibori, ao centro, num encontro memorial do elenco de Denziman
Reencontro memorial de Denshi Sentai Denziman, com Niibori ao centro, entre os intérpretes civis da série que ele acompanhava por dentro do traje do Denzi Red.

Quatorze vermelhos, um arquétipo

A sequência na televisão impressiona quando escrita em fila: Aka Ranger, Battle Japan, Denzi Red, Vul Eagle, Goggle Red, Dyna Red, Red One, Change Dragon, Red Flash, Red Mask, Red Falcon, Red Turbo, Five Red e Red Hawk. Houve interrupção pontual pelo caminho, como a lesão que o afastou de parte de Sun Vulcan, mas de Battle Fever J a Jetman ele foi o principal suit actor de treze vermelhos consecutivos. Repetir o posto estava longe de significar repetir o personagem, já que cada temporada trazia capacete novo, tecido com outra mobilidade, armas diferentes e um conjunto próprio de poses.

A filosofia dele partia de uma ideia que hoje aparece menos: depois da transformação, o herói vira quase outra existência, e por isso, em vez de copiar os gestos do ator sem máscara, Niibori construía uma figura transformada ideal. A máscara tirava do ator os recursos mais óbvios e empurrava o sentimento para outros lugares: a preparação do soco, a tensão dos ombros, o intervalo antes da resposta. É por isso que o trabalho dele aguenta ser revisto fora da nostalgia. O vermelho parecia liderar porque observava o ritmo dos outros quatro, parecia furioso porque o golpe começava emocionalmente antes do contato, e parecia seguro porque a linha do corpo continuava legível mesmo no meio da confusão.

A corrida, a espada e o prazer da silhueta

Algumas assinaturas atravessaram as temporadas, e a mais conhecida delas era a corrida. Niibori chegou a receber carta de espectador pedindo para vê-lo correndo mais vezes, e em algumas cenas a chegada de motocicleta prevista no roteiro acabou virando entrada a pé. Em Maskman, num autódromo vazio, aparece primeiro a cabeça de Red Mask, depois o pescoço e por fim o corpo inteiro avançando pela pista. A equipe filmou em alta velocidade para reproduzir o movimento em câmera lenta, o que obrigou o ator a repetir a corrida durante dois dias. O resultado ficou bonito na tela e o custo apareceu no corpo, com Niibori terminando a diária passando mal.

Ele também se destacou no manejo de espada, influenciado pela amplitude cinematográfica de atores como Hiroki Matsukata. No episódio 52 de Changeman, o Change Dragon dele enfrenta Booba num duelo filmado ao pôr do sol, com o diretor Takao Nagaishi posicionando a câmera bem longe e esperando a luz exata para rodar. As silhuetas, a paisagem e a rivalidade acumulada dão ao confronto um peso que não depende de efeito nenhum, e ali a ação funciona como o próprio desfecho dramático da história.

Red Falcon e a responsabilidade diante das crianças

Em Liveman, Niibori vestiu Red Falcon com uma motivação bem competitiva, porque Daisuke Shima, o intérprete civil do protagonista, já tinha nome como cantor e ator, e ele entrou no traje decidido a não ficar atrás. Numa entrevista em 2009, o apresentador leu no ar a mensagem de um fã que tinha adoecido aos quatro anos e passado meses internado, sob risco a cada ferimento, e que juntava coragem na exibição semanal de Liveman. Adulto e recuperado, aquele homem agradecia a Niibori por Red Falcon ter ajudado a salvar a vida dele.

A história dá a dimensão do compromisso que existe por trás da fantasia. Para o profissional, uma tomada significava calor, dor e repetição num dia de trabalho como outro qualquer, enquanto para uma criança internada aquele mesmo corpo vermelho era a prova semanal de que valia a pena continuar. O anonimato do suit actor sempre veio acompanhado de um vínculo que chegava ao público antes do nome.

Terceiro Ato
Sair da Máscara e Deixar um Método

Jetman: tremer diante de uma fala

Niibori encerrou a sequência regular de vermelhos com Red Hawk, em Jetman, quando já percebia que a perna não subia mais na mesma linha de antes e preferiu sair enquanto ainda mantinha o padrão que cobrava de si mesmo. No episódio final, vários suit actors ganharam pequenas aparições sem máscara, e coube a ele fazer o padre que celebra o casamento de Ryu e Kaori. Ele conta:

"Meu coração batia muito depressa, repeti várias vezes e minhas pernas tremiam. Eu tinha feito tantas cenas perigosas sem tremer, e fiquei apavorado diante daquelas falas."

Kazuo Niibori, sobre a cena final de Jetman

É uma despedida certeira, porque durante quase duas décadas ele tinha comunicado tudo com o rosto escondido e bastou precisar usar a voz e a expressão na frente da própria equipe para as pernas tremerem. O padre de Jetman funciona como o instante em que o homem por trás do vermelho atravessa a máscara e entra desprotegido no mesmo quadro que ajudou a sustentar durante tantos anos.

Kazuo Niibori hoje, em seu ateliê, segurando uma figura de Kamen Rider
Niibori hoje, no meio das memórias do ofício, depois de virar diretor de ação e professor de uma nova geração de atores.

Do corpo ao método

Sair do posto de vermelho regular não encerrou a influência dele sobre o gênero. Niibori virou diretor de ação de Zyuranger e trabalhou em muitas produções seguintes de Super Sentai, Metal Heroes e Kamen Rider. Criou o Red Action Club em 1982 e, em 2006, montou a Red Entertainment Deliver, dedicada a representação e formação de atores de ação. Também voltou aos trajes de vez em quando: reassumiu Red Falcon em Gaoranger vs. Super Sentai, interpretou o gigantesco Kamen Rider Arc no filme de Kamen Rider Kiva e, em 2015, recebeu prêmio especial por contribuição no Japan Action Awards.

A contribuição dele cabe numa frase: a máscara obriga o ator a atuar de outra maneira. O sentimento migra do rosto para o eixo do corpo, a liderança vira posição no espaço e a personalidade passa a aparecer no jeito de correr, parar, sacar a arma, receber o golpe e voltar à postura. Niibori transformou essas escolhas numa linha contínua que atravessa personagens, equipes e décadas inteiras.

O verdadeiro significado de "Mr. Red"

É tentador reduzir Kazuo Niibori ao recorde de quatorze vermelhos, e o apelido "Mr. Red" ajuda nessa leitura, como se a importância dele estivesse em ter durado mais tempo que os outros dentro do uniforme central. A grandeza está em outro lugar, e aparece quando se olha o percurso inteiro. O garoto de Ibaraki que queria sempre dar o golpe aprendeu que luta cênica é construir uma imagem junto com o colega. O novato que chorou ao errar a apresentação de Stronger aprendeu a comandar veteranos como Aka Ranger. E o cozinheiro de um mês voltou ao set para criar uma sequência de personagens que atravessou uma geração inteira. Perguntado por que nunca largou o ofício, ele responde:

"Eu também achei que tinha largado para sempre quando fui trabalhar no restaurante, mas não consegui deixar essa profissão. Não sei explicar por quê. É divertida."

Kazuo Niibori

A carreira de Kazuo Niibori nasceu do fascínio por um movimento visto de longe, numa filmagem noturna em Tóquio, e sobreviveu a todo o sofrimento porque em algum ponto entre a queda, a pose e o aplauso ainda restava prazer. Durante anos, novos atores, novas histórias e novos uniformes ocuparam a tela, e no centro deles esteve sempre o mesmo homem, ensinando o vermelho a se mover.

Compartilhar:
A entrevista por trás deste perfil
"Não consegui deixar essa profissão"

As falas citadas aqui saem da conversa que Kazuo Niibori teve com Shocker Ono no programa de rádio Bem-vindo à Base Secreta de Shocker Ono, episódio 16, em 2009. É a primeira vez que ele senta ao microfone para contar a carreira inteira: Ibaraki, a hierarquia da Ono Ken'yukai, o mês de cozinha em Numabukuro, a dieta forçada do Daitetsujin 17 e o pavor diante de uma fala em Jetman.

Arquivo 2009 · tradução e adaptação do Kyoudai Express · cerca de 25 minutos de leitura

Ler a entrevista completa →
◆ ◆ ◆

Kazuo Niibori 新堀和男 (n. 1955). Perfil escrito a partir de entrevistas e depoimentos do próprio ator sobre a carreira como suit actor, diretor de ação e professor de novas gerações.