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Página da revista Toei Hero Max de 2002 com a entrevista de Hiroshi Watari e uma foto dele sentado, de camiseta
Hiroshi Watari · Ator Entrevista · Arquivo 2002
Toei Hero Max · Vol. 1 · 2002

Hiroshi Watari, o Spielvan, relembra a série

Em entrevista de 2002 à revista Toei Hero Max, o protagonista de Sharivan e Spielvan conta como virou o Boomerang de Jaspion, as cenas de ação em que apanhava em quase todo episódio e a gravação com Diana no mar gelado de fevereiro.

録Fonte Entrevista publicada em 2002 no volume 1 da revista Toei Hero Max, da editora Tatsumi, com fotos de Toshihisa Funahashi. Gravada em 26 de março de 2002, em Akasaka, Tóquio.

Em 2002, quando Jikuu Senshi Spielvan estreava no Toei Channel, Hiroshi Watari recebeu a revista Toei Hero Max em Akasaka, Tóquio, para falar do segundo protagonista da carreira. O Kyoudai Express traduziu a entrevista na íntegra.

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Hiroshi Watari nasceu em 20 de março de 1963, em Niigata, e entrou para a JAC, o Japan Action Club, em 1981. Dois anos depois era Den Iga, o herói de Uchuu Keiji Sharivan. Em 1986 voltou a liderar uma série da Toei como Yosuke Jo, o Spielvan, com Makoto Sumikawa no papel de Diana. Tinha 23 anos. Na entrevista, ele lembra que só ele e Tetsuo Kurata, de Kamen Rider Black, foram protagonistas por dois anos naquele período.

Entre uma série e outra, Watari fez Boomerang (Bumerangue, na dublagem brasileira) em Kyojuu Tokusou Juspion, exibida no Brasil como O Fantástico Jaspion. O papel surgiu porque Hikaru Kurosaki, o protagonista, quase não tinha agenda e a produção precisava de alguém para as cenas de ação, até que alguém da equipe sugeriu o nome de Watari. O figurino saiu de uma loja: Watari viu numa revista uma roupa de que gostou, achou uma parecida à venda e cortou a barra para esconder o quadril.

A saída temporária de Jaspion tem explicação na conversa. Watari ainda carregava uma placa e cerca de sete parafusos de uma lesão sofrida depois de Sharivan e precisou parar para a cirurgia de retirada. Com isso, perdeu convites para Kage no Gundan IV e Keiji Monogatari 85. Quando voltou, por dois episódios, a produção pediu que ele aparecesse como um jovem comum, sem o figurino de antes.

Spielvan, nas palavras dele, era uma série de ação dolorida. Watari resume: “Em mais de 40 episódios, se você contar as vezes em que eu conseguia passar sem apanhar, eram pouquíssimas”. A cena em que Spielvan e Diana nadam no mar ao chegar à Terra estava prevista para Okinawa, com a equipe hospedada na casa da família do roteirista Shozo Uehara. O cronograma não permitiu, e a gravação foi para Chiba e Manazuru, em fevereiro.

O pai do herói, o doutor Ben, foi vivido por Ichiro Mizuki, o cantor do tema de Mazinger Z, que Watari admirava desde criança. Um ano depois, ele voltou à Toei como convidado de Chojinki Metalder, numa “torcida da JAC” com Kenji Ohba, Junichi Haruta e Makoto Sumikawa. Segundo ele, a participação não tinha quase nada a ver com a história.

A entrevista saiu no primeiro volume da Toei Hero Max, revista da editora Tatsumi dedicada aos heróis da Toei, lançado em 2002. A conversa foi gravada em 26 de março daquele ano, em Akasaka, com fotos de Toshihisa Funahashi. O Kyoudai Express resgatou esse bate-papo e o traduziu na íntegra. Watari fala da passagem por Jaspion, da convivência com Junichi Haruta, dos bastidores de Spielvan e do que Sharivan representava para ele às vésperas dos 20 anos da série.

Capa do volume 1 da revista Toei Hero Max, de 2002, com Kamen Rider Ryuki e os ninjas de Hurricaneger
Capa do volume 1 da Toei Hero Max (2002), com Kamen Rider Ryuki e os heróis de Hurricaneger · foto: reprodução

01Bumerangue

Toei Hero Max

Desta vez, queremos conversar principalmente sobre Jikuu Senshi Spielvan. Antes disso, porém, você interpretou Boomerang em Kyojuu Tokusou Juspion. Como surgiu esse papel?

Hiroshi Watari

Foi algo que apareceu de repente. O protagonista era Hikaru Kurosaki, que também era da JAC. Ele estava em alta e tinha outros trabalhos regulares ao mesmo tempo, por isso praticamente não havia espaço na agenda dele. Acho que naquela época ele quase não dormia (risos). Por causa disso, a série estava começando a ficar daquele jeito em que o Jaspion aparecia quase só de armadura.

Então surgiu a conversa: “Não temos mais ninguém que consiga fazer as cenas de ação?”. Aí alguém falou: “Que tal o Watari?” (risos).

No começo, por conta própria, eu imaginava que o Boomerang fosse um alienígena e pensei: “Quero uma roupa que pareça meio extraterrestre”. Eu tinha visto numa revista uma roupa de que gostei e, por coincidência, encontrei algo parecido à venda. Comprei e fiz algumas modificações, como cortar um pouco a parte de baixo. Tenho a parte inferior do corpo relativamente grande, então achei melhor usar alguma coisa que escondesse um pouco o quadril. Foi assim que chegamos àquele visual.

Toei Hero Max

Você apareceu a partir do episódio 6 e, depois de algum tempo, se afastou temporariamente da série, não foi?

Hiroshi Watari

Cerca de meio ano depois do fim de Sharivan, eu me machuquei e fiquei internado por uns dois meses. Ainda havia dentro do meu corpo uma placa e uns sete parafusos, acho, então precisei me afastar para fazer a cirurgia de retirada.

O que me frustrou de verdade é que, justamente naquela época, eu estava recebendo várias propostas de trabalho. Havia uma participação em Kage no Gundan IV e um papel de jovem detetive em Keiji Monogatari 85, e eu também tinha feito o teste para Super Police. Por causa da lesão, acabei não podendo fazer nenhum desses trabalhos. Foi muito frustrante.

Toei Hero Max

Depois disso, você voltou por dois episódios no meio da série, quase como uma participação especial. Como foi essa volta?

Hiroshi Watari

Uma das condições era que eu não usasse a roupa anterior (risos). Disseram: “Queremos que você pareça um jovem comum”. Eu me lembro disso. Eu queria ter lutado mais contra o Mad Gallan do Junichi Haruta (risos).

02Junichi Haruta

Toei Hero Max

Falando em Haruta, no filme Iga no Kabamaru (1983), que reuniu praticamente toda a JAC, logo no começo aparecem ele, Koji Unoki e você, os três como engraxates, não é?

Hiroshi Watari

Lembro, sim. Acho que aquela foi a primeira vez que apareci numa tela junto com o Haruta. É claro que, na época de Sun Vulcan e Goggle V, ele já falava comigo nos sets.

Mas o Haruta era da primeira geração da JAC. Ele tinha sido dublê de Shinichi “Sonny” Chiba em Key Hunter. Por isso, no começo, eu ficava bastante nervoso perto dele.

03O protagonista

Toei Hero Max

E então chegamos a Jikuu Senshi Spielvan. Quando você soube que tinha sido escolhido como protagonista?

Hiroshi Watari

Acho que foi por volta de dezembro do ano anterior à estreia. Havia o tradicional acampamento de esqui da JAC, e um integrante da equipe que estava lá me contou. No início eu não acreditei muito. Pensei apenas: “Seria ótimo se fosse verdade” (risos).

Toei Hero Max

E quando começaram as filmagens?

Hiroshi Watari

Acho que no fim de janeiro. Pelo que me lembro, começamos numa estação de esqui em Gunma. Foi ali que rodamos as primeiras cenas.

Toei Hero Max

Você se lembra de como se sentiu no começo?

Hiroshi Watari

No início eu ainda estava tentando me adaptar à situação. Era um protagonista, então havia a responsabilidade, e também havia coisas que eu precisava mudar em mim mesmo. Mas, como ator, você naturalmente tem vontade de experimentar coisas diferentes.

Naquela história, o protagonista tinha sido separado dos pais quando era pequeno, não é? E depois havia toda aquela situação com a Gran Nazca, o aprendizado durante o sono e outras coisas do gênero. Eu ficava pensando: “Como será que alguém criado nessas circunstâncias conversa normalmente com outras pessoas?” (risos).

04A armadura

Toei Hero Max

Em termos de ação, Spielvan acabou sendo um personagem que apanhava bastante, não?

Hiroshi Watari

(risos) Sim. Em mais de 40 episódios, se você contar as vezes em que eu conseguia passar sem apanhar, eram pouquíssimas. Era muita cena em que eu era atingido ou jogado de um lado para o outro.

E aquela roupa também era complicada. Era o pacote completo: doía, no inverno era fria e no verão era quente (risos). No verão, aquilo me fazia sofrer bastante.

Quanto à história, era quase como o desenho Marco, aquele do menino que atravessa três mil léguas atrás da mãe, só que procurando a irmã. De certo modo, parecia até os dramalhões da antiga Série Akai, da TBS (risos).

Spielvan, de armadura vermelha, prata e preta e capacete branco, aponta a arma para o alto
Spielvan, o herói vivido por Hiroshi Watari em Jikuu Senshi Spielvan (1986) · foto: Toei

05O mar em fevereiro

Toei Hero Max

Há uma cena em que vocês chegam à Terra e você e a Diana nadam juntos no mar. Onde ela foi filmada?

Hiroshi Watari

No começo, havia a ideia de filmar em Okinawa. Ficaríamos hospedados na casa da família do roteirista Shozo Uehara, que era de lá. Mas, por problemas de cronograma, acabou sendo impossível, e no fim filmamos em Chiba e em Manazuru. E aquilo foi em fevereiro! (risos)

Pediam: “Nade sorrindo!”. Só isso já era difícil demais. E ainda houve problemas durante a filmagem (risos). Eu saí da água e fiquei esperando nas pedras uns dez minutos. Naquele momento pensei: “Meu Deus, o que vai acontecer com esta equipe daqui para a frente?” (risos).

06O doutor Ben

Toei Hero Max

Na série também estavam Naomi Morinaga e Makoto Sumikawa, cada uma vinda de uma série anterior. A Morinaga, por exemplo, tinha feito Uchuu Keiji Shaider. Como era trabalhar com elas?

Hiroshi Watari

A convivência com elas também era interessante.

Toei Hero Max

A música “Kanashimi no Helen” (“A tristeza de Helen”) era bastante sombria, não era? (risos)

Hiroshi Watari

Era (risos).

Toei Hero Max

E, falando em música, Ichiro Mizuki interpretou o seu pai na série, o doutor Ben. Como foi conhecê-lo?

Hiroshi Watari

Eu o admirava desde criança, então fiquei muito feliz quando pude conhecê-lo. Foi aquela sensação de: “Nossa, este é o homem que cantava Mazinger Z!”. Eu ficava feliz só de pensar nisso.

07Metalder

Toei Hero Max

Você também apareceu como convidado na série seguinte, Chojinki Metalder. O que você lembra dessa participação?

Hiroshi Watari

Era a “torcida da JAC” (risos). Aquilo era uma festa e não tinha praticamente nada a ver com a história, não é? (risos) Acho incrível que tenha funcionado.

Como éramos pessoas que já se conheciam bem, ficávamos fazendo piada, conversando e nos divertindo durante as filmagens. Tenho uma lembrança muito agradável daquele trabalho.

08Vinte anos de Sharivan

Toei Hero Max

No ano que vem, Sharivan completa 20 anos. Olhando para trás, o que você sente?

Hiroshi Watari

Naquela época, eu estava simplesmente dando tudo de mim para conseguir fazer o trabalho. Mas ter tido a oportunidade de ser protagonista durante dois anos é algo pelo qual sou muito grato. Pensando naquela época, acho que os únicos que fizeram algo assim fomos eu e o Tetsuo Kurata, de Kamen Rider Black, não?

Sou muito agradecido às pessoas que nos assistiram. Se consigo continuar trabalhando até hoje, é por causa de obras como Sharivan e Spielvan. Os heróis de tokusatsu deixam uma marca muito forte no coração das pessoas.

Por isso, eu mesmo gostaria de continuar criando e participando de novas obras. Quero que continuem surgindo produções que fiquem na memória das pessoas, e gostaria muito de participar outra vez da criação de algo novo.

No fim da conversa, Watari falou dos trabalhos daquele momento e do que esperava dali para a frente: “Como os heróis de tokusatsu permanecem com tanta força no coração das pessoas, quero continuar envolvido nesse tipo de trabalho e ajudar a criar algo de que possamos nos orgulhar até diante do resto do mundo. Atualmente estou em Hitoride Dekirumon!, da NHK, e em Idol Keiji S, da TBS. Por favor, assistam!”

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Entrevista de Hiroshi Watari à revista Toei Hero Max, da editora Tatsumi, publicada em 2002 no volume 1, com fotos de Toshihisa Funahashi. Conversa realizada em 26 de março de 2002, em Akasaka, Tóquio. Tradução e edição para leitura: Kyoudai Express. Reprodução mediante crédito e link para esta página.
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