Ichiro Mizuki e Mitsuko Horie no palco
KYOUDAI EXPRESS / COLUNA · CRÍTICA
Ichiro Mizuki · 1948–2022 O Imperador das Canções de Anime
二人のアニソン #19 · 最後の舞台

The Last Dance

O último show de Ichiro Mizuki. Numa tarde de domingo em Tóquio, o Imperador subiu ao palco pela última vez ao lado de Mitsuko Horie, a parceira de meio século. Ninguém no salão sabia que faltavam nove dias.

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TÓQUIO — YOMIURI OTEMACHI HALL·"FUTARI NO ANISON" #19·27 DE NOVEMBRO DE 2022

Numa tarde de domingo em Tóquio, o "Imperador das Canções de Anime" subiu ao palco pela última vez ao lado de Mitsuko Horie, a parceira de meio século. Ninguém no salão sabia que faltavam nove dias.

Um homem de 74 anos entra no palco mais devagar do que a plateia se lembra. A voz, quando chega, ainda é aquela — o metal, o brado, o timbre que embalou meio século de aberturas de desenho japonês —, mas o corpo cansa, e há longos trechos da noite em que ele simplesmente não está ali: descansa nos bastidores enquanto os mais novos cantam as suas músicas por ele. Era 27 de novembro de 2022, um domingo, no Yomiuri Otemachi Hall, em Tóquio, e acontecia a décima nona edição de Futari no Anison, o recital que Ichiro Mizuki e Mitsuko Horie vinham repetindo havia quase vinte anos. Ninguém na plateia lotada tinha como saber que aquela era a última vez. Nove dias depois, em 6 de dezembro, Mizuki morreria de câncer de pulmão, e a tarde entraria para a história como o derradeiro show do homem que o Japão coroou "Imperador das Canções de Anime".

Mizuki havia tornado público naquele ano que estava com câncer, e talvez por isso quem conduziu a noite não tenha sido um mestre de cerimônias qualquer, mas uma jornalista do próprio Yomiuri Shimbun, Miyo Suzuki, que trabalha alguns andares acima do palco, no mesmo edifício. Ela se apresentou com o desconforto elegante de quem sabe que está ocupando um lugar que não é seu:

"Sou a Miyo Suzuki, repórter do Yomiuri Shimbun, e normalmente trabalho alguns andares acima, neste mesmo prédio. Como vocês sabem, o Mizuki tornou público este ano que está com câncer de pulmão. Neste momento ele segue lutando contra a doença, se tratando e, ao mesmo tempo, se esforçando na reabilitação, continua com as atividades no canto. Só que nem sempre as coisas saem do jeito que ele gostaria — e é justamente aí que eu quis dar uma ajudinha. Por isso vim correndo hoje."

Miyo Suzuki, apresentadora · Yomiuri Shimbun

E não estava sozinha. Ao redor dela, nos bastidores, esperava uma pequena legião de cantores mais novos, gente que cresceu ouvindo os dois, convocada às pressas para o caso de o Imperador precisar descansar. A apresentadora anunciou a tropa como quem revela uma carta na manga: "Cantores que admiram o Aniki, que admiram a Horie, estão de prontidão hoje como convidados de apoio. Quem vai aparecer, é surpresa."

Um sabor diferente, de fato. Ao longo da noite, mais de uma vez Mizuki deixaria o palco para recobrar o fôlego, e os discípulos entrariam para segurar as suas canções — Mazinger Z, Babil II, os hinos que ele havia cantado dez mil vezes. Era um show de revezamento disfarçado de festa. Visto de hoje, era um passar de bastão. Quando Horie enfim entrou, o cumprimento foi de uma simplicidade que hoje pesa toneladas: "Boa noite a todos. Boa noite também a quem está acompanhando pela transmissão. Que bom poder encontrar vocês." A casa estava cheia. "Ver a plateia lotada assim é uma alegria", disse ela.

Ichiro Mizuki e Mitsuko Horie durante o show
Ichiro Mizuki e Mitsuko Horie · "Futari no Anison" #19, Yomiuri Otemachi Hall, 27/11/2022

Vinte anos, mil canções e um mundo sem smartphones

Futari no Anison — algo como "O Anison dos Dois" — nasceu em 2003. Suzuki fez questão de situar a plateia naquele ano quase pré-histórico, e perguntou quantos ali estavam presentes na primeira edição. Subiram muitas mãos. Foi o ano em que o complexo Roppongi Hills abriu as portas, em que a dupla cômica Tetsu and Tomo emplacava o bordão nan de darō ("por que será?"). E, sobretudo, foi um ano sem os aparelhos que naquela noite todos na plateia traziam no bolso.

"Quando este Anison dos Dois começou, em 2003, quase ninguém tinha aquilo que praticamente todos vocês têm hoje: o smartphone. Quem veio ao primeiro Anison dos Dois provavelmente mandava as impressões do show para os amigos por e-mail, ou publicava no próprio blog. Pensando assim, a gente passou junto um tempo que parece curto, mas foi longo."

Miyo Suzuki

Vinte anos depois, na casa do vigésimo aniversário, aquela era a décima nona edição — e a trigésima oitava apresentação da série desde 2003. Do repertório somado dos dois, mais de mil canções, nasceram brincadeiras que viraram tradição: a seção do repertório raro, a seção do "pedir o impossível", o duelo de par ou ímpar, a seção cão e gato. Mas a verdadeira marca registrada da dupla é outra, e é rara em qualquer indústria musical: o repertório de cada noite é decidido pelos próprios cantores, em conversa, sem gravadora, sem produtor, sem imposição. Aquele último setlist também tinha sido combinado entre os dois.

A ilha dos 12 anos e o "irmão mais velho bonito"

A história dos dois começa muito antes do anime, e antes mesmo da palavra que hoje os define. Eles se conheceram quando Horie ainda era uma menina que gravava A Ilha dos 12 Anos, numa época em que aquilo nem se chamava anison, e sim "pop para a garotada". Naquele tempo, os compositores davam aula por cem ienes, e foi numa dessas lições, na casa da professora Kanae Wada, que a menina de doze anos esbarrou num rapaz que já cantava as suas músicas — o que, para uma criança, era um feito quase mágico.

"Foi a primeira vez que vi um adulto daquela idade. E aí aparece esse irmão mais velho, alto e bonito, que já tinha decorado a minha música antes de mim e cantava de um jeito tão doce… Eu, garotinha, achei o máximo. Naquela hora eu não fazia a menor ideia de que a gente teria uma convivência tão longa."

Mitsuko Horie

Para dar corpo àquela memória, um dos convidados, Takahiro Tanimoto, subiu ao palco para cantar uma das canções do jovem Mizuki, do tempo em que ele era um crooner de música popular, antes mesmo de os dois se conhecerem. Horie ouviu de longe, encantada: "Que música linda. Ficou parecendo o Mizuki da época em que a gente se conheceu, tão doce." Tanimoto entregou o segredo do preparo — e o rigor que a dupla impõe aos mais novos: "Cantei uma vez e ela me corrigiu: 'Não, o Aniki é mais doce que isso.' E aí foi de novo, e de novo."

1971: o telefonema do destino

O verdadeiro reencontro veio em 1971, e nasceu de uma carência do mercado. A indústria tentava então formar um time de cantores especializados em canções de desenho animado. Meninas havia de sobra — Horie era uma delas —, mas faltava homem. Foi então que um diretor de gravação teve um estalo: "Espera, aquele que cantava as músicas dela… o Mizuki! Liga pra ele." Ligaram, e o Mizuki atendeu. "Isso foi o destino", conta Horie.

A música que os reuniu foi Genshi Shōnen Ryū ("Ryū, o Menino das Cavernas"): ele na abertura, ela no encerramento. A gravação é de 25 de novembro de 1971 — data que, na noite do show, fazia exatos 51 anos, dois dias antes. E dela nasceu a piada que os dois repetiriam pela vida inteira:

"Na gravação, era a primeira vez que ele cantava uma canção de anime. Ele vinha da música popular, e ali pediam ataque, pediam força. Ele repete: 'Era a minha primeira vez, levei umas duas horas gravando aquilo — e a Micchi foi embora antes de mim!' Só que eu não fui embora… Ele guardou essa mágoa esse tempo todo. Ficou ressentido meio século por causa disso."

Mitsuko Horie

A jornalista, que levou a sério o ofício, foi ao arquivo do Yomiuri procurar o que se noticiava naquele exato 25 de novembro de 1971. O que encontrou é bom demais para ter sido inventado: no quartel dos bombeiros de Nakano ergueram um cartaz em que, por algum motivo, o Godzilla e a Gamera cuspiam fogo, e o Ultraman, de extintor na mão, apagava o incêndio — e a Toho e a Tsuburaya Pro tinham dado o aval para aquilo. Cantaram, então, as duas pontas daquela lembrança: a abertura que custou duas horas e o encerramento que saiu em duas tomadas.

O pé do Imperador

Nem toda reverência é solene. Tanimoto, um dos convidados, deve ao apoio de Mizuki boa parte da carreira. A expressão japonesa ashi wo mukete nerarenai — "não consigo nem dormir com os pés apontados para você" — é uma forma antiga de dizer gratidão sem fim. Só que, com Tanimoto, a metáfora deu errado da maneira mais literal possível:

"Alguém falou: 'Tanimoto, você não pode nem dormir com os pés apontados pro Aniki, né?' Mas quando olhei pro lado do Aniki, ele estava com uma cara péssima. Ele: 'Esse cara que diz que não pode apontar os pés pra mim estava agora mesmo pisando no meu pé.' É que, quando eu bebo, tenho o costume de massagear a sola do pé na perna da mesa — e era o pé dele."

Takahiro Tanimoto
Mizuki ao lado de um convidado durante o show
Um dos convidados canta ao lado de Mizuki, que descansa entre as músicas · "Futari no Anison" #19

A magma que subia

Boa parte da conversa da noite foi uma pequena história oral do anison, contada por quem a viveu de dentro. O início dos anos 1970 foi a fase em que os dois, ainda quase clandestinos, gravaram um número absurdo de canções para uma legião de novos desenhos e tokusatsu. Horie tem uma imagem geológica preferida para descrever aquele momento — o de uma pressão que se acumulava embaixo da crosta, à espera do dia da erupção: "Era um tempo em que, rumo ao boom do anime que estava por vir, a coisa subia lá de baixo com força, feito magma."

Só que o país ainda não tinha nome para aquilo. E, sem nome, não havia respeito. Horie, o Mizuki — hoje chamados de Quatro Reis Celestiais do anison —, o Sasaki, todos foram fazendo o que dava para chegar até a sala de estar das pessoas. A jornalista, de novo com o arquivo à mão, quantificou quanto tempo esse "aos poucos" levou: a palavra "anison" aparece pela primeira vez no arquivo do Yomiuri só em 1982, numa carta de leitor. Para o termo "canção de anime" aparecer com naturalidade dentro de uma reportagem comum, foi preciso esperar até 1990, com o "Odoru Ponpokorin".

"A gente rodou o Japão inteiro fazendo eventos, mas quase sempre era em zoológico, parque de diversões, terraço de loja de departamento, festival de rua. Ao ar livre, num palquinho minúsculo. Na pior das hipóteses, nem microfone tinha. Mesmo assim, vendo as crianças ali na frente, de olhos brilhando, dava aquela vontade de cantar com tudo para fazer a canção chegar até elas."

Mitsuko Horie

Três minutos, sete minutos

Foi aí que a conversa tomou o rumo mais inesperado da noite, e também o mais revelador: uma discussão técnica, quase de ofício, sobre por que as canções de hoje são difíceis de cantar. Começou com a observação de que os temas antigos eram curtos, martelados, econômicos: "Era tudo curto e potente. Como eu tenho um cérebro da era Showa, para mim canção é aquilo que acaba em uns três minutos. Só que hoje passa de seis, chega a sete minutos." Dessa constatação bem-humorada, Horie chegou ao ponto mais sério da noite — uma reflexão sobre o que se perdeu quando o silêncio saiu da partitura:

"Naquela época ainda existia, na partitura, aquilo que se chama pausa. E era ali, naquele espaço de descanso, que cabia o ressoar, a expressão do sentimento. Uma coisa que me disseram a vida inteira: 'Não seja uma cantora que tranquiliza; seja uma cantora que emociona.' Hoje eu penso que talvez seja exatamente isso o que eu venho perseguindo esse tempo todo."

Mitsuko Horie

"Parece um casamento"

Com Mizuki descansando nos bastidores, coube aos convidados encarar os clássicos do Imperador, e o nervosismo era físico. Hideaki Takatori pegou nada menos que Mazinger Z. Terminou a canção sem fôlego: "Estou com a garganta completamente vazia agora." O preparo incluiu uma sessão de arqueologia caseira que terminou em choro: "Eu fui ver no YouTube o primeiro episódio do Mazinger Z. Assistindo, é impressionante. Me emocionei, chorei. Voltou tudo, todas as lembranças daquela época voltaram de uma vez." "Parece que está todo mundo indo para um casamento", brincou a apresentadora, diante de tantos convidados endomingados e trêmulos.

O primeiro dueto

A primeira vez em que as vozes dos dois se cruzaram num dueto foi em Kamen Rider Stronger, em 1975 — e, para surpresa da própria apresentadora, foi também o primeiro dueto da carreira de Mizuki. Só daquela obra saíram cinco canções. Horie situou o momento na história do país: 1975 foi o Ano Internacional da Mulher, e não por acaso apareceram, no mesmo movimento, a heroína Tackle em Stronger e as personagens femininas de Himitsu Sentai Gorenger. Sobre aquele primeiro dueto, ela guarda a impressão de quem soube antes de saber: "Eu já tive a sensação de que, depois daquilo, a gente ia continuar cantando junto para sempre."

As câmeras que dispararam

O fim dos anos 1970 foi o ponto de virada, e Horie sabe descrever o instante exato em que percebeu que o chão havia se movido. Ela estava fantasiada de alienígena, entrou no palco, e o mundo estalou: "Quando eu botei o pé no palco, as câmeras dispararam, 'shu-shu-shu-shu'. Eu achava que fossem crianças, e eram estudantes de colégio, universitários, adultos." A explicação do fenômeno veio de Akira Kushida, o mais velho e mais rouco dos convidados: "O anime japonês começou em 1969. Todo mundo cresceu assistindo aquilo desde criança e, quando enfim viraram adultos, foi aquela força represada que explodiu."

Do Rio a Riade: os filhos que voltaram

Se há um assunto capaz de iluminar o rosto desses cantores, é a vida secreta de suas canções fora do Japão — músicas gravadas às pressas em estúdios de Tóquio nos anos 1970 que décadas depois se descobriram hinos nacionais em países que eles nem sabiam localizar no mapa. Horie falou do fenômeno Voltes V, que a transformou numa espécie de divindade nas Filipinas: "É como um filho que cresceu e voltou para você." E então veio o Brasil. Kushida — que para uma geração inteira de brasileiros é, para sempre, O Fantástico Jiraiya — contou a chegada ao país como quem ainda não acredita no que viveu:

"Assim que a gente chega no aeroporto, tem uma multidão enorme esperando. Parece jogador de futebol. Eu pensei: 'Sou eu mesmo?' Aí veio um tiozão com um walkie-talkie na mão, chegou pertinho de mim: 'Jiraiya! Jiraiya!' E, daqui a pouco, estavam todos cantando juntos. Era um funcionário do aeroporto. É desse tamanho a popularidade lá."

Akira Kushida

Não era mera anedota de camarim. Mizuki cantou em eventos ligados à Copa do Mundo, em convenções internacionais promovidas pela Japan Foundation, e na Arábia Saudita em 2019. "De Hong Kong à Arábia Saudita, ele veste a roupa típica de cada lugar e fica igualzinho a um nativo", diziam à mesa, entre risos. O gênero que nasceu em palquinhos improvisados de zoológico, sem microfone, tinha virado, enfim, patrimônio do planeta.

A voz do Imperador

Mizuki falou pouco naquela noite. A doença cobrava o seu preço, e a estrutura do show — desenhada para poupá-lo — o mantinha fora do palco por longos trechos. Mas quando voltava, e quando falava, dizia coisas que hoje é impossível ler sem um aperto.

"Como a gente é humano, existem todo tipo de momento. Momentos em que se está bem, momentos difíceis. Mas, no meio disso, de que jeito eu vou continuar cantando, de que jeito eu vou continuar vivendo — isso é muito importante. E ter gente que me sustenta e gente que me acompanha de perto, isso me anima e me dá muita força."

Ichiro Mizuki, no palco

Depois de ouvir os discípulos cantarem por ele, com o público ainda de pé, ele agradeceu: "Que música incrível. Cantar, no fim das contas, é mesmo uma coisa maravilhosa. E poder virar uma coisa só com todo mundo — acho que é isso."

"Me dá esse sorriso": a despedida sem nome

A reta final teve até estreia da apresentadora, que confessou nunca ter apresentado uma banda na vida. Anunciou um a um: bateria, baixo, guitarra e o coro, e Horie fez questão de sublinhar o que aquilo significava: "Assim como o público, esses são os companheiros que passaram todo esse tempo ao nosso lado." Cantaram Last Spurt e Ninja Captor. Então o Imperador voltou ao palco para o encerramento, e quis ficar com a última palavra. Mirou o elegantíssimo Tanimoto e disparou, com aquele humor seco de quem manda em casa: "Esse sorriso aí… me dá esse sorriso. Já que eu cheguei nessa idade, me dá esse sorriso." E completou: "Que porte bom esse aí."

Para o fim, Horie convidou o salão inteiro a cantar junto. A escolha era de Mizuki: "Então vamos nos despedir todos juntos com uma música do Aniki, torcendo para que ele se recupere o quanto antes. Vamos cantar, todo mundo junto, Babil II." E o salão inteiro cantou Babil II — um dos hinos de Mizuki, entoado por centenas de pessoas como um voto coletivo de cura. Ninguém ali sabia que era uma despedida. Nove dias depois, o Imperador partiu.

"No dia 27 de novembro, o último palco em que ele subiu, mesmo assim pudemos cantar juntos. Eu fui feliz."

Mitsuko Horie, mais tarde

Cinquenta e três anos separavam a menina de doze anos, encantada com o "irmão mais velho bonito" que já sabia a música dela de cor, da mulher que segurou aquele palco ao lado dele até o fim — irmão e irmã, como ela mesma resumiu, cantando juntos a vida inteira. Se é verdade que uma boa canção de anison é aquela que "dá ânimo à gente", então o último show de Ichiro Mizuki foi, ele próprio, exatamente isso: um homem doente, cercado dos filhos que as suas canções geraram pelo mundo — do Rio a Manila, de Riade a Hong Kong —, cantando até não poder mais para que a plateia saísse dali com mais força do que entrou. A última dança. E que dança.

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Ichiro Mizuki (1948–2022). "Futari no Anison" #19, Yomiuri Otemachi Hall, Tóquio, 27 de novembro de 2022. Reportagem baseada nas conversas e entrevistas realizadas durante o próprio show.