Makoto Sumikawa como Diana, de Spielvan, sentada sobre um soldado Kinkuron
KYOUDAI EXPRESS / COLUNA · PERFIL
Makoto Sumikawa · n. 1964 Diana · Japan Action Club
澄川真琴 · スピルバンのダイアナ

A Garota que Levou um Tiro na Perna

Makoto Sumikawa largou um escritório em Osaka para entrar na JAC de Sonny Chiba, virou a primeira heroína de Metal Hero a se transformar e, como Jun Takanomaki, fechou a era Showa do Kamen Rider ao lado de Kotaro Minami. Este é o perfil da Diana de Spielvan, do traje que ela detestou e da volta aos palcos, quarenta anos depois.

FUJIIDERA, OSAKA, 1964·JAC, 14ª GERAÇÃO·DIANA → REIKO SHIRATORI → MIKI MAKIMURA·7 DE ABRIL DE 1986

No fim de 1985, uma jovem de 21 anos voltou a Tóquio depois de meses rodando uma série de época nos estúdios da Toei em Kyoto, e o empresário a levou direto para uma prova de figurino sem dizer de que programa se tratava. A roupa que a esperava tinha um top branco, um colete metálico azul-claro, uma minissaia, um par de botas brancas e uma meia arrastão, e foi olhando para ela que Makoto Sumikawa entendeu o que estava acontecendo. "Era o figurino de Diana, de Spielvan", ela contou ao Kyoudai Express. "Portanto, o papel já havia sido decidido sem que eu soubesse."

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O que a Toei tinha decidido era a primeira heroína titular da série Metal Hero a se transformar. Diana, a companheira de Yousuke Jo (o Spielvan) em Jikuu Senshi Spielvan, ganhou um traje prateado, uma pistola, uma música própria cantada pela atriz e um golpe cômico, executado com o traseiro, que aparece em apenas quatro dos 44 episódios e virou a lembrança mais citada da personagem. A jovem que o executava tinha um sotaque de Osaka que os diretores mandavam corrigir e a convicção de que queria fazer luta de verdade, no estilo dos filmes de kung fu de Etsuko Shihomi, e a distância entre o que ela queria e o que a produção pediu atravessa toda a sua carreira sem que ela jamais tenha escondido isso. Perguntada, quarenta anos depois, sobre o que diria à Makoto de 1986, respondeu com uma frase que serve de resumo: "Você teve muita sorte por poder participar de uma obra tão maravilhosa! Também gostaria de me elogiar: 'Você se esforçou muito usando aquela roupa'".

Da Mesa de Escritório à JAC

Makoto Sumikawa nasceu em 31 de março de 1964 em Fujiidera, uma cidade da província de Osaka conhecida pelos túmulos imperiais em forma de fechadura, com o nome de Takayo Kadokawa. O sobrenome, escrito com os ideogramas de "canto" e "rio", admite a leitura "Sumikawa", e foi daí que saiu o nome artístico, uma versão fonética do próprio nome de família com outro ideograma, o de "límpido". Ela estudou no colégio estadual Nishiura e, ao terminar o ensino médio, foi trabalhar como funcionária de escritório com um propósito que já estava definido desde a adolescência. "Desde que vi Hiroyuki Sanada na televisão, quando estava no segundo ano do ensino médio, cresceu muito em mim o desejo de entrar para a JAC", ela contou ao Kyoudai Express. O salário era para pagar a escola de Chiba, e ela tinha certeza de que acabaria colega de Sanada.

A Japan Action Club vivia o auge naqueles anos, com Sanada, criado por Sonny Chiba desde menino, transformado em idol nacional pelos filmes de ação da Toei, e a agência atraía milhares de candidatos por turma. Em 1983, a JAC abriu uma escola de formação, o yoseijo, com mensalidades que um ex-aluno da época calculou em cerca de 500 mil ienes de matrícula mais os gastos com bokuto e material, e Sumikawa entrou pela unidade de Kyoto, ainda com o emprego em Osaka e com a admiração declarada por Etsuko Shihomi, a estrela feminina da casa desde os filmes de Sister Street Fighter. A turma que saiu daquele primeiro ano de escola virou a 14ª geração da JAC, uma das mais fortes da história da agência, com Shinichi Tsutsumi, hoje um dos atores mais respeitados do Japão, Jiro Okamoto, o futuro suit actor de Kamen Rider BLACK e de dezenas de outros heróis, Takeshi Maya, Kaori Kubota, Mayumi Yoshida, que faria a Pink Flash, e um rapaz de Kyoto chamado Shingo Sunagawa, que anos depois seria seu marido.

O episódio que a tirou da fila é o mesmo que ela conta em todos os palcos e repetiu para o Kyoudai Express, e aconteceu num treinamento intensivo em que o exercício era reagir a um tiro. "Quase todos interpretaram uma pessoa que era atingida no abdômen e morria. Como nunca gostei de fazer a mesma coisa que os outros, interpretei alguém que levava um tiro na perna e tentava fugir. Por coincidência, Chiba estava assistindo naquele momento. Ele me elogiou, e foi assim que passou a se lembrar do meu nome." Chiba fez mais do que lembrar, porque foi ele quem mandou que ela deixasse o emprego em fevereiro para entrar no espetáculo da JAC de março, e ela pediu demissão no mesmo dia, com alegria.

Como nunca gostei de fazer a mesma coisa que os outros, interpretei alguém que levava um tiro na perna e tentava fugir. Por coincidência, Chiba estava assistindo naquele momento.

Makoto Sumikawa ao Kyoudai Express · 2026

O espetáculo era Yukai na Kaizoku Daiboken, o musical de piratas que a JAC montava no Shinjuku Koma Gekijo, o teatro de revista de Kabukicho, com Chiba, Sanada, Shihomi, Teru Kurosaki e Kenji Oba no elenco. A temporada de 1984 foi de 24 de março a 17 de abril, e um fã que guardou o programa observou décadas depois que os alunos da escola ainda apareciam ali com os nomes verdadeiros, de modo que a estreia de Sumikawa nos palcos foi creditada a Takayo Kadokawa. Em maio daquele ano ela virou membro oficial da JAC e ganhou o nome que usaria pelo resto da vida.

Foi também em 1984 que ela fez o primeiro teste de que se tem notícia, e o resultado ajuda a entender o que a JAC via nela. Quando Yuki Yajima deixou Choudenshi Bioman e a Toei precisou de uma nova Yellow Four às pressas, a agência mandou candidatas, e Sumikawa chegou à seleção final ao lado de Sumiko Tanaka. Num evento em comemoração pelos 40 anos de Spielvan, em 2026, ela explicou por que foi, contando que Chiba a tinha mandado fazer o teste "para estudar", sem a expectativa real de ganhar, e que ela ainda frequentava o yoseijo. Tanaka ficou com o papel de Jun Yabuki, Sumikawa avalia até hoje que foi melhor assim, e com o Super Sentai ela nunca mais teve sorte.

Os dois anos seguintes foram os de uma novata em ascensão numa empresa que sabia vender suas novatas. Em agosto de 1984 ela apareceu, sem nome de personagem, no bloco de jovens da JAC do filme Kotaro Makaritoru!, de Norifumi Suzuki, com Sanada no papel principal, e em abril de 1985 estava de volta ao Shinjuku Koma como uma engraxate no musical Yoidore Koshaku, dirigido e estrelado por Chiba. Naquele mesmo abril estreou seu primeiro papel fixo na televisão, o de Omatsu, a criada da "loja de serviços" que servia de fachada ao grupo ninja de Kage no Gundan IV, a quarta temporada da série de Chiba na Kansai TV, rodada nos estúdios da Toei em Kyoto, em que a personagem morre em serviço no 27º e último episódio. O jornal Fukushima Minpo publicou, no dia em que ela completava 21 anos, uma nota de apresentação da novata, e a frase que ela deu ao repórter resume a fase: "Além de corrigir o sotaque de Kansai, tenho uma montanha de desafios".

Recorte da coluna TV Jinbutsu Zukan com Makoto Sumikawa aos 20 anos, em chute alto de agasalho esportivo
A novata na coluna TV Jinbutsu Zukan de uma revista japonesa de 1985: o escritório, a admiração por Etsuko Shihomi e a estreia no Shinjuku Koma · acervo Kyoudai Express

O sotaque acompanhou os anos seguintes como um tema recorrente, porque durante Spielvan os diretores continuaram apontando o problema, e ela recorria à colega de turma Mayumi Yoshida, que rodava Choushinsei Flashman no mesmo estúdio, para tirar dúvidas sobre a acentuação do japonês padrão. Vinte anos depois, numa mesa-redonda da revista Toei Hero MAX, ela admitiu que, depois de se afastar da carreira, voltou a falar Kansai-ben, e quem a vê hoje nos eventos confirma que ela fala em dialeto de Osaka do começo ao fim.

A Prova de Figurino

A escalação para Spielvan aconteceu sem audição, com a prova de figurino a que o empresário a levou assim que ela voltou de Kage no Gundan IV. Segundo Hiroshi Watari, em um evento em comemoração pelos 40 anos da série, o produtor Susumu Yoshikawa tinha dito a ele que poderia escolher a parceira, e Watari pediu Yu Hayami, a cantora idol que estava no auge, mas Yoshikawa recusou sem explicar o motivo, e morreu em 2020 sem que Watari tivesse perguntado. Semanas depois da recusa, ele soube que a parceira seria uma kohai da JAC, e no palco, diante dela, fez questão de dizer que tinha sido a escolha certa.

Os dois já se conheciam desde a entrada dela na agência, e Watari, da 11ª geração, tinha sido o Sharivan e voltava ao papel principal depois de uma passagem curta e frustrada como Boomerang em Kyojuu Tokusou Jaspion. Em 2021, ele publicou no X uma foto dos dois na Tokyo Disneyland em 1984, dois anos antes de contracenarem, com a legenda de que já naquela época sentia alguma ligação de destino com aquela garota. Para se preparar, Sumikawa fez o que a hierarquia da JAC recomendava e, assim que a escalação foi decidida, tornou-se tsukibito de Teru Kurosaki, o Jaspion, acompanhando-o no set da série anterior para aprender como funcionava uma produção da Toei. Kiyomi Tsukada, a Anri de Jaspion, só a conheceria muitos anos depois.

Spielvan era a quinta série da linhagem que começou com Uchuu Keiji Gavan em 1982, e a Toei a tratava como a última da fórmula. O roteirista Shozo Uehara, que escrevia a série desde Gavan, chegava aos vinte anos de carreira e considerou o programa a soma de tudo o que tinha feito, e a produção, segundo Watari, falava em "shuutaisei", o fechamento de um ciclo, e em resetar a formação depois dali. A novidade que ficou para a história foi Diana, porque desde Annie, de Uchuu Keiji Shaider, os fãs perguntavam por que a parceira do herói não se transformava, e a resposta veio com o traje prateado de Diana Lady (a Lady Diana da dublagem brasileira), idêntico ao de Helen Lady exceto pelo coldre da Lady Sniper no quadril direito. A personagem tinha 18 anos, era sobrevivente do planeta Clin como Yousuke, dirigia um Mitsubishi Mirage branco e, antes de se transformar, tinha um golpe favorito.

O golpe era um salto de costas que terminava com a heroína sentada sobre um soldado Kinkuron, e aparece em apenas quatro dos 44 episódios, o que não impediu que virasse a lembrança mais citada da personagem. Em 2026, Sumikawa contou de onde ele veio, e a história a explica melhor do que qualquer ficha. O movimento estava fora do roteiro e da concepção original e nasceu de uma ideia e de uma ordem de Osamu Kaneda, o diretor de ação da JAC, hoje presidente da agência, e ela detestou sem poder recusar. O suit actor que apanhava era mais ou menos fixo, mas quem receberia o golpe em cada gravação era decidido nos bastidores no jokenpô, entre os jovens da JAC, porque todo mundo queria, e um fã que estava na plateia escreveu que a história parecia coisa de colegial. Ao Kyoudai Express, ela foi diplomática sobre Kaneda, lembrando que era uma novata recém-chegada e que seguir as orientações lhe parecia natural, mas em 2005, na Toei Hero MAX, tinha sido mais direta ao dizer que Kaneda dirigia para Diana uma ação "feminina" e que ela queria fazer briga, "como nos filmes de kung fu". Em 2023, num talk show em Nakano, alguém perguntou se ela não gostaria de ter derrotado os inimigos sozinha, sem depender de Spielvan, e ela citou a referência de sempre, Etsuko Shihomi em Onna Hissatsu Ken.

Makoto Sumikawa como Diana, sentada sobre um soldado Kinkuron caído, fazendo o sinal de V
Diana sentada sobre um soldado Kinkuron: o golpe que aparece em quatro dos 44 episódios e virou a lembrança mais citada da personagem · foto: Toei

Num livro de fotos da série publicado pela Tokuma Shoten em 1986, ela contou que no início não gostou e que, a certa altura, se resignou de vez, depois de experimentar uma calça justa roxa que, na avaliação dela, fazia as pernas parecerem mais grossas do que a meia arrastão. Watari resume o processo dizendo que ela se soltou, e ela própria acrescenta que o frio pesou mais que a vergonha, porque o traje era mais gelado no inverno do centro de Tóquio do que nas locações na neve. Quando reviu a série restaurada em 4K numa tela de cinema, em 2026, e o episódio escolhido foi o 41 em vez do da praia, agradeceu em voz alta: "Ainda bem que não foi o episódio de maiô".

A cena mais lembrada do frio é a do terceiro episódio, em que Spielvan e Diana nadam no que o roteiro chama de mar da Austrália, e Watari contou a história no blog em 2016. A ideia inicial da direção era que os dois nadassem nus, como Adão e Eva, e a agência vetou, de modo que o diretor Takeshi Ogasawara passou a procurar um maiô de aparência espacial e metálica, prateado, que não existia no mercado de 1986, e o que se vê na tela é um cinza. A cena foi rodada em dois dias de fevereiro, os planos horizontais em Manazuru, na província de Kanagawa, e os planos altos em Onjuku, no litoral de Chiba, com água transparente e temperatura de inverno, e durante uma troca de rolo de filme os dois subiram numa pedra no meio do mar e ficaram esperando enrolados na mesma manta.

Diana vinha com uma música própria, "Diana Action", composta por Kohei Tanaka e cantada pela atriz, que toca em seis episódios. Ela contou anos depois que, até receber a partitura, entendia a relação entre Yousuke e Diana como a de irmãos que se dão bem, e que a letra, sobre o coração que brilha toda vez que ela olha para a pessoa deslumbrante, a fez se perguntar se afinal eram namorados. Ela canta a música até hoje na abertura dos próprios eventos, com a sequência de luta e a pose.

No set, ela ganhou fama por um talento que ninguém filmou. Um fã que a reencontrou décadas depois lembrou que, na época de Spielvan, Sumikawa fazia uma imitação da Arale-chan, a menina-robô de Dr. Slump, tão parecida que Watari e os colegas viviam elogiando, e que a voz dela lembrava a de Mami Koyama, a dubladora original, um talento que teria uso poucos meses depois.

Dentro do Traje de Diana Lady

A ação de Diana Lady era de Shoji Hachisuka, um suit actor da 12ª geração da JAC que faria depois a Five Pink e a Blue Swallow, e os primeiros planos com a máscara eram de duas colegas, Motoko Watanabe e Yoshie Seki. Sumikawa vestiu o traje de close nos primeiros episódios e perto do final, e a experiência lhe deixou respeito pela profissão, porque o campo de visão era estreito, o traje era rígido e, segundo ela, seria impossível para alguém com claustrofobia. "Percebi como é realmente difícil expressar emoções usando uma máscara. Isso me fez compreender como são extraordinários os dublês que conseguem fazer esse trabalho."

Sobre Hachisuka, ela conta uma troca que só quem viveu o sistema da Toei entende. "Eu não conversava com Hachisuka sobre os movimentos. Acredito que ele observava e imitava minha maneira de me movimentar. Quando via algum movimento dele que considerava bonito, eu o imitava discretamente. Ao assistir às cenas prontas, pensei: 'Nossa, que graciosa!'. Achei que ele parecia mais feminino do que eu."

Ao assistir às cenas prontas, pensei: 'Nossa, que graciosa!'. Achei que ele parecia mais feminino do que eu.

Makoto Sumikawa sobre Shoji Hachisuka, o suit actor de Diana Lady

O acidente que mudou o rumo de dois episódios veio no meio do ano, quando Sumikawa fraturou a perna durante um treino na JAC e a produção reescreveu a série em torno da atriz. No episódio 29, "Operação esmagar Diana", Helvira crava uma lâmina envenenada na coxa da heroína, e nos dois episódios seguintes Diana passa boa parte do tempo numa cama, enquanto uma dublê a substitui nos planos abertos. Na Japan Expo de Paris, em 2025, ela contou a história como um exemplo de como a Toei trabalhava, com o roteiro absorvendo o que acontecia no set, e o episódio 31, logo depois, trouxe a transformação de Helen em Helen Lady e transformou a série na única da linhagem com um homem e duas mulheres no time.

Os improvisos também ficaram na versão final, e Watari lembra que o final do episódio 2, com os dois treinando kumite, e o do 22, uma corrida dos dois por Harajuku, foram inventados na hora, assim como a reação dele ao general Deathzero na cena do episódio 41 em que o vilão pede Diana em casamento, acorrentada diante de um coração gigante. Ela atribui os improvisos à ausência de nervosismo, porque Watari era o veterano, mas os dois tinham uma ligação desde a entrada dela na JAC e conversavam sobre qualquer assunto. Com os veteranos do lado dos vilões, o contato foi menor, já que Ichiro Mizuki e Machiko Soga filmavam em dias diferentes, e a novata nunca teve coragem de puxar assunto com nenhum dos dois, algo de que ela se arrepende.

Makoto Sumikawa de jaqueta de couro preta, pilotando uma moto de trilha vermelha
De jaqueta de couro numa moto de trilha, em still dos anos 1980 · acervo de fã, restauração de Kenzo Dan

Spielvan terminou em 9 de março de 1987, com audiência média de 11,2% na região de Tóquio, praticamente a mesma de Jaspion no ano anterior, e um pico de 16,6% em julho que ficou entre os quatro maiores da história de Metal Hero. Os números confirmaram que a fórmula dos Uchuu Keiji ainda segurava o público, e a queda veio logo depois, quando Metalder, a série seguinte, que abandonou o formato, fechou o ano com média de 8,2%. Naquele ano ela fez shows ao vivo no parque Seibuen, nos arredores de Tóquio, e recebeu um convite fora do tokusatsu. Tsutomu Iida, diretor do OVA Devilman, era fã de Spielvan e a chamou para dublar Miki Makimura, a namorada de Akira Fudo, num papel que era oficialmente por audição mas cuja oferta veio direto dele. Em Chojinki Metalder, a série seguinte, ela apareceu nos episódios 25 e 26 como Miki, integrante de uma gangue de motociclistas formada inteiramente por ex-heróis da JAC, com Kenji Oba, Junichi Haruta, Watari e Sumiko Tanaka, e foi seu último trabalho como membro da agência. Ela deixou a JAC em 1987, por motivos que nunca tornou públicos, embora tenha contado a história num talk show em 2023, quando o fã que escreveu o relato preferiu não reproduzi-la. Ao Kyoudai Express, ela descreveu o que veio depois. "Quando deixei a JAC e voltei para a casa de meus pais, sinceramente me arrependi da decisão. Os dias eram entediantes."

Reiko Shiratori

Foi o acaso que a tirou da casa dos pais em Osaka, quando, em 1988, Motoko Watanabe, a amiga que tinha vestido o traje de Diana Lady, a levou para visitar os estúdios da Toei em Oizumi e um produtor a reconheceu nos corredores. Kamen Rider BLACK RX estava sendo montado, e a heroína ainda não tinha atriz. "Fiquei muito surpresa quando um produtor de Kamen Rider falou comigo no estúdio. Pensei: 'Então milagres como esse realmente acontecem!'." Ela aceitou o papel de Reiko Shiratori sabendo que os pais poderiam desaprovar, e diz que a escolha nunca lhe pareceu um erro.

A condição foi mudar de nome, e como ela já tinha deixado a JAC uma vez, o pedido do produtor a confundiu, mas a vontade de voltar a filmar era maior, e ela encarou o trabalho como um recomeço. O nome escolhido foi Jun Takanomaki, em referência à conífera sagrada do Monte Koya, uma árvore que cresce reta, e ela explicou à Toei Hero MAX que o sentido era o de crescer um degrau acima, e com o papel veio também a volta à JAC.

Reiko Shiratori é a fotógrafa freelancer de 20 anos que namora Kotaro Minami, e a Toei a descrevia como alegre, decidida e curiosa. RX foi ao ar entre outubro de 1988 e setembro de 1989, e Sumikawa aparece em 41 dos 47 episódios, incluindo o 29º, em que Reiko descobre que Kotaro é o RX e começa a treinar caratê para lutar ao lado dele. A série fechou a era Showa do Kamen Rider, e ela é, por esse critério, a última heroína fixa da fase clássica. Em julho de 1989 apresentou o show de RX no Isetan de Shinjuku, no evento Toei Manga Matsuri, e entre 1990 e 1991, ainda como Jun Takanomaki, voltou a dublar Miki Makimura no segundo OVA de Devilman e na série cômica CB Chara Nagai Go World, fez a amazona Navia num episódio de Tokkei Winspector e deu voz à protagonista de Ningyo Hime Marina no Boken, uma coprodução da Fuji TV com a Saban exibida nas manhãs de sábado e nunca relançada em vídeo. Foi o último crédito antes de uma pausa que duraria mais de vinte anos.

Makoto Sumikawa de trench coat, com câmera e flash na mão, numa praia
De trench coat, câmera e flash na mão, em foto promocional dos anos 1980 · acervo de fã

O motivo da pausa foi o casamento com Shingo Sunagawa, o colega da 14ª geração que dançava no grupo JAC Brothers e hoje dá aulas de ação em Kyoto, e ela deixou a JAC pela segunda vez, foi morar em Kyoto e criou os filhos. A Toei Hero MAX de 2005 é a única aparição pública dessa fase, uma mesa-redonda em que ela reconstituiu a carreira e revelou, entre outras coisas, que tinha voltado a falar como uma moça de Fujiidera. A filha mais velha, Juli, virou cantora independente, e a conta que Sumikawa mantém no X descreve o que faz hoje, entre a JAC, Diana, Reiko e Miki, como compartilhar maneiras de transformar a própria experiência na realização de sonhos. Ela faz consultas de adivinhação, inclusive por telefone para organizadores de eventos, e desde 2024 canta quase todas as noites no aplicativo ColorSing, sob o nome Makocchan 358, para uma audiência que chega a algumas centenas de pessoas por transmissão.

Foto autografada de Makoto Sumikawa em traje de guerreira, agachada, com a assinatura sobre a imagem
Foto autografada da atriz em traje de guerreira, com a dedicatória escrita sobre a imagem · acervo de fã

A Volta

A volta aconteceu em setembro de 2014, quando Hiroshi Watari fez dois talk shows em Tennoji, Osaka, para marcar a estreia de Uchuu Keiji Next Generation, e no blog, escrito no shinkansen a caminho da cidade, deixou um recado para os fãs: "Parece que aquela heroína lendária vem à noite. Só pode vir à noite. Não percam!". Ela apareceu na sessão da noite como convidada surpresa, ao lado de Akira Shimizu, que tinha sido o suit actor de Sharivan nos primeiros planos, e Watari escreveu depois que nenhum dos dois tinha mudado nada, explicando que tinha escolhido Osaka para retribuir aos fãs de Kansai, a região onde ele próprio tinha sido formado.

Os anos seguintes foram de aparições espaçadas, um talk show em Nakano com Watari e Junji Murakami, o suit actor de Gavan e Sharivan, um filme independente de tokusatsu, um vídeo de treino no canal do colega de turma Takeshi Maya com a filha, até que a atividade virou rotina. Num talk show em Nakano com Masako Morishita, a Miss América de Battle Fever J, intitulado "Como realizar sonhos, com as heroínas", ela deixou a frase que os fãs mais repetem: "Encontros são destino. Se você seguir em frente com atitude positiva, uma coisa leva à outra e fica divertido". No mesmo evento fez uma leitura dramatizada, uma habilidade que, contou, vinha de anos lendo histórias para os filhos.

Encontros são destino. Se você seguir em frente com atitude positiva, uma coisa leva à outra e fica divertido.

Makoto Sumikawa · talk show em Nakano, 2023

Ela criou depois o próprio evento, o Makocchan Matsuri, um encontro de fãs em bares de Osaka e de Yokohama em que canta originais, canta "Diana Action" com a sequência de luta e o golpe, e recebe convidados da própria história, a filha Juli, que estreou num palco ali, o marido, que cantou o encerramento de Gavan e explicou ao público que tinha entrado na JAC por admirar Kenji Oba, Yuko Kojima, Mayumi Yoshida, Motoko Watanabe e o próprio Watari. Ela autografa para os fãs com os dois nomes, Makoto Sumikawa e Jun Takanomaki. Nos encontros anuais de heroínas dos anos 1980 organizados pela jornalista Mishio Suzuki em Shinjuku, ela e as outras ex-alunas da JAC, como Sumiko Tanaka e Mai Oishi, fazem tate ao vivo, e nos fan meetings com Watari os dois encenam lutas contra soldados Kinkuron e refazem a pose de transformação dupla ao grito de "Ikuzo, Diana!" e "OK!".

A restauração da série a partir do escaneamento 4K dos negativos, lançada pela Toei Video em Blu-ray no ano dos 40 anos, levou os dois a uma sala de cinema em Akihabara para rever episódios ao lado dos fãs, e Watari escreveu depois que o vermelho do traje ficou nítido e que teve a sensação de ver a série pela primeira vez. Ela ficou com outra coisa, as explosões de cimento e napalm e as lutas feitas pelos próprios atores, e resumiu ao Kyoudai Express numa frase: "Isso sim é tokusatsu!". Os extras do Blu-ray trazem a conversa entre os dois gravada para o DVD de 2005, a única entrevista longa da dupla que existe em vídeo.

Foi com Watari também que ela saiu do Japão como Diana. Na Anime Friends de São Paulo, em 2023, ela passou os quatro dias do evento no Anhembi, com Mai Oishi, Kiyomi Tsukada, Takumi Tsutsui, Takumi Hashimoto e o próprio Watari, e no painel sobre as mulheres do tokusatsu, na coletiva de imprensa e no podcast Inteligência Ltda. falou de Diana com a serenidade de quem tinha feito as pazes com a roupa, refazendo com Watari a pose de transformação dupla 37 anos depois da última vez. O que ela levou de volta foi outra coisa. "Quando participei de um evento no Brasil pela primeira vez, fiquei muito emocionada ao ouvir os fãs brasileiros falarem, com lágrimas nos olhos, sobre seus sentimentos tão intensos. Aquilo me fez reconhecer novamente como o tokusatsu é maravilhoso."

Fiquei muito emocionada ao ouvir os fãs brasileiros falarem, com lágrimas nos olhos, sobre seus sentimentos tão intensos. Aquilo me fez reconhecer novamente como o tokusatsu é maravilhoso.

Makoto Sumikawa sobre a Anime Friends de 2023 · ao Kyoudai Express

Dois anos depois, os dois foram convidados da Japan Expo de Paris, a maior feira de cultura japonesa da Europa, onde Spielvan tinha ido ao ar dentro do Club Dorothée, na esteira de X-Or, o nome local de Gavan. Foi ali que ela apresentou a teoria de que "Diana Lady" seria uma homenagem indireta à princesa Diana, a Lady Di, que visitou o Japão em maio de 1986, um mês depois da estreia da série, admitindo que nunca confirmaram isso oficialmente, e definiu tokusatsu como programas educativos, que ensinam coragem, justiça, solidariedade e responsabilidade. Quando alguém perguntou como imaginava a vida de Spielvan, Diana e Helen depois do fim da série, devolveu a pergunta à plateia, e quando os fãs pediram um revival, respondeu que aceitaria voltar para passar o bastão aos filhos dos personagens.

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Fontes: entrevista de Makoto Sumikawa ao Kyoudai Express (setembro de 2026), Wikipedia japonesa, blog de Hiroshi Watari (2014 e 2016), Hiroshi Watari no X, memorando de fã da sessão no Akihabara UDX (5 de setembro de 2026), Heroshock (Japan Expo 2025), Toei Video; relatos de fãs dos talk shows de Nakano (2023) e do Makocchan Matsuri (2024 e 2025); Toei Hero MAX vol. 12 (Tatsumi Shuppan, 2005); Jikuu Senshi Spielvan, livro de fotos (Tokuma Shoten, 1986); Fukushima Minpo, 31 de março de 1985; Pixiv Hyakka Jiten.