Uma universitária sem experiência como atriz e uma aluna do Japan Action Club que acompanhava a série pela TV. Michiko Makino e Sumiko Tanaka reencontram-se para relembrar como viraram, de repente, a Pink Five e a segunda Yellow Four de Chōdenshi Bioman.

Makino tinha acabado de vencer o concurso de Miss Campus da própria faculdade quando foi escalada, sem teste de interpretação, para Hikaru Katsuragi, a Pink Five. Tanaka, aluna do Japan Action Club que assistia à série em casa, entrou em cena poucos dias depois de um teste de emergência, para assumir Jun Yabuki, a segunda Yellow Four, após a saída da atriz original.
Como surgiu a oportunidade de participar da série? Você já trabalhava no meio artístico?
Eu era uma universitária comum. Frequentava a faculdade normalmente. Não era idol, não fazia nada disso. Minha família era muito rigorosa. Eu recebia propostas de gente querendo me agenciar, mas meus pais não permitiam.
Na época, estavam fazendo testes para Bioman, porque a equipe teria duas mulheres. Uma delas já estava escolhida e seria uma guerreira muito forte. Para a outra, o produtor queria uma garota comum. Só que as candidatas que apareciam nos testes eram cheias de energia, com aquele jeito típico de heroína. E ele continuava pensando: "Não é bem isso". A Pink ainda não tinha sido escolhida.
E você nem estava em uma agência?
Não. Eu tinha vencido um concurso de Miss Campus na faculdade e aparecido na capa da revista Shūkan Asahi, fotografada por Kishin Shinoyama. Eles faziam uma série de capas com universitárias. Por acaso, aquela edição estava em cima da mesa do produtor. Foi assim que chegaram até mim.
Telefonaram para o setor de assuntos estudantis da faculdade. Naquele tempo não existia celular. Quando alguém do meio artístico ligava para a minha casa, meus pais recusavam tudo. Mas a ligação da Toei foi para a faculdade, então consegui receber o recado. Fui até a sede da Toei sozinha, sem contar aos meus pais.
Disseram que estavam procurando alguém para fazer um papel de irmã mais velha, de princesa, em um programa infantil. Eu queria tentar, e pensei que, sendo um programa para crianças, talvez meus pais deixassem. O produtor falou: "O programa que vem antes do seu está passando aos sábados, às seis da tarde. Assista para ter uma ideia".
Ninguém tinha me explicado que era uma série de equipe de heróis. Liguei a televisão e apareceu a Dyna Pink. Eu fiquei muito surpresa, e pensei: "Isso eu não posso contar aos meus pais". Para eles, eu tinha dito apenas que era um programa infantil. Acho que pensaram que, se me deixassem experimentar uma vez, eu ficaria satisfeita. A condição era continuar frequentando a faculdade normalmente. Mas, naquele momento, disseram que daria tudo certo. E assim começou.
"Eu tentei explicar que estávamos protegendo a Terra, protegendo as crianças. Era um programa infantil, afinal."
Michiko Makino, explicando a série aos pais depois da primeira exibiçãoNo dia da primeira exibição, eu estava com muita vontade de não voltar para casa. Quando cheguei, veio a pergunta: "O que foi aquilo?". E a série já estava no ar. Como já tinha começado, acabaram dizendo para eu me esforçar. No início, ainda tentava ir à faculdade: assistia à primeira aula e depois seguia para o estúdio. Mas houve dias em que meus pais achavam que eu estava na faculdade e eu estava gravando. Depois, as faltas se acumularam e descobriram. Acabei trancando o curso.
Então você entrou praticamente como uma pessoa comum, sem experiência?
Sim. Não tinha passado por um teste de interpretação nem nada desse tipo. Uma das primeiras gravações foi no terraço de um prédio, naquela sequência em que o Bio Robo vem nos pegar. Só que, naturalmente, ele não estava ali de verdade. Diziam que ele tinha chegado e que eu precisava fugir. Eu não sabia como fazer aquilo. Ficava pensando no que estava acontecendo.
No começo, disseram que seria uma heroína diferente, que não precisava lutar. Eu salvaria a Terra com aquela bondade, com aquela capacidade de acolher. Disseram até que eu não precisaria fazer ação. Isso mudou. Quando a primeira Yellow estava na equipe, muitas vezes eu ficava atrás dela, sendo protegida. Mas, quando chegou uma nova integrante, eu não podia continuar sendo protegida pela novata. A personagem acabou mudando.
E no seu caso, Tanaka? Como começou essa história?
Eu assistia a Bioman na televisão, em casa, desde o primeiro episódio. A Yuki, que fazia a Yellow, e o Tsuji, que vestia o traje dela, eram da minha turma no JAC (Japan Action Club).
Naquela época, eu estava em Nagoya por causa de uma transferência do meu pai. Tinha feito o teste para entrar no JAC quando estava no primeiro ano do ensino médio, mas disseram para eu ir depois de me formar. Então, embora fôssemos da mesma turma, os outros já estavam treinando e trabalhando nos sets. Eu ainda tinha pouquíssima experiência.
Como você recebeu o convite para entrar em Bioman?
Dentro do JAC já havia aquela preocupação, porque não conseguiam entrar em contato com a Yuki. Depois avisaram que fariam um teste. Como foi tudo muito repentino, várias pessoas do JAC participaram. Lembro de uma etapa em que havia umas cinco pessoas. Fiz uma cena com o Ota.
Então o Naoto Ota também participou do teste. Ele comentou isso.
Depois que fui escolhida, em uma semana já estava indo gravar. Antes disso, eu ia à escola e depois aos treinos do JAC. De repente, precisava atuar. E eu não sabia atuar direito. Essa foi a parte mais difícil.
Mais do que a ação?
Sim, a interpretação.
"Todo mundo foi muito gentil comigo."
Sumiko Tanaka, sobre chegar de repente a uma equipe que já trabalhava juntaComo você foi construindo a sua personagem, com tão pouco tempo de preparação?
Recebi uma ligação de um colega do JAC que tinha feito Sharivan. Ele estava preocupado comigo e me deu vários conselhos. Foi muito gentil.
E como foi colocar o Techno Brace de verdade?
Fiquei feliz. Afinal, eu era uma pessoa que assistia à série na televisão. Estava acompanhando aquele grupo e, de repente, passei a fazer parte dele.
Você já praticava tiro com arco?
Não. Fui treinar depois de conseguir o papel. Acho que já tínhamos começado a gravar quando fui a um local de prática. Precisavam explicar por que a Jun estava fora do país: ela estava no exterior treinando para as Olimpíadas, o que justificava sua ausência quando os primeiros integrantes foram reunidos. Sendo uma atleta, o arco também podia virar uma arma. Pensando no pouco tempo que tiveram, encontraram uma boa solução.
Trabalhar com Hiroyuki Sanada foi emocionante, mas eu também fiquei muito nervosa. Ele me orientava sobre a posição diante da câmera, a apresentação do rosto e a maneira de dizer as falas. Mesmo já sendo um nome conhecido, ele dividia o transporte da equipe e ajudava durante as gravações. Para quem precisava aprender trabalhando, esses conselhos faziam parte da formação diária.

Revendo as cenas, algumas coisas chamam atenção: havia enquadramentos que hoje parecem muito estranhos, principalmente nas cenas de ação com saia. Era uma exigência daquela época?
Eu queria usar calça. A direção de ação também entendia que seria melhor para me movimentar. Mas a Toei queria minissaia. Eu realmente não gostava daquilo.
E eu comecei sem saber nada disso. Ninguém tinha me explicado que existiam peças próprias para usar por baixo, que podiam aparecer durante os movimentos. Com aquelas saias, aparecia mesmo, e durante as gravações, mais ainda.
A Yuki era alguém que eu respeitava muito. Ela tinha uma consciência profissional muito forte, mas também era uma pessoa mais reservada, quase solitária.
Então chegou a Sumi-chan como Jun, com aquela aparência cheia de energia, usando bandana e minissaia. Até então, a Hikaru era protegida pela Yellow. De repente, entrou alguém mais nova, e eu já não sabia muito bem qual deveria ser a posição da minha personagem.
Foi aí que começou a mudança da Hikaru?
Sim. Ela deixou de ser apenas a integrante protegida e passou a lutar ao lado da Jun, em uma posição mais próxima da dela.
Quando fui escolhida, disseram que eu não precisaria lutar. Mas, quando as duas personagens se tornaram amigas, comecei a ser envolvida nas batalhas. Perto do final, me fizeram realizar várias cenas de ação. Foi difícil, mas também foi muito divertido poder fazer aquilo junto com a Sumi-chan.
Tanaka, quando você entrou, devia estar insegura por nunca ter atuado antes.
Para mim, fazer as cenas de ação era mais divertido. Durante as gravações, eu pensava: "Ainda estou fazendo ação!". Fiquei muito feliz porque me deixaram participar de sequências grandes.
Houve coisas que fizemos naquela época que seriam muito difíceis de realizar hoje.
Trabalhar durante um ano inteiro em uma série já é complicado. Quanto mais escuto as histórias de Bioman, mais penso: "Como vocês conseguiram superar tudo aquilo?"
"Ainda estou fazendo ação!"
Sumiko Tanaka, sobre a felicidade de participar das grandes sequências de lutaTalvez tenhamos nos tornado tão próximas justamente por causa disso. Nós atravessamos todos aqueles problemas juntas. E os profissionais da equipe também passaram por tudo conosco.
Lembro muito bem da última gravação. Nós choramos, choramos e choramos. Não sei explicar exatamente o motivo, mas me recordo de nós duas chorando diante de toda a equipe.
É como uma lembrança de juventude.
Parecia que tínhamos terminado uma batalha. Talvez fosse porque começamos juntas como dupla, não sei.
Na parte final da produção, as duas atrizes chegaram a vestir os trajes das heroínas durante uma sequência de ação, preparada com a participação da equipe responsável pelos personagens uniformizados.
Enquanto fazíamos a cena, já estávamos chorando muito. Na dublagem, choramos novamente.
Acho que não queríamos nos separar.
"Nós choramos, choramos e choramos. Não sei explicar exatamente o motivo."
Michiko Makino, sobre a última gravação ao lado de Sumiko TanakaMakino, eu queria voltar ao momento anterior à entrada da Tanaka. O que você pensou quando a primeira Yellow Four desapareceu?
No começo, eu não entendi que ela tinha ido embora. Como contei antes, nós quatro estávamos tomando café e conversando tranquilamente. Pela janela, víamos os profissionais da produção correndo de um lado para o outro.
Mesmo quando disseram que não conseguiam entrar em contato com ela, pensei que talvez estivesse dormindo. Ainda não parecia algo tão grave. Depois de algumas horas, alguém da produção apareceu e avisou: "As gravações de hoje foram canceladas". Mesmo naquele momento, eu ainda não compreendia a gravidade da situação.
Quando percebeu que ela não voltaria, qual foi sua reação?
Primeiro pensei: "Por quê?". Depois veio outra preocupação: "Será que o programa vai acabar?". A Yellow tinha desaparecido. Como continuaríamos gravando sem ela?
Naquele momento, o décimo episódio ainda não era a despedida da Yellow, certo?
Não. Estávamos trabalhando em histórias centradas nas heroínas e no Blue. A maior parte do episódio da Hikaru já tinha sido gravada. Era uma história em que eu aparecia vestida de enfermeira.
Com o afastamento inesperado da atriz, parte do material precisou ser descartada. Algumas cenas foram gravadas novamente depois da chegada de Sumiko Tanaka, enquanto a ordem dos episódios era reorganizada.
Gravamos praticamente a mesma história outra vez, agora com a Jun. Como o roteiro novo não ficou pronto a tempo, aquele episódio foi exibido depois da despedida da Yellow e da apresentação da Jun.
Então o episódio que acabou indo ao ar mais tarde deveria ter aparecido por volta dos capítulos 10 ou 11?
Sim. O roteiro tinha sido escrito pensando na Mika e na relação que ela mantinha com a Hikaru.
A substituição da personagem alterou essa dinâmica. Mika Koizumi era experiente e protegia Hikaru; Jun Yabuki chegava como a integrante mais nova da equipe. Algumas atitudes inicialmente pensadas para Mika já não combinavam com a nova personagem.
A relação entre elas era completamente diferente. Quando a Jun entrou, a Hikaru ganhou uma amiga, alguém que passou a lutar ao lado dela.
Em uma das cenas reaproveitadas, Hikaru deveria agir de maneira mais dura com Yellow Four. A sequência chegou a ser gravada, mas o resultado pareceu estranho diante da nova relação entre Hikaru e Jun.
Na prévia, é possível ver a Hikaru batendo na Jun, mas isso não aparece daquela forma no episódio.
No começo, gravamos assim. Depois percebemos: "Isso está estranho, não combina". Mas quase não havia tempo para mudar a história.
O episódio "Adeus, Yellow" tem uma quantidade impressionante de acontecimentos. Mason aparece com uma arma de partículas anti-Bio e Yellow Four decide receber todos os ataques para proteger os companheiros.
Na história criada para justificar a saída da personagem, Mika Koizumi compreende que não sobreviverá. Mesmo assim, continua recebendo os disparos até esgotar a energia da arma inimiga. A estratégia salva os outros integrantes, mas custa a vida de Yellow Four.
Ela recebe tantos ataques que chega a parecer estranho continuar transformada. Depois diz que conhece o próprio corpo e sabe que não resistirá. Yellow Four absorve toda a carga da arma, morre na explosão e seu funeral é realizado enquanto ela ainda aparece transformada.
Quando gravamos a morte da Yellow, era uma cena muito triste. Eu estava realmente sofrendo. Ficava pensando: "Para onde ela foi?"
Quanto tempo depois do desaparecimento aquela cena foi gravada?
Foi muito rápido.
A produção precisou decidir em poucos dias que a atriz não retornaria. Caso ela fosse localizada e pudesse voltar, os episódios centrados em Hikaru e Blue provavelmente teriam seguido a programação original.
"Foi muito rápido."
Michiko Makino, sobre o tempo entre o desaparecimento da atriz e a gravação da morte de Yellow FourEnquanto todos diziam que ela não estava aparecendo e que a situação era muito difícil, mandaram que eu participasse de uma seleção. Minha reação foi: "Eu?". Uma semana depois, já estava gravando.
Ela apareceu de repente naquele cenário. Acho que todos estavam simplesmente tentando fazer o trabalho continuar.
Tanaka também conhecia a reputação de Yuki Yajima como profissional de ação. Mesmo ocupando o lugar deixado por ela, a nova integrante reconhecia a experiência e a habilidade da antecessora.
Eu respeitava muito a ação da Yuki. Ficava impressionada assistindo ao que ela fazia.
Às vezes penso em como teria sido Bioman se a Yuki tivesse continuado como Yellow Four até o final. A história provavelmente teria seguido por outro caminho, e a minha personagem também seria completamente diferente.
A Hikaru talvez tivesse permanecido como aquela jovem gentil e protegida pelos outros.
Sim. Acho que ela não teria se tornado tão forte.
Uma das imagens mais marcantes do episódio é o funeral da primeira Yellow Four. Como a atriz já não estava presente, a personagem foi velada ainda usando o uniforme completo.
Precisávamos caminhar carregando o caixão, e aquilo era bastante pesado.
Os profissionais de ação também enfrentaram o desafio de representar a despedida de uma colega em meio à crise que atingia a produção.
Até hoje conversamos sobre como aquele período foi difícil e sobre como conseguimos superá-lo.
Acho que todos os envolvidos, o pessoal do JAC, o elenco e a equipe, compartilhavam o mesmo sentimento: precisávamos fazer Bioman continuar.
Logo depois que a série terminou, e ainda durante os anos seguintes, ninguém falava sobre o que tinha acontecido. Mencionar a troca parecia algo proibido.
Mesmo nos eventos, existia uma maneira definida de responder. Dizíamos apenas que a personagem tinha sido substituída dentro da história.
Com o passar das décadas e o surgimento de novos espaços para os integrantes das produções relatarem suas experiências, o assunto começou a ser tratado de maneira mais aberta.
Ainda falta escutarmos a pessoa que não está aqui. Espero que algum dia possamos ouvir essa história no canal.
Se isso acontecer, eu também gostaria de estar presente. Quero muito encontrá-la novamente.
Seria muito bom. Agradeço sinceramente pela presença de vocês hoje.
Muito obrigada.

Quarenta anos depois, a saída da primeira Yellow Four continua sendo um dos episódios mais discutidos da história de Super Sentai. As recordações de Michiko Makino e Sumiko Tanaka mostram também o que aconteceu ao redor daquela ausência: roteiros reescritos às pressas, cenas refeitas, personagens transformadas e uma equipe inteira determinada a manter Bioman no ar.
A crise mudou os rumos da série, mas também aproximou suas duas heroínas. Hikaru deixou de ser apenas a integrante protegida e ganhou em Jun uma amiga e companheira de batalha. Fora das câmeras, Makino e Tanaka construíram uma amizade nascida justamente do esforço para atravessar juntas um dos períodos mais difíceis da produção.
Entrevista original: Yasuhisa Furuhara, no canal 古原靖久TV (Yasuhisa Furuhara TV), com Michiko Makino e Sumiko Tanaka. Todos os créditos pela entrevista e pelo material original pertencem ao canal e aos participantes.