KYOUDAI EXPRESS / REVIEW ESPECIAL
Metal Hero · Toei · 1985Com as entrevistas de Yoshikawa e Uehara

O FantásticoJaspionA aventura de 1985 que o Brasil adotou em 1988

A encomenda da Bandai, o Estúdio 9 da Shochiku, os astros do JAC, Daileon contra as grandes feras, a audiência dos 46 episódios e a dublagem da Álamo, com as entrevistas do produtor Susumu Yoshikawa e do roteirista Shozo Uehara na íntegra.

Jaspion em armadura, com o punho fechado, em foto de divulgação

O Fantástico Jaspion estreou na TV Asahi em 15 de março de 1985 como a aposta mais cara da Toei até então em um herói de tokusatsu. A série nasceu de um pedido da Bandai e trocou a polícia galáctica dos Uchu Keiji por um aventureiro criado entre feras. Filmou seus quatro primeiros episódios no maior estúdio da Shochiku e terminou 46 episódios depois com audiência abaixo da meta no Japão. Três anos mais tarde, chegou à Rede Manchete e virou o nome mais lembrado do gênero no Brasil. Este review reúne os bastidores contados pelo produtor Susumu Yoshikawa e pelo roteirista Shozo Uehara à revista Toei Hero Max em 2008. Traz também o guia dos 46 episódios com a audiência de cada um e a história da versão brasileira.

Compartilhar:

A aposta de 1985

Kyoju Tokuso Juspion, título original de O Fantástico Jaspion, foi a quarta série da linha que a Toei chamaria de Metal Hero e a primeira a abandonar a estrutura policial de Gavan, Sharivan e Shaider. O herói continuava vestindo uma armadura metálica, usando pistola e espada e viajando numa nave-mãe, agora sem o distintivo da Federação Galáctica. Jaspion é um órfão criado pelo eremita Edin num planeta distante. Sua missão vem de uma profecia da Bíblia Galáctica.

A novidade do título estava nos kyoju, as grandes feras que Satan Goss torna violentas. A Toei já tinha posto monstros gigantes contra seus heróis em Uchu Keiji e no Super Sentai, mas sempre como pretexto para mostrar o robô ou a nave do protagonista. Em Jaspion a fera veio primeiro, e a nave Daileon só existe para se transformar no gigante que a enfrenta.

A produção durou de março de 1985 a março de 1986, com 46 episódios de 30 minutos. Os 34 primeiros foram ao ar às sextas-feiras, às 19h30, e a partir do episódio 35, em 6 de janeiro de 1986, a TV Asahi moveu a série para as segundas-feiras, às 19h. A média de audiência na região de Kanto ficou em 11,8%, segundo a Video Research, abaixo dos 12,5% de Shaider.

No Brasil, a série estreou em 22 de fevereiro de 1988 na Rede Manchete, dentro do Clube da Criança, com dublagem da Álamo, e foi reprisada pela mesma emissora até meados dos anos 1990. O ator Hikaru Kurosaki, que interpretou Jaspion, morreu em 29 de junho de 2026 em Motobu, em Okinawa, aos 64 anos. A notícia foi confirmada em 2 de julho pela Associação de Mergulho da cidade, onde ele dirigia a escola Mother Earth, e ocupou os principais portais brasileiros por uma semana.

Jaspion, de jaqueta estampada, ao lado de Anri, de macacão vermelho e branco
Hikaru Kurosaki e Kiyomi Tsukada em foto de divulgação de 1985. Anri falava em linguagem masculina nos primeiros episódios · foto: Toei

A ideia da Bandai

Yukimasa Sugiura, então diretor-executivo da Bandai e mais tarde presidente da empresa, procurou Susumu Yoshikawa, chefe do departamento de TV da Toei, com um pedido de uma linha só: "Yoshikawa, vamos fazer coisa de monstro". O argumento de Sugiura era Ultraman, em que o monstro de cada episódio pesa tanto quanto o herói. Yoshikawa contou à Toei Hero Max, em 2008, que a audiência da franquia vinha caindo havia três anos: 15% de média em Gavan, 13% em Sharivan e 12,5% em Shaider.

A Toei já tinha decidido continuar a linha por um quarto ano e procurava um jeito de recuperar público. Shozo Uehara, roteirista principal desde Gavan, escreveu primeiro um memorando manuscrito chamado Ginsei Oji Big Bang, ainda na lógica dos policiais espaciais, e o abandonou quando a Bandai pediu monstros. A proposta impressa que saiu dessa troca chamava-se Kaiju Tokuso Juspion, tinha capa de papel prateado e descrevia um órfão criado por animais espaciais no planeta Medes. A história das propostas e dos roteiros de teste está na matéria What If... Jaspion tivesse sido o Tarzan da galáxia.

O primeiro plano de Sugiura previa monstros bons, que o herói capturaria vivos para soltar numa fazenda em outro planeta. Yoshikawa descartou a ideia pelo custo das cenas da fazenda espacial e pelo problema de impacto: um robô gigante armado que não destrói o monstro. O nome do herói passou por candidatos como Youju Hunter De Niro antes de fechar em Juspion, junção de "justice" e "champion", anotada à mão por Uehara na página de rosto de sua cópia da proposta.

Uehara tinha começado a carreira na Tsuburaya Productions, em Ultra Q e Ultraman, e via na série a chance de provar que a Toei dava conta de monstros gigantes. Ele disse à Toei Hero Max: "Mas achei que havia chegado a hora de mostrar que a Toei também conseguia fazer coisa gigante". O diretor de efeitos especiais Nobuo Yajima, que trabalhara em Mirrorman e Ultraman Leo na Tsuburaya, assinou os efeitos da série.

O Estúdio 9 da Shochiku

O orçamento de efeitos especiais de Jaspion chegou perto do dobro de uma série normal da Toei, segundo Yoshikawa. O sucesso de Gavan tinha convencido a empresa a liberar dinheiro desde o início. A produção alugou por alguns dias o Estúdio 9 da Shochiku, em Ofuna, o maior da companhia, onde se montava o cenário do templo Taishakuten da série de filmes Otoko wa Tsurai yo. Ali foram filmadas as cenas de efeitos dos episódios 1 a 4, com a equipe do Tokusatsu Kenkyujo de Yajima hospedada na vizinhança.

Nos Uchu Keiji, a praxe era concentrar nos dois episódios-piloto os processos caros, como a composição em vídeo pelo sistema Tohtsu ECG e os bancos de imagens reutilizáveis de decolagem dos mecas. Em Jaspion, esse tratamento se estendeu até o episódio 4, com a aparição das grandes feras filmada em escala inédita para a Toei. A produção usou ainda a câmera snorkel empregada no filme Shinkansen Daibakuha e ação com fios de aço tanto nas lutas em tamanho humano quanto nas gigantes.

Os três primeiros episódios se passam em outros planetas e foram filmados em locações escolhidas para parecer paisagens alienígenas. A ilha de Oshima, em Izu, serviu ao episódio 1, o planalto de Nasu ainda com neve ao episódio 2 e o campo de lava de Onioshidashi, em Gunma, ao episódio 3. A ideia original de levar Jaspion a um planeta diferente por semana foi abandonada no episódio 4, quando a história chega à Terra. Yoshikawa explicou a mudança pelo custo das locações e pela necessidade de dar às crianças um ponto de contato com o cotidiano.

A estreia estava marcada para 1º de março de 1985. As filmagens dos episódios 1 e 2 atrasaram. A Toei acrescentou dois episódios a Shaider para cobrir o buraco na grade, e Jaspion só foi ao ar em 15 de março. Depois do encerramento do episódio 48 de Shaider, a TV Asahi exibiu um spot de 15 segundos anunciando a nova série, com a versão instrumental do tema de encerramento.

Daileon em forma de robô diante de uma colagem de cenas da série
O gigante Daileon numa arte de divulgação do Blu-ray japonês. A partir do episódio 5, as lutas dele contra as feras passaram a uma equipe separada · reprodução: Toei Video

A equipe Orita

Depois do episódio 4, Yajima e os principais nomes do Tokusatsu Kenkyujo partiram para a Coreia do Sul, para filmar um drama histórico. O produtor Itaru Orita, preocupado com o custo crescente da equipe principal, montou a partir do episódio 5 uma unidade própria de efeitos. A equipe Orita, como ficou conhecida, filmava toda semana o confronto entre Daileon e a fera. Dirigindo ele mesmo essas cenas, Orita controlava o orçamento e compensava a falta de verba com filmagens a céu aberto e truques de fio.

Na equipe Orita trabalharam o assistente de direção Hidetaka Takeuchi e, na arte, Hiroshi Butsuda e Toshio Miike, dois nomes que anos depois comandariam os efeitos especiais da Toei. Michihiro Takeda, do Japan Action Club, assumiu a direção de ação da unidade a partir do episódio 5, e foi dele a ideia de fazer Daileon dar saltos mortais pendurado em fios de piano dentro do estúdio. Essa diferença explica por que as batalhas gigantes dos episódios 1 a 4 têm um clima diferente das seguintes.

Yoshikawa admitiu à Toei Hero Max que acompanhou pouco a produção do meio para o fim. Na mesma época ele negociava com a Fuji TV uma série live-action de GeGeGe no Kitaro, projeto que naufragou pela oposição da emissora. O dia a dia de Jaspion ficou em boa parte com Orita e com o produtor assistente Jun Higasa. O roteirista Haruya Yamazaki, que Yoshikawa reservara para Kitaro, acabou escrevendo quatro episódios de Jaspion.

Os roteiros

Uehara assinou 42 dos 46 roteiros, e Yamazaki escreveu os episódios 20, 23, 38 e 42. Narimitsu Taguchi, roteirista de Ultraman Taro e Ultraman Leo, chegou a entregar um roteiro de teste chamado "Você Viu a Grande Fera?", sobre um menino mentiroso que descobre a fera Blackie, mas o texto nunca foi filmado. O episódio 1 teve três versões escritas antes da definitiva, e no roteiro final a armadura ainda se chamava Combat Suit e a nave, Juspion-go.

Yoshiaki Kobayashi dirigiu os dois primeiros episódios, e Takeshi Ogasawara assinou 20 dos 46, incluindo o episódio 4, em que a história chega à Terra, e o último. Michio Konishi, Osamu Tsuji e Shohei Tojo dividiram o restante. Ogasawara contou à Toei Hero Max que a equipe discutia no set se era certo derrotar as feras: "Foi uma obra em que senti as dores do parto de criar uma linha nova".

Os astros do JAC

Hikaru Kurosaki tinha 23 anos quando vestiu a jaqueta de Jaspion. Nascido em Osaka em 31 de janeiro de 1962, entrou no Japan Action Club ao terminar o ginásio e atuou em Kage no Gundan II, na Toei de Kyoto. Depois estrelou dois filmes com o elenco inteiro do JAC: Igano Kabamaru, de 1983, e Kotaro Makaritoru!, de 1984. Em 1984 fez uma participação em Choudenshi Bioman, nos episódios 35 e 36, no papel de Shotaro Yamamori. Jaspion foi seu primeiro herói transformável.

A agenda lotada do ator criou um problema nos primeiros meses. Kurosaki era um dos nomes mais requisitados do JAC, e a produção tinha dificuldade para marcar suas gravações, de modo que Jaspion passava boa parte dos episódios dentro da armadura, grafada nos roteiros como "Jaspion Reforçado". A solução foi criar um personagem que fizesse ação de rosto descoberto ao lado do herói. Esse personagem é Boomerman, entregue a Hiroshi Watari, o Sharivan de 1983.

Hikaru Kurosaki e Hiroshi Watari lado a lado, de jaquetas, em foto de divulgação
Kurosaki e Watari em foto especial do episódio 32, publicada no Perfect Manual da Tokuma Shoten. Boomerman nasceu para cobrir a agenda do protagonista · reprodução

Junichi Haruta, membro do JAC desde a fundação, interpretou MacGaren em forma humana e em armadura. Ele vinha de dois anos seguidos como o guerreiro negro do Super Sentai, Goggle Black em Dai Sentai Goggle V (1982) e Dyna Black em Kagaku Sentai Dynaman (1983). Antes disso tinha feito ação de traje em Kamen Rider e Choujin Bibyun. Com Kurosaki, Watari e Haruta no mesmo elenco, a série atraiu o público feminino que acompanhava os astros do JAC nas revistas, e a Gekkan Newtype, da Kadokawa, publicou ensaios fotográficos e entrevistas com os três.

Kiyomi Tsukada, a Anri, tinha sido a heroína de Seiun Kamen Machineman em 1984, série do mesmo diretor Ogasawara, e era conhecida como assistente do programa Quiz Doremifadon!. Pouco antes de Jaspion, fizera a personagem Vivian no episódio 41 de Shaider. Noboru Nakaya, o Edin, era um ator veterano de Spider-Man (1978), Goggle V e Key Hunter, e morreu em 2006. Isao Sasaki, cantor conhecido pelos temas de Yamato e Gatchaman, interpretou o fotógrafo Kenichiro Nanbara a partir do episódio 15.

Yukie Kagawa, que fizera a Amazoness de Spider-Man e a Amazon Killer de Sun Vulcan, voltou à Toei como a feiticeira Kilmaza. Shozo Iizuka, voz de Hakaider, Don Horror e dos imperadores dos Uchu Keiji, deu voz a Satan Goss e apareceu de rosto descoberto como o diretor Akiyama, nos episódios 14 e 19. A narração ficou com Toru Ohira.

Dentro da armadura

Takanori Shibahara, dublê de Sharivan desde o meio daquela série, vestiu a armadura de Jaspion até o episódio 28 e deixou o JAC para montar sua própria equipe de dublês. Kazuyoshi Yamada, que fizera o Umibozu de Sharivan, assumiu do episódio 29 em diante, com Noriaki Kaneda em parte das cenas. Kaneda e Hiroshi Seki se revezaram dentro de Daileon, e Tsuyoshi Miyazaki e Hirofumi Ishigaki vestiram as feras. A direção de ação coube a Osamu Kaneda, do JAC, com Michihiro Takeda na unidade de efeitos.

Jaspion não grita nenhum termo científico ao vestir a armadura, ao contrário de Gavan, Sharivan e Shaider. Ele leva as mãos às orelhas e o Metaltex, como a dublagem brasileira chamou o Metal Tech Suit, se forma em 0,03 segundo. Também não faz pose de apresentação diante do inimigo nem anuncia o nome das armas. A Toei Hero Max interpreta a escolha como uma tentativa de dar fluidez às cenas de luta, e nota que a série seguinte, Spielvan, trouxe a pose de volta.

Jaspion, Anri e Miya

Jaspion é filho de Gary, guarda de proteção animal do Governo Federal Galáctico, e de Anna, zoóloga. Ainda bebê, sobreviveu ao acidente da nave que levava a família e foi recolhido por Edin, eremita de dez mil anos que vive sozinho no planeta chamado Aldeia e guarda os fragmentos da Bíblia Galáctica. O menino cresceu entre as grandes feras e virou um jovem que dispensa regras, conversa com qualquer um e adora animais e crianças. Na Terra, dirige um Mazda RX-7 da primeira geração.

Anri é uma androide construída por Edin para acompanhar Jaspion nas explorações e análises de cada planeta. Nos primeiros episódios ela falava em linguagem masculina e tinha temperamento ríspido, e Jaspion a chamava de defeituosa. A mudança veio por decisão de Yoshikawa, que achou que uma personagem feminina cotidiana funcionaria melhor com as crianças, e os roteiros explicaram a troca com a substituição da ROM de linguagem. Depois disso, Anri passou a gostar dos animais que antes detestava.

Anri sorri e aponta o dedo, de macacão vermelho e branco, em foto de divulgação
Kiyomi Tsukada como Anri. A troca da ROM de linguagem, no meio da série, deu à androide uma fala feminina · foto: Toei

Miya é uma criatura do planeta Beezee, o primeiro que Jaspion visita, e perdeu a mãe num ataque de abelhas gigantes antes de ser salva pelo herói. Desde então viaja em Daileon, se chama a si mesma de Miya, solta raios pelos olhos quando sente perigo e, depois de se acostumar com a Terra, pegou gosto por cozinhar. A voz japonesa é de Atsuko Koganezawa. Na proposta original, o lugar dela seria ocupado pelo animal espacial Pinky e pelo robô de exploração Monsoon.

Edin veste um manto, carrega um cajado que repele rajadas de energia e vai juntando os pedaços da Bíblia, que se despedaçou há 30 mil anos com a aproximação de um cometa. É dele a leitura da profecia que move a série: quando Satan Goss ressuscitar, a galáxia perecerá, e só o Pássaro Dourado poderá detê-lo. No último episódio, Edin enfrenta o Grande Satan Goss e morre.

A família Nanbara e Boomerman

O fotógrafo Kenichiro Nanbara fotografou por acaso o Pássaro Dourado nas montanhas e passou a ser caçado pelo exército de MacGaren. Para proteger os filhos, Kanoko e Kenta, ele desaparece, e as crianças saem pelo Japão à procura do pai. Quando Kanoko se revela uma das cinco crianças tocadas pela luz, a família inteira se muda para a Aldeia de Edin. A busca pelas crianças da profecia, inspirada por Uehara no romance Nanso Satomi Hakkenden, organiza a segunda metade da série.

Boomerman, chamado de Bumerangue no original, é um ex-estudante de medicina cujo irmão, investigador da Interpol, foi morto pelo exército de MacGaren. Ele aparece no episódio 6 lutando sozinho, só reconhece Jaspion como aliado no episódio 8 e, ao perceber que não tem força para vencer MacGaren, viaja ao exterior para treinar. Volta como oficial de segurança da Federação Internacional, perde de novo para o rival e deixa o Japão para proteger as vítimas de Satan Goss. Watari contou que vestiu o personagem como um alienígena na primeira fase, por ter entendido errado o papel, e que na volta a produção pediu um visual de jovem comum.

Página de revista infantil com Boomerman em jaqueta azul lutando contra soldados entre contêineres
A volta de Boomerman na Televi Magazine, da Kodansha. O título da página anuncia o retorno do personagem · reprodução

Satan Goss e seu filho

Satan Goss é uma forma de vida nascida de um corpo de energia negativa expelido por um buraco negro, e seu poder é despertar as feras adormecidas e torná-las violentas. Na dublagem brasileira, o narrador repetia a cada aparição que Satan Goss tem o poder de enfurecer os seres e transformá-los em monstros incontroláveis. O desenho definitivo, feito pela Bandai, é o de um demônio de armadura na linha de Darth Vader. O vilão só fala no episódio 22. A voz é de Shozo Iizuka.

No final da série, Satan Goss rompe a crisálida em que estava e vira o Grande Satan Goss. Ryu Noguchi o desenhou a partir das quatro feras do capítulo sete do Livro de Daniel, imagem que Uehara tinha previsto no primeiro roteiro de teste. Nessa forma ele derrete os prédios de Tóquio e os transforma em selva, com o plano de construir na Terra o Império das Grandes Feras. É destruído por Daileon com a espada dourada criada pelas cinco crianças.

Jaspion, em armadura, diante de uma grande fera coberta de espinhos numa locação externa
Jaspion ao lado de uma das grandes feras. Os objetos em tamanho real, como mãos e cabeças, davam escala às cenas sem composição · foto: Toei

MacGaren, chamado de Mad Gallant no Japão, é o filho de Satan Goss e o rival de Jaspion em tamanho humano. Em forma humana ele se infiltra como funcionário de posto de saúde, presidente de empresa, cartunista ou alpinista. A produção pensou em vesti-lo de preto, mas Goggle V estava em reprise na região de Kanto na época, e a cor foi trocada por azul para não lembrar Goggle Black, personagem do mesmo Haruta. Os alienígenas de seu exército falam uma língua inventada, feita com as falas dos membros do JAC gravadas ao contrário. Haruta contou à Newtype, em outubro de 1985, que expressões como "Kintaro-ame!" e "Monzen-nakacho!" eram escolhidas ao acaso.

Jaspion mata MacGaren em duelo no episódio 29, o de maior audiência da série, e a bruxa galáctica Kilza o ressuscita no episódio 30. Ele volta com armadura nova e morre de vez no penúltimo episódio. Uehara disse à Toei Hero Max que Haruta deu ao personagem algo de trágico, na ânsia de ser reconhecido pelo pai. Em 2017, a Toei trouxe MacGaren de volta como vilão do filme Uchu Keiji Gavan vs. Tokusou Sentai Dekaranger.

Kilza, Kilmaza e os Quadridemos

Kilza, Gilza no original, entoa encantamentos e usa feitiçaria contra Jaspion, até ser derrotada quando o herói explora seu medo da ilusão do bebê na luz, prevista na Bíblia Galáctica. Kilmaza, sua irmã mais velha, chamada de Rainha Espectro da Galáxia das Trevas, chega com os cinco Ninjas Espaciais e estuda a psicologia dos terráqueos para planejar a invasão. Depois da morte de MacGaren, assume o comando do exército. Uehara lamentou não ter dado a Kilmaza uma cena de derrota à altura: a personagem desaparece junto com o Grande Satan Goss no último episódio.

Os Quatro Reis Celestiais do Mal, que a dublagem brasileira batizou de Quadridemos, chegam no episódio 13. Iki usa um soco-foguete e se orgulha da própria força. Zampa foi comandante do Império das Máquinas, guarda rancor do pai de Jaspion e continua ativo mesmo reduzido a um esqueleto. Purima dispara raios de calor de uma bola de cristal, e Gyoru se transforma em qualquer coisa. Com a morte de Iki e Zampa, as duas espiãs viram guarda-costas de MacGaren.

Kilmaza, de capacete prateado e manto de plumas brancas, em cena na floresta
Yukie Kagawa como Kilmaza. A atriz tinha sido a Amazoness de Spider-Man e a Amazon Killer de Sun Vulcan · foto: Toei
Purima, de capacete redondo e túnica branca, estende a mão com a bola de cristal
Purima, interpretada por Misa Nirei, uma das duas espiãs dos Quadridemos · foto: Toei

Os Ninjas Espaciais de Kilmaza se apresentam pela cor da testa: Ka em vermelho, Sui em azul, Moku em verde, Do em branco e Fu em amarelo. Cada um se transforma numa arma ou criatura, do verme gigante à bala de magma. Ao longo da série passam ainda pelo exército de MacGaren a ilusionista Chikita, mestra de Purima, os irmãos Gasami, o samurai do fundo do mar Zamurai e o pistoleiro Tiger Joe, que a dublagem brasileira chamou de John Tiger.

Arquivo de entrevistas · Toei Hero Max, 2008

Entrevista com os showrunners de Jaspion

O produtor Susumu Yoshikawa, o roteirista Shozo Uehara e o diretor Takeshi Ogasawara responderam à revista Toei Hero Max, na edição de verão de 2008, sobre a encomenda da Bandai, o Estúdio 9 da Shochiku, o Tarzan da galáxia e o Pássaro Dourado. As entrevistas de Yoshikawa e Uehara estão na íntegra, e a de Ogasawara, no trecho dedicado à série. Escolha uma das conversas.

01
Susumu Yoshikawa
Produtor-chefe de Jaspion
Marcos da carreira
  • Departamento de TV da Toei, 1964
  • Jinzo Ningen Kikaider, 1972
  • Himitsu Sentai Goranger, 1975
  • Spider-Man, 1978
  • Uchu Keiji Gavan, 1982
  • Jaspion, 1985
  • Kamen Rider BLACK, 1987
"Yoshikawa, vamos fazer coisa de monstro"

Primeiro, gostaríamos de ouvir sobre a época em que surgiu a proposta de "Jaspion". Esta obra herdou a série "Uchu Keiji" e se tornou uma história que retrata a atuação de um herói em escala cósmica.

Isso mesmo. Naquela época, eu era chefe do departamento de TV da Toei e estava em uma posição que supervisionava todos os programas de personagens da Toei, incluindo não só o live-action, mas também a animação. Na época, era comum um produtor sozinho cuidar de quatro ou cinco obras ao mesmo tempo. Com isso, acontecia de, enquanto eu estava em reunião sobre uma obra, chegar a hora da reunião de outra obra em outro lugar, e eu deixar esperando grandes diretores e roteiristas ilustres. Acho que isso não mudou muito até hoje, mas, naquela época, era uma era em que os programas de personagens para TV ocupavam um peso considerável dentro da Toei. Enquanto a indústria cinematográfica japonesa como um todo estava em baixa, em certo sentido o que sustentava a espinha dorsal da gestão da Toei eram as obras de personagens. Por isso, fazíamos cada obra sem negligenciar nada, com muito cuidado, buscando um trabalho de alta qualidade.

Para falar de "Jaspion", preciso começar por "Uchu Keiji Gavan". Isso foi o novo desdobramento da série "Uchu Keiji". "Gavan" se tornou um sucesso há muito esperado entre as obras de personagens da Toei, continuou com "Sharivan" e "Shaider" e durou três anos. Mas, em termos de audiência, havia uma leve tendência de queda. A audiência média anual foi de 15% para "Gavan", 13% para "Sharivan" e 12,5% para "Shaider". Como já estava decidido que no quarto ano a série continuaria, pensamos no que fazer para elevar a audiência. Junto com Shozo Uehara, montamos uma proposta como extensão dos "Uchu Keiji". O que Uehara escreveu à mão e reuniu nessa fase bem inicial foi o memorando de proposta provisório chamado "Ginsei Oji Big Bang".

Existe uma proposta com esse título, mas ela é de conteúdo totalmente alinhado à "Parte 4" dos "Uchu Keiji", não é? Era a ideia de fazer a quarta obra dentro da visão de mundo dos "Uchu Keiji".

Já antes disso, não só com os "Uchu Keiji", a audiência dos programas de personagens para meninos, dos próprios programas de heróis tokusatsu, vinha em tendência de queda, e nós investigávamos várias coisas. Já naquela época, o afastamento das crianças da TV se tornava evidente. A febre do Famicom e a frequência a cursinhos eram as causas. E, ainda hoje, a queda da taxa de natalidade e a redução no número de nascimentos exercem grande influência. Se forem obras voltadas à família em geral, como "Sazae-san", é possível obter números razoavelmente estáveis, mas as obras de ação tokusatsu voltadas a um público específico de "crianças pequenas", e mais ainda com os meninos como alvo principal, travavam uma batalha difícil. Foi nessa situação que "Uchu Keiji" deu certo, e por isso queríamos ao menos valorizar esse mérito, elevando o nível. Esse era o ânimo com que nós trabalhávamos.

Como elemento que diferencia muito "Jaspion" de "Uchu Keiji", está o fato de o título tratar de "grandes feras", ou seja, monstros gigantes, como inimigo principal. De onde surgiu essa ideia?

Foi uma proposta de Yukimasa Sugiura, ex-presidente e presidente do conselho da Bandai, que na época era diretor-executivo. "Yoshikawa, vamos fazer coisa de monstro", ele disse. Segundo Sugiura, o protagonista de "Ultraman" é o herói, mas, no fim das contas, o "monstro" que aparece em cada episódio tem peso igual. Por isso, foi dito que seria bom experimentar colocar o peso nos "monstros (gigantes)" na nova série, e a proposta foi refeita. Na proposta concluída, a intenção de Sugiura foi refletida de forma marcante.

Falando de "coisa de monstro", existe a proposta de programa intitulada "Kaiju Tokuso Huntman", que se acredita ter sido feita por volta dessa época. Trata-se de uma proposta que tem alguma relação com "O Fantástico Jaspion"? Por exemplo, foi pensada como uma variação para se fazer um "programa de monstros"?

Não. No caso de "Huntman", foi algo que eu e Uehara já vínhamos pensando antes de surgir essa conversa, e era uma proposta totalmente separada. Na época, junto com pessoas como Susumu Takaku, preparávamos quatro, cinco propostas ao mesmo tempo no dia a dia. A ideia de "Huntman" se baseou no filme "Os Caça-Fantasmas", para criar uma obra de comédia de ação e aventura voltada ao público familiar.

Na proposta intitulada "Kaiju Tokuso Jaspion", já se pode ver claramente a distinção entre os animais espaciais gentis que o protagonista Jaspion criou e as "feras violentas" que se tornaram ferozes pelo poder demoníaco de Satan Goss, e a forma de Satan Goss é descrita como "imperador dos monstros", o que indica o esforço para deixar clara a "linha dos monstros".

Na concepção inicial de Sugiura, os monstros gigantes eram todos "monstros bons", e o herói os capturava vivos, corrigia o mau coração e o temperamento violento que tinham e os soltava para criação em um planeta como uma fazenda em algum lugar do espaço. Essa ideia também era interessante, mas, apesar de aparecer um robô gigante com armas poderosas, sendo "capturar vivo" o grande monstro, surgiriam problemas no lado do impacto, e, mesmo pensando no orçamento de filmagem das cenas da fazenda espacial criando os monstros soltos, dava arrepios (risos). Foi fazendo várias correções nesse tipo de proposta que montamos a produção.

Com a decisão de mostrar "tokusatsu gigante", que tipo de mudança houve, do ponto de vista de produção, em relação aos "Uchu Keiji" até então?

O orçamento de efeitos especiais ficou perto do dobro de uma obra normal. Mesmo quando fizemos "Gavan", gastou-se muito em produção, mas, naquela época, ainda estávamos em um estado em que não sabíamos nada sobre se "Gavan" iria acertar ou não, e, por isso, a empresa nos via como se fôssemos criminosos (risos). Mas, depois que isso virou sucesso, a técnica de efeitos especiais e o nível de composição da série passaram a ser reconhecidos claramente dentro e fora da empresa, e, no caso de "Jaspion", desde o início foi possível prever um orçamento condizente. A avaliação da obra também, ouvíamos dizer, teve popularidade na Holanda e na França.

De fato, nas cenas de enlouquecimento das grandes feras do episódio 1 ao episódio 4, vemos imagens de um impacto de outro sabor em relação aos "Uchu Keiji" e aos "Sentai" até então.

Nos episódios iniciais, Nobuo Yajima (diretor de efeitos especiais) tomou emprestado o Estúdio 9 da Shochiku, seu antigo lar, e filmou as cenas de efeitos especiais com grande escala. Esse Estúdio 9 era onde se montava o cenário da Taishakuten de "Otoko wa Tsurai yo", o maior estúdio da Shochiku.

Para fazer das "grandes feras" personagens atraentes, que tipo de engenhosidade foi tentada?

Antes de entrar em produção, reunimos os diretores dos episódios 1 e 2, Kobayashi (Yoshiaki) e Uehara, e, com todos os membros da equipe, assistimos à projeção de "A História Sem Fim" na sala de projeção da sede da Toei. Fomos muito influenciados por esse filme no modo de criar a expressão e na forma de representação das grandes feras. E, se me perguntar o que eu exigi em especial, foi a "expressão de emoções" das grandes feras. Achei que, se um boneco de pelúcia não chorasse ou risse, não haveria realismo. Pedi que filmassem com cuidado os detalhes que expressassem a gentileza da personalidade.

No início, a data de estreia do episódio 1 era duas semanas antes do que foi na prática, e, com o acréscimo de dois episódios ao fim de "Shaider", chegou-se à data real de estreia. Houve algum motivo para isso?

Foi por causa do cronograma de filmagem. A nova série "Jaspion" tinha grande expectativa em volta, e por isso, no início, havia a vontade de estreá-la o mais cedo possível. Mas não foi possível antecipar o início da exibição, e acredito que a solução foi acrescentar dois episódios a "Shaider" para garantir tudo.

Nos episódios 1 e 2 do diretor Kobayashi, e no episódio 3 do diretor Takeshi Ogasawara, o palco é um certo planeta do espaço. Como não era a Terra, a escolha das locações também deve ter sido difícil.

No episódio 1, Oshima; no episódio 2, Nasu Kogen; no episódio 3, filmamos em "Onioshidashi", em Gunma. Afinal, era preciso criar a imagem de um planeta em algum lugar do espaço, então era preciso ter cuidado com a locação. Mas, por um ano inteiro, fazer só esse tipo de locação, na prática, é muito duro. Por isso, a partir do episódio 4, o desenvolvimento passou a ser na Terra. Além da questão orçamentária, há mais um motivo. Se cada episódio fosse em um planeta diferente, como um drama avulso, só poderíamos fazer acontecimentos "únicos" em planetas estranhos. Para as crianças que assistem à TV, se não houvesse um ponto de contato com o cotidiano, não seria compreendido. O desenvolvimento em que o incidente acontece no mesmo lugar em que elas vivem é importante. Por falar nisso, Anri, a androide, usava linguagem masculina no início, né? Na minha opinião, achei que deveria falar com palavras de menina, e no meio do caminho mudamos. Não foi porque alguém reclamou de algum lugar. A personagem Anri foi trazida de volta para algo "cotidiano", e esse é o resultado da mudança.

Em sequência a "Shaider", o roteiro é do senhor Uehara, mas nesta série Haruya Yamazaki escreveu alguns episódios. Qual foi a circunstância da escalação de Yamazaki?

Isso tem a ver com o fato de a Toei ter produzido, na mesma época de "Jaspion", a versão live-action de "GeGeGe no Kitaro". Na verdade, depois de "Gekko Dorama Land" (Drama Land das Segundas), da Fuji TV, decidiu-se fazer uma série live-action para a TV na Fuji, e apostamos nisso. O mestre Shigeru Mizuki, o autor original, viu a versão live-action concluída e disse que estava bem-feita. Hoje é exatamente a era do live-action. O Kitaro de agora também foi "vamos de live-action", e, embora ele tenha dito isso, infelizmente não se concretizou pela oposição do lado da Fuji TV. Eu tinha pedido a Yamazaki para ser o roteirista principal de "Kitaro", mas, como o projeto naufragou, ele entrou em "Jaspion". Eu estava usando bastante energia nas negociações do lado de "Kitaro", e não consegui participar muito da produção de "Jaspion". A memória do meio do caminho é vaga, e provavelmente é por isso.

Então, depois que a produção de "Jaspion" entrou nos trilhos, o senhor delegou em certa medida a Itaru Orita e Jun Higasa (produtor assistente)?

Como disse no começo, quando uma só pessoa cuida de várias obras, surgem partes fisicamente impossíveis. No caso de "Jaspion", do meio até o fim, delegava bastante a Orita e Higasa. É claro que eu assistia direitinho aos copiões e aos all-rush (montagens brutas). Orita, a partir do episódio 5, montou a "equipe Orita", separada da equipe principal, e filmava toda vez a cena de confronto entre a grande fera e Daileon. Como não se conseguia um orçamento como o da equipe de efeitos especiais do diretor Yajima, ele controlava os custos ao máximo e, com engenhosidade para dar impacto, filmava com afinco batalhas gigantes cheias de poder. Infelizmente, Orita faleceu há dois anos. Se ele estivesse aqui, a conversa sobre "Jaspion" teria muito mais o que render.

Agora, se o robô não puder se mover, não é possível filmar a cena de ação. Explosões e similares também, assim como a composição, o pessoal do JAC resolvia muito bem na hora. Nesse ponto, o pessoal do JAC fazia um bom trabalho. Como disse há pouco, o Instituto de Pesquisa de Efeitos Especiais, liderado por Nobuo Yajima, criava com maestria as cenas de efeitos especiais. Yajima e eu tínhamos uma teoria própria: obras de personagens como "Jaspion" são diferentes dos "efeitos especiais" do cinema. Esses "efeitos especiais" são algo natural, e nós dizíamos que "não dá para perceber onde está o efeito especial", que essa é a criação de imagem que constitui o verdadeiro efeito especial. Os efeitos especiais que mostram "aqui está o efeito especial!" com ostentação, em princípio, não são de primeira. Nesta cena, como filmar, como mostrar... quem assiste provavelmente pensa nisso, mas não deve ser assim. Hoje o mundo japonês dos efeitos especiais tem nas costas gente como Hiroshi Butsuda, Toshio Miike na arte e Katsuro Onoue no CG, e eles herdam esse tipo de postura de Yajima e fazem seus trabalhos com maestria.

"Jaspion" não conseguiu atingir o objetivo inicial de "elevar a audiência" (a média anual foi de 11,8%), mas ainda assim conseguiu uma popularidade equivalente à de "Uchu Keiji". Olhando para trás, para a época de "Jaspion", gostaríamos de ouvir suas impressões.

É porque, naquela época, havia um grande número de atores do JAC (atual JAE) em plena atividade, como o protagonista Hikaru Kurosaki, Hiroshi Watari como Boomerman e Junichi Haruta como MacGaren. Isso porque Shinichi Chiba (ator, que na época presidia o JAC) promovia um após o outro jovens com energia. Nos programas de heróis daquela época, como os efeitos especiais não eram tão desenvolvidos quanto hoje, eram os atores que, em certa medida, davam conta do recado.

Susumu Yoshikawa, ex-produtor da Toei, natural de Tóquio. Entrou em 1964 no recém-criado departamento de TV da empresa e produziu dramas adultos como The Bodyguard (1974) antes de definir o rumo de Kikaider (1972). Cuidou de Goranger (1975), Spider-Man (1978), Battle Fever J (1979), Uchu Keiji Gavan (1982) e Kamen Rider BLACK (1987).

02
Shozo Uehara
Roteirista principal, 42 dos 46 episódios
Marcos da carreira
  • Ultra Q, 1966
  • Ultraseven, 1967
  • Robot Keiji, 1973
  • Himitsu Sentai Goranger, 1975
  • Uchu Keiji Gavan, 1982
  • Jaspion, 1985
  • Captain Harlock, 1978
"Eu posicionei Jaspion como o Tarzan da galáxia"

"O Fantástico Jaspion" foi uma obra de ação de ficção científica de grande escala que retratou a atuação de Jaspion, o herói que protege a paz e a justiça em escala cósmica. O senhor foi o roteirista principal depois da obra anterior, "Uchu Keiji Shaider" (1984), e se envolveu desde a fase de planejamento, junto com os produtores Susumu Yoshikawa e Itaru Orita.

Isso mesmo. Nesta série, eu vinha envolvido desde "Uchu Keiji Gavan" (1982). Antes disso, eu tinha escrito por três anos consecutivos os roteiros da série "Sentai", "Battle Fever J" (1979), "Denshi Sentai Denziman" (1980) e "Taiyo Sentai Sun Vulcan" (1981), e houve uma ocasião em que pedi para sair, achando que não conseguiria continuar mais. Foi nesse momento, em boa hora, que o produtor Yoshikawa me recomendou "Uchu Keiji Gavan" (1982). "Uchu Keiji" era um herói de escala cósmica, e, por isso, havia nele um sabor de obra de ficção científica séria, mas não dava para retratar apenas uma simples luta entre inimigos e aliados. Por isso, no caso de "Gavan", preparei um fio condutor que atravessava toda a série, com Retsu Ichijoji procurando o pai desaparecido, Voicer. "Gavan" fez sucesso, e ficou decidido que a série continuaria com "Sharivan" e "Shaider". Foi então que, para o passo seguinte, surgiu a conversa de "vamos tentar mudar a atmosfera". Há também algo de fisiológico da minha parte: quando uma série igual dura três anos, dá vontade de mudar um pouco o foco na seguinte.

Como novo elemento, diferente de "Uchu Keiji", a ideia de que o adversário contra quem Jaspion luta seriam monstros gigantes chamados de "grandes feras" (kyoju). Entre as obras de heróis da Toei, o padrão principal é o herói em tamanho humano lutar contra seres estranhos e monstros, e foi um desafio ao "gênero de monstros gigantes" em grande estilo. Como isso se definiu, no início?

No passado, eu estreei como roteirista na sala de planejamento literário da Tsuburaya Pro e me envolvi também em "Ultra Q" (1966) e no "Ultraman" (1966) seguinte. Por volta dessa época, assistindo a "Captain Ultra" (1967), produzido pela Toei, eu dizia "aqui (Tsuburaya) não perde, viu" (risos). Pensando agora, "Captain" não tinha nível baixo, mas levei bronca de Yajima (Nobuo, diretor de efeitos especiais). Em comparação com os heróis em tamanho humano, nos quais a Toei era boa, eu tinha a impressão de que, nos gigantes, ela cedia um passo à Tsuburaya Pro. Mas Yajima mais tarde participou de obras da Tsuburaya, como "Mirrorman" (1971) e "Ultraman Leo" (1974), e, sem que eu percebesse, fez dos monstros gigantes e dos heróis gigantes algo dele. Esse sentimento está dentro de mim. E então, na Toei também, a vontade de mostrar que "não é só no tamanho humano, nos monstros gigantes também a gente consegue, dá para fazer" estava por trás de "Jaspion". Eu mesmo, desde a época de "Himitsu Sentai Goranger" (1975), vinha trabalhando com foco em heróis em tamanho humano. Se era para mudar, aqui era a hora. "Vamos mudar, vamos tentar!", pensei. Não que, em termos dramatúrgicos, tivesse a intenção de "voltar à época da Tsuburaya". Mas achei que havia chegado a hora de mostrar que a Toei também conseguia fazer "coisa gigante". Realmente, os efeitos especiais de Yajima foram feitos de forma esplêndida. O episódio 1 foi impressionante. Duas grandes feras aparecendo ao mesmo tempo e enlouquecendo foi digno de rivalizar com a Tsuburaya, deu susto. Incluindo o acabamento das grandes feras em si, foi de nível muito alto.

Trata-se desse episódio 1, mas, no roteiro preparatório de estudo "O Filho Selvagem da Galáxia que Ruge", aparecia a família de animais espaciais que foram os pais adotivos de Jaspion, com cenas de intercâmbio entre humanos e grandes feras, e assim por diante. A intenção inicial parece aparecer de forma muito forte nesse roteiro preparatório de estudo.

Eu posicionei Jaspion como "o Tarzan da galáxia". Tarzan é um homem que protege a selva, e é gentil com todos os animais que vivem na floresta. Originalmente, as grandes feras também seriam companheiras de Jaspion. Os monstros também têm direitos humanos, têm direito à vida, é mais ou menos isso (risos). Tanto que, como personagem de herói, eu gosto mais dessa linha. Reli o roteiro preparatório de estudo e, de fato, gosto mais daquele desenvolvimento do que da obra final. A propósito, o nome do animal espacial "Anmar", que faz as vezes de mãe de Jaspion, significa "mãe" na língua de Okinawa. Mas, porque isso custaria um pouco mais caro, ou porque a escala da história era grande demais para rolar bem, por reduzir um pouco a escala, acabou indo para uma direção mais simples, a da luta entre Jaspion e as grandes feras malignas. Mesmo assim, essa postura não mudou, né? Hikaru Kurosaki fez questão de se jogar no papel, com o corpo, e captou bem esse aspecto. A ação, ponto por ponto, é mesmo muito boa.

O episódio 3 e outros são histórias calorosas e boas, mas, por outro lado, no desenvolvimento em que Jaspion sempre ajuda as grandes feras, parece que faltava a catarse do programa de herói.

Daí pensamos em uma ideia: Satan Goss torna as grandes feras ferozes. É um adversário contra o qual Jaspion teria dificuldade de lutar, mas, se ficou feroz, não há outro jeito. Construímos a história usando esse tipo de artifício, em duas ou três etapas.

Quando Jaspion chega à Terra, surge diante dele o poderoso rival MacGaren. MacGaren, como um herói metálico maligno de verdade, foi um dos fatores que deram emoção à luta de Jaspion.

Como os episódios 1 a 3, a "fase espacial", foram escritos exatamente na imagem do Tarzan da galáxia, foram enriquecedores, mas, do episódio 4 em diante, o palco passa à Terra. E então MacGaren aparece. O que acontece ali é que MacGaren começa a perseguir os terráqueos, não é? Do ponto de vista do espectador, se alguém que vive no mesmo mundo que ele está sofrendo, a identificação se torna bem mais fácil. Com isso, a tensão vai subindo com bastante facilidade (risos). Também por isso, o palco foi transferido para a Terra logo cedo.

Como vê, atravessando toda a série, as grandes feras de que o senhor gosta?

Gosto de Kidamar, do episódio 9, "A História de uma Certa Árvore Gigante". Como eu sofro de rinite alérgica há mais de 30 anos, fiquei com a cara dele na cabeça (risos). Há uma solidão triste no monstro da árvore gigante, tornado feroz e derrotado, e no fim Jaspion planta uma muda de cedro... essa cena funciona muito bem.

Desde o início, como fio vertical da história, foi preparado o desenvolvimento fantástico em que Jaspion procura o "Pássaro Dourado", mas qual é a origem desse motivo do "Pássaro Dourado"?

A origem do Pássaro Dourado, dentro de mim, é a "Fênix (ave imortal)". Ou seja, a ave que se consome no fogo dentro do sol e renasce. A Fênix vem voando do além do cosmos brilhando em ouro, essa é a imagem que sempre dançou dentro de mim, e era algo que eu admirava. Já desde a época de "Ultraman" eu queria dar forma a isso em imagem, mas não consegui, e esse é um motivo em comum com monstros que criei (como a ave monstruosa dourada Spado, entre outros). Tentei fazê-lo em "Ultraseven" (1967), em "Alienígena 15, Monstro 35" (coescrito com o diretor Akio Jissoji, mas na prática eu escrevi a maior parte). Nessa época, a ave monstruosa dourada Goad, que veio de Vênus, acabava em uma história em que ela salvava Ultraseven de um aperto, mas, infelizmente, não foi filmado. Isso ficou enterrado no fio vertical da história de "Jaspion".

Na segunda metade, descobre-se que os seres guiados pelo Pássaro Dourado são sete, incluindo Jaspion, e o desenvolvimento passa a ser a busca pelos "tocados pela luz". Pode-se dizer que esse é o tipo de história lendária de que o senhor gosta.

A ideia de procurar as crianças guiadas pelo Pássaro Dourado vem de "Nanso Satomi Hakkenden". Na segunda metade, cada um vem para a Terra carregando um fragmento da Bíblia Galáctica, e eles vão sendo procurados um a um. Fizemos um esforço para criar algo sob o ponto de vista das crianças. Para não ficar muito intelectual demais.

Revi as imagens e me surpreendi com a seriedade com que a equipe transformou o "Pássaro Dourado" em imagem. No roteiro eu escrevi "Pássaro Dourado", mas, "ah, fizeram voar de verdade com fidelidade ao roteiro", e isso me impressionou. Incluindo isso, "Jaspion" tem uma força de equipe de set impressionante, né? A equipe de direção também trabalhou com a sensação de não querer perder, e a "diversão" desse tipo é algo que ainda hoje dá para sentir na tela, o que é incrível.

O senhor se tornou consciente do "gênero de monstros gigantes", que é a origem de seu trabalho em "Ultraman"?

Não é bem isso. Satan Goss é uma forma de vida "negativa", nascida de um buraco negro, imortal, é o que se diz. Se é assim, derrotar um inimigo desses é muito difícil. Pensando nisso, o que consegue vencer um inimigo tão formidável? A Fênix Dourada, ou seja, só a ave imortal, foi o que pensei na época.

Porém, na segunda metade, as grandes feras vão se tornando monstros mecânicos e passam a ser tratadas como vanguarda do exército de MacGaren, como armas de combate gigantes, o que é um pouco lamentável.

Aos poucos, as grandes feras foram se tornando mecânicas. Bom, isso é mais fácil de derrotar. Se há muita parte de carne, fica forte demais, e derrotar dá pena, a gente começa a sentir isso. Quando a série vai rolando, a atmosfera específica aparece. Desta vez, vamos de ação, ou coisa assim. O know-how acumulado até então na ação em tamanho humano parecia ter mais embalo, e é mais fácil de aproveitar. Monstros gigantes são difíceis de movimentar, e as cenas ficam lentas, então não há jeito. Se fosse um herói como Ultraman, mesmo lutando corpo a corpo com o monstro seria natural, mas, no caso de Daileon, o robô gigante, como o adversário são as grandes feras, o movimento acaba ficando duro. Mesmo assim, Daileon se move de forma bastante fluida.

Os inimigos em tamanho humano, o exército de MacGaren, dão a sensação de uma tropa mista de alienígenas, e surgem muitos personagens malignos cheios de personalidade.

Junichi Haruta, como MacGaren, se esforçou para ser reconhecido pelo grande pai Satan Goss, e interpretou com maestria um papel que deixava transparecer algo trágico. Ele continua sendo um bom ator. Ainda hoje o vejo com frequência na TV, e, com a idade, parece ter ganhado mais profundidade do que naquela época. E depois, a atriz de quem gosto, Yukie Kagawa, no papel de Kilmaza, é ótima. Só é uma pena o fim de Kilmaza, que acaba envolvida na destruição de Grande Satan Goss e desaparece junto. Foi lamentável não termos criado direito uma cena em que ela fosse derrotada, para dar a ela um fim com glória, mostrado na tela.

Por fim, olhando para trás, para a época de "Jaspion", gostaríamos de ouvir suas impressões.

Yajima dos efeitos especiais, o cinegrafista Osamu Seo e todos os outros, os sobreviventes da turma do cinema, os cineastas da era "Showa", trabalharam com seriedade total. Esse calor é algo só daquela época, né? Os artesãos de cada setor se reuniram e trabalharam com seriedade. Esse sentimento, de que todos dariam o máximo de suas forças, se transmite pela tela.

Shozo Uehara, roteirista, natural de Okinawa e formado pela Universidade Chuo. Entrou na Tsuburaya Pro por indicação do conterrâneo Tetsuo Kinjo e estreou no episódio 21 de Ultra Q (1966). Escreveu Ultraman, Ultraseven e O Retorno de Ultraman, tornou-se freelancer em 1969 e chegou à Toei em Robot Keiji (1973). Foi roteirista principal de Ganbare!! Robocon, Goranger e Gavan, e trabalhou em animações como Getter Robo e Captain Harlock.

03
Takeshi Ogasawara
Diretor dos episódios 3, 4, 15 e do último
Marcos da carreira
  • Nascido em Tóquio, 1941
  • Assistente em Tetsudo Koan 36-go
  • Estreia em Soreyuke! Red Vickies, 1981
  • Uchu Keiji, 1982 a 1985
  • Seiun Kamen Machineman, 1984
  • Jaspion, 1985
  • Mais de 200 episódios em 15 anos
"Eu dirigi quase a metade"

Na verdade, nesta edição estamos fazendo a grande matéria especial. Ainda hoje, no Brasil, parece que é extremamente popular. Foi uma obra planejada visando abrir uma nova linha, depois de um certo fechamento da série "Uchu Keiji".

Agora, olhando a lista que me mostraram, fiquei surpreso: eu dirigi quase a metade (20 dos 46 episódios), né (risos). "Jaspion" no início era uma história em que ele viajava pelo espaço, e eu achava que era isso, mas, pensando em locação, isso é difícil. Em "Bouken Family: Koko wa Wakusei 0-banchi" (1977), fui assistente-chefe de direção, e deu uma confusão daquelas, então lembrei bem demais. Por isso é que, no episódio 4, que eu dirigi, virou logo um desenvolvimento em que ele vem para a Terra. Antes disso, em "Seiun Kamen Machineman" (1984), que eu tinha filmado no ano anterior, e na sequência, Satomi Tsukada fazia o papel de heroína. Em "Machineman" ela era uma personagem tipo a Lois Lane de "Superman", mas em "Jaspion" é uma androide que fala em língua masculina, o que achei engraçado. Mas aquilo também mudou para fala feminina no meio do caminho, né. Isso também foi duro, mas, para a atriz que interpretava, deve ter sido difícil de fazer, não?

Os episódios-chave foram quase todos filmados pelo senhor. O episódio 15, em que Isao Sasaki, no papel de Kenichiro Nanbara, aparece pela primeira vez, também.

Isao-chan e eu nos conhecemos desde "Tetsudo Koan 36-go" (1962 a 1967), em que eu era assistente de direção, então, uns 20 anos depois? Ele era chamado de "Presley japonês", e na época de "Jaspion" já era famoso também como cantor de anime, mas, como ator, ele tem uma mania, e eu gostava disso. Quando eu era assistente de direção, pensava "é bom". Além do Isao-chan, Keizo Kanie, Chosei Takahashi e outros... Na época ainda eram jovens, mas depois todos viraram bons atores.

Fazendo uma retrospectiva da série "Uchu Keiji", como o senhor a vê como desafio depois de encerrá-la?

A estrutura dos "Uchu Keiji" é simples, com uma organização criminosa espacial, e a história é derrotá-la. Com as "grandes feras", no fim das contas, era preciso derrotá-las para que os humanos não poluíssem a Terra, e havia o dilema de ser preciso justificar esse ato do lado do herói de algum jeito. Acho que isso Uehara (Shozo) e também os atores que interpretavam sentiam. No set, discutíamos com a equipe "está certo assim?", e às vezes saíam histórias de deixar a grande fera escapar sem derrotá-la, mas, por outro lado, era preciso mostrar como uma obra de entretenimento... Foi uma obra em que senti as dores do parto de criar uma linha nova.

Takeshi Ogasawara nasceu em Tóquio em 1941. Depois de anos como assistente de direção na Toei TV Production, estreou como diretor no episódio 46 de Soreyuke! Red Vickies, em 1981, e dirigiu mais de 200 episódios dos Metal Hero e do Super Sentai em cerca de 15 anos. A entrevista, feita por Mishio Suzuki e pela redação da Toei Hero Max, tratou também de Kamen Rider BLACK e de Spielvan.

Daileon e as grandes feras

Daileon é a nave-mãe de combate que Edin construiu para Jaspion, com 52 metros de comprimento, 21,3 metros de altura e 12 mil toneladas, movida por dois motores de dobra espacial na popa. Ao grito de "Gigante Guerreiro Daileon", na versão brasileira, a nave vira um robô de 60 metros. A transformação leva 5,8 segundos. O gigante dispara o Daileon Beam pelo peito, pelos olhos e pelas antenas, e seu golpe final é o Cosmic Crash, um soco desferido em disparada com a energia concentrada nos dois punhos. No fim da série, ele empunha a espada dourada e derrota o Grande Satan Goss com o Daileon Cosmic Halley.

A nave guarda ainda o tanque de exploração Garbin e a motocicleta Iron Wolf, e a partir do episódio 13 a abertura foi refeita para dar mais espaço aos mecas. O desenho do herói e dos veículos é de Katsushi Murakami, o designer da Bandai responsável pelos Uchu Keiji. Uehara reconheceu à Toei Hero Max que um robô gigante lutando contra feras tende a ficar duro em cena, e elogiou a fluidez conseguida pela equipe.

Em armadura, Jaspion tem 2 metros de altura e 95 quilos, salta 70 metros, rompe com um chute uma parede de 350 milímetros e despedaça com um soco uma rocha de uma tonelada. Suas armas são a Beam Scanner Gun e a Plasma Blazer Sword, e o golpe final, o Cosmic Halley, é desferido com a lâmina brilhando. O traje é feito do metal fictício Edinium e carrega nas costas uma mochila com energia e oxigênio.

Brinquedo DX Chogokin Daileon na forma de nave, visto de lado
O DX Chogokin Daileon da Bandai, de 1985, em forma de nave. Era o produto principal da linha · reprodução
Figura Soul of Chogokin GX-97 Daileon empunhando a espada dourada
O Soul of Chogokin GX-97, lançado pela Bandai Spirits, com a espada dourada do último episódio · reprodução: Tamashii Nations

A oficina das feras

As feras foram modeladas pela Rainbow Zokei Kikaku, e a equipe recebeu a proposta do programa antes de começar, coisa rara nas séries de heróis. Fuyuki Shinada e Takuya Yamabe, que depois fundariam a Vi-Shop, contaram à Toei Hero Max que a primeira peça feita foi a cabeça de Tetsugoss, ainda sem nome definido. Dentro dela havia um mecanismo para arreganhar os dentes, mexer a boca e piscar. Yoshikawa tinha exigido que as feras expressassem emoção, e antes das filmagens reuniu a equipe para assistir a A História Sem Fim na sala de projeção da Toei.

Cada fera ficava a cargo de um modelador com um assistente. Yamabe fez Tetsugoss, e Shinada, Haneder e Marigoss, que na história recolhe os membros e vira uma esfera, truque que o boneco também executa. A mão em tamanho real de Haneder, vista na abertura e no episódio 1, foi pensada para ser pendurada num helicóptero, e o pé do mesmo monstro voltou em vários episódios com pintura nova. A cabeça de Namagerasu, do tamanho de um cômodo de apartamento, foi construída em outro ateliê só com o esqueleto aproximado.

Bonecos de vinil de Tetsugoss e Marigoss lado a lado
Tetsugoss e Marigoss nos bonecos de vinil da Bandai. Só quatro feras viraram brinquedo · reprodução

Os desenhos das feras da primeira metade são em boa parte de Katsushi Murakami, e Ryu Noguchi, responsável pelos vilões humanos, criou Namagerasu, do episódio 3. Keita Amemiya, que anos depois dirigiria Garo, desenhou Headdreamer, do episódio 17, e Dongess, do episódio 25. Masahiko Watabe assinou Balloom, Jimushi e Badolgess, e Takuya Yamabe, Gaios, do episódio 4. A partir da segunda metade, as feras ficaram mais mecânicas e viraram armas de combate do exército de MacGaren, mudança que Uehara justificou pela pena que dá derrotar monstros de carne.

A música de Chumei Watanabe

Chumei Watanabe compôs a trilha depois de Shaider e, pela primeira vez na linha, quase não reaproveitou música de outras séries. A proposta sonora pedia tom-tons de monstro na escala de um programa de feras gigantes, efeitos e frases mecânicas de sintetizador, e todas as faixas levam bateria eletrônica. A faixa A-12, usada nas lutas de Daileon desde o episódio 1, foi apontada pelo próprio Watanabe, no encarte da coletânea, como o ponto alto da trilha. A seleção musical continuou com Koji Murata.

Ai Takano, ex-vocalista do grupo The Carnabeats e da banda Creation, cantou a abertura "Ore ga Seigi da! Jaspion" e o encerramento "Ginga Ookami Jaspion", com letra de Keisuke Yamakawa e arranjo de Daisuke Fujita, lançados pela Columbia no compacto CK-741. Takano também gravou as canções inseridas "Ryuusei no Senshi" e "Neppuu Yaro Jaspion", e morreu em 2006, aos 55 anos. Akira Kushida, voz dos temas dos Uchu Keiji, cantou quatro músicas, entre elas "Chouwakusei Sentou Bokan Daileon", a mais pedida nos eventos em que ele se apresenta no Brasil.

Capa do LP japonês de Jaspion pela Columbia, com o herói e Daileon
O LP da Columbia com a trilha de Watanabe. No Brasil, a abertura ficou em japonês · reprodução

A Manchete manteve as canções no original japonês, e a abertura virou uma das poucas músicas em japonês que uma geração inteira de brasileiros sabe cantar. A Toei Hero Max registra o fato com espanto: a maioria dos homens brasileiros de 20 a 30 anos, escreveu a revista em 2008, consegue cantar o tema de Jaspion. As imagens de abertura e encerramento mudaram no episódio 4, quando o Jaspion dançando numa discoteca deu lugar ao herói em armadura caminhando num fundo vermelho, e de novo no episódio 13.

Hikaru Kurosaki dança de camisa estampada em fundo escuro, cena do encerramento
Kurosaki no encerramento dos 12 primeiros episódios, em que Jaspion dançava numa discoteca · reprodução: Toei

A audiência no Japão

Jaspion estreou com 12,4% em 15 de março de 1985 e chegou a 13,5% no episódio 2, segundo a Video Research, na região de Kanto. Nos meses seguintes a série oscilou entre 10% e 12%, caiu a 9,9% no episódio 12 e subiu com a chegada dos Quadridemos e do fotógrafo Nanbara, com 13,9% no episódio 14 e 14,3% no episódio 21. O pico veio no episódio 29, a morte de MacGaren, com 15,3%. O episódio 32, do robô doméstico Chip, repetiu a marca.

A mudança de horário, em 6 de janeiro de 1986, cortou um quarto da audiência. A média das 34 semanas de sexta-feira ficou em 12,1%, e a dos 12 episódios de segunda-feira, em 10,7%. O pior número da série, 9,3%, saiu no episódio 39, e o último capítulo, em 24 de março de 1986, marcou 9,7%. A média geral de 11,8% ficou abaixo da meta de recuperar os números de Gavan, e Spielvan, a série seguinte, fechou o ano em 11,2%.

Yoshikawa atribuiu a dificuldade ao afastamento das crianças da televisão, que ele já notava em 1985 com o Famicom e os cursinhos, e à queda da natalidade. Para ele, uma série de ação voltada a meninos pequenos travava uma batalha difícil que programas familiares como Sazae-san não enfrentavam. Tsuyoshi Nonaka, ex-designer da Bandai, contou anos depois que boa parte dos brinquedos de Jaspion acabou nas bancas de liquidação quando a série terminou.

Audiência episódio a episódio (Kanto, Video Research)
12% 10% 14% segunda-feira, 19h 161116212631364146 ep. 29 · 15,3% ep. 39 · 9,3%

O Brasil

O Fantástico Jaspion estreou na Rede Manchete em 22 de fevereiro de 1988, no Clube da Criança, programa apresentado por Angélica, ao lado de Esquadrão Relâmpago Changeman. A série chegou pela distribuidora Everest Vídeo, depois de ter sido recusada por outras emissoras, e foi a primeira Metal Hero exibida no país. A Manchete a reprisou até meados dos anos 1990, e a série passou depois pela Record e pela CNT/Gazeta.

A dublagem foi feita na Álamo, em São Paulo, com direção de Líbero Miguel e Gilberto Baroli. Carlos Takeshi deu voz a Jaspion. Anri teve duas vozes: Denise Simonetto até o episódio 16 e Cecília Lemes a partir do 17. Borges de Barros fez Edin, Carlos Laranjeira fez Boomerman, Suzana Lakatos fez Miya e Armando Tiraboschi, o professor Nanbara. O próprio Líbero Miguel dublou Satan Goss, MacGaren ficou com Ricardo Medrado na maior parte da série e com Francisco Borges entre os episódios 5 e 16, Maximira Figueiredo fez Kilza e Neusa Maria Faro, Kilmaza. A narração foi de Francisco Borges, com Benjamim Filho nos 16 primeiros episódios.

Capa do DVD brasileiro de O Fantástico Jaspion com o herói em armadura diante de Daileon
A caixa de DVD lançada no Brasil em 2009, com a dublagem da Álamo · reprodução
Capa da edição especial brasileira em DVD, com o logotipo japonês
A edição especial brasileira, com o logotipo original japonês na capa · reprodução

Mad Gallant virou MacGaren na versão brasileira, Bumerangue virou Boomerman, Gilza e Gilmaza viraram Kilza e Kilmaza, os Quatro Reis Celestiais viraram os Quadridemos e a armadura Metal Tech virou Metaltex. A dublagem criou também expressões próprias, como o "Allan Moto Space" e o "Daileon Cosmic Laser", que anos depois complicariam a adaptação do mangá brasileiro, segundo a editora JBC. Os 46 episódios chegaram ao Brasil completos, e o vídeo especial japonês "Ore ga Seigi da!", com roteiro de Uehara e direção de Ogasawara, ficou inédito no país.

O Nikkei Shimbun, jornal da comunidade nipo-brasileira, anotou em maio de 2009 que Jaspion era mais popular no Brasil do que Ultraman. A caixa de DVD da série tinha saído por aqui em abril daquele ano, antes de qualquer lançamento do herói da Tsuburaya. A revista de futebol Footballista registrou em 2007 que, em campo, um jogador nipo-brasileiro que faz uma boa jogada ouve da torcida o grito de "Jaspion". A Toei Hero Max fechou seu comentário sobre a série com a popularidade brasileira, e o próprio Ogasawara, ao ser entrevistado, foi informado de que a série continuava muito popular no Brasil.

Depois da Manchete

A série voltou em 2019 ao catálogo do PlayPlus, da Record, com a dublagem original, e passou pelo Prime Video e pela Band. Em 2018 a Sato Company, que distribui a série desde 2015, anunciou um filme brasileiro de Jaspion, com previsão atualizada para 2027. A JBC lançou em 2020 o mangá O Regresso de Jaspion, com roteiro e arte brasileiros, ambientado anos depois da derrota de Satan Goss. Em 2022 circulou a notícia de uma redublagem feita cerca de dois anos antes, com Letícia Quinto como Anri, sem outros detalhes confirmados.

Hikaru Kurosaki deixou a carreira artística no início dos anos 1990. Trabalhou como vendedor de motocicletas e tentou abrir restaurantes em Tóquio antes de se mudar para Motobu, no norte de Okinawa, onde passou cerca de 30 anos como instrutor e guia de mergulho. Recusou a entrevista da Toei Hero Max em 2008 e não participou de eventos ligados à série. Morreu em 29 de junho de 2026, aos 64 anos. A causa não foi divulgada. Hiroshi Watari visitou o Brasil em 2003, no Anime Friends, e foi ovacionado ao aparecer vestido de Boomerman.

O último encontro

Oito anos de convites e um "vamos pensar"

Diego Ragonha, diretor da Maru Division, empresa que organiza o Anime Friends, contou no palco da edição de 2026 como passou oito anos tentando levar Hikaru Kurosaki ao Brasil. A última visita a Motobu foi em março de 2026, três meses antes da morte do ator.

A história começou no Anime Friends de 2017, quando Juliano Aniteli, presidente da Maru Division, disse a Ragonha que todas as formas de contato com Kurosaki já tinham sido tentadas sem resposta. Kurosaki tinha fama de dispensar visitantes, sobretudo brasileiros, e só atendia clientes da escola de mergulho. Ragonha foi a Okinawa, marcou uma aula de mergulho pela intérprete japonesa que o acompanhava e entrou na água sem nunca ter mergulhado, com medo de não terminar a atividade.

Só depois da aula ele disse que era brasileiro e que tinha viajado para falar do Anime Friends. Kurosaki gostou da ousadia e o convidou para almoçar. No almoço, Ragonha encontrou um homem divertido, que imitava comediantes japoneses, e no fim ouviu a resposta: "tchau, vai embora". Voltou ao Brasil com um não e voltou a Okinawa várias vezes nos anos seguintes, sempre recebido, sempre com a mesma recusa quando a conversa chegava ao convite. Numa dessas visitas, jantou na casa de Kurosaki.

Como o calor de julho em São Paulo era um dos argumentos contra a viagem, Ragonha passou a oferecer o Ressaca Friends, evento da mesma empresa em dezembro. Em março de 2026, encontrou Kurosaki abatido, segundo o próprio ator, por ter parado de fumar e de beber, e o ajudou a tirar os cilindros de mergulho do carro. O abraço na chegada já era diferente, e a resposta ao convite também: "Já tem oito anos que você vem. Vamos pensar". Ragonha ligou para a mulher ainda em Okinawa e disse: "Fiquei muito feliz porque ele falou que vai pensar".

O Anime Friends 2026 abriu em 2 de julho, no Distrito Anhembi, em São Paulo. Naquele dia, enquanto gravava um vídeo para a intérprete, Ragonha recebeu dela a mensagem de que Kurosaki tinha morrido. O evento transformou o painel de tokusatsu numa homenagem ao ator, e Ragonha contou a história dos oito anos pela primeira vez em público. Kurosaki nunca pisou num palco brasileiro, e a única resposta diferente de um não chegou três meses antes do fim.

Fonte: relato de Diego Ragonha no Anime Friends 2026, registrado pelo Tokusatsu Blog.

Brinquedos e revistas

A Bandai pediu um programa de monstros, mas lançou apenas quatro feras em vinil: Satan Goss, Marigoss, Haneder e Tetsugoss. Os produtos principais foram o DX Chogokin Daileon, a Beam Scanner Gun e o Denshi Jaspion, figura eletrônica na linha do Denshi Gavan. O Denshi MacGaren apareceu no catálogo e nunca foi lançado. A Toei Hero Max vê aí a dificuldade da época em transformar vilão em brinquedo. O DX Daileon saiu menor que os robôs das duas séries anteriores pelo mesmo preço, e a Bandai aumentou a embalagem no meio do ano.

Caixa do DX Chogokin Daileon de 1985, com o robô ilustrado na frente
A caixa do DX Chogokin Daileon, ampliada no meio da série para disfarçar o tamanho do brinquedo · reprodução
Bonecos de vinil de Satan Goss e Tetsugoss lado a lado
Satan Goss e Tetsugoss em vinil, dois dos quatro monstros que a Bandai produziu · reprodução

Nas revistas, a série foi serializada na TV Magazine, na Otomodachi, na Tanoshii Youchien e na Televi Land. A Tokuma Shoten aproveitou o estoque de fotos da Televi Land para lançar o livro de fotos Super Visual Special 6 e o Perfect Manual 3. A Keibunsha publicou a Jaspion Daihyakka, enciclopédia com reportagens de set e entrevistas de elenco e equipe. A Uchusen, da Asahi Sonorama, começou na mesma época a serializar Onna Uchu Keiji Annie no Daibouken, história de Uehara que continuava Shaider.

Capa do mook Super Visual Special 6 de Jaspion, com Kurosaki e Tsukada
O Super Visual Special 6, da Tokuma Shoten, montado com as fotos de bastidor da Televi Land · reprodução

A Toei lançou a série completa em DVD no Japão em quatro volumes. Os discos trazem o spot de anúncio de 15 segundos e o trailer de 30 segundos exibidos ao fim de Shaider, ausentes das fitas de vídeo. A Bandai Spirits incluiu depois Daileon na linha Soul of Chogokin, como GX-97, com a transformação completa de nave em robô e a espada dourada do último episódio.

Guia dos 46 episódios

A lista abaixo traz cada episódio com data de exibição na TV Asahi, roteirista, diretor, fera e audiência medida pela Video Research em Kanto. Os números em vermelho marcam os episódios acima de 14%, e os em cinza, os abaixo de 10%. As notas vêm do guia da Toei Hero Max e das entrevistas de Yoshikawa, Uehara e Ogasawara.

  1. 01
    O Planeta dos Monstros Gigantes
    15/3/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Yoshiaki KobayashiFera: Marigoss, Haneder

    Jaspion deixa o planeta de Edin e encontra Miya no planeta Beezee. As cenas de efeitos dos episódios 1 a 4 foram filmadas no Estúdio 9 da Shochiku, em Ofuna, com locação na ilha de Oshima.

    12,4%
  2. 02
    Sakura, a Triste Estrela Supereletrônica
    22/3/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Yoshiaki KobayashiFera: Tetsugoss

    A inteligência supereletrônica Sakura e a fera de ferro Tetsugoss. Na ideia original, um parasita espacial vivia dentro de Tetsugoss e lhe dava fome de ferro, detalhe que ficou num único corte. Akira Shioji, ator habitual do diretor Kobayashi, faz o último sobrevivente do planeta Peace. Locação em Nasu, com neve.

    13,5%
  3. 03
    Proteja! O Sonho do Garoto da Galáxia
    29/3/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Takeshi OgasawaraFera: Namagerasu

    No planeta Dodo, Jaspion contraria Anri e busca o fruto da vida para salvar Namagerasu, a fera que criou o menino Koko. A cabeça da fera, em tamanho real, era do tamanho de um cômodo. Locação em Onioshidashi, Gunma.

    13,0%
  4. 04
    Rumo ao Terceiro Planeta
    19/4/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Takeshi OgasawaraFera: Gaios

    Jaspion chega ao terceiro planeta do sistema solar. Satan Goss já está lá, e MacGaren aparece pela primeira vez. Na última cena de efeitos, o produtor Itaru Orita assume a direção da unidade de batalhas gigantes.

    11,0%
  5. 05
    Olha! Aquela é a Estrela do Papai
    26/4/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Michio KonishiFera: Giga

    MacGaren, de terno, convence a menina Satomi de que a fera Giga é a reencarnação do pai morto num acidente. Primeiro episódio da equipe Orita.

    10,5%
  6. 06
    As Feras-Filhotes e as Crianças
    3/5/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Michio KonishiFera: Gelgon

    Boomerman aparece, lutando sozinho contra o exército de MacGaren. Hiroshi Watari contou que nem sabia se o personagem era terráqueo ou alienígena.

    10,5%
  7. 07
    O Grande Contra-Ataque da Fera Iwagorilla
    17/5/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Takeshi OgasawaraFera: Iwagorilla

    Na luta entre Onidevilar e Daileon, a miniatura reproduz os arranha-céus de Shinjuku, antes da construção do atual prédio da prefeitura de Tóquio.

    10,2%
  8. 08
    Sorriso que Brilha na Pradaria. Rod e Satie Correm
    24/5/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Takeshi OgasawaraFera: Onidevilar

    Rod e Satie, as crianças do episódio, voltam nos episódios 9, 15 e 29. Boomerman passa a aceitar Jaspion como aliado.

    10,0%
  9. 09
    A História de uma Certa Árvore Gigante
    31/5/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Osamu TsujiFera: Kidamar

    A entrada da caverna era a boca da fera Iwagorilla, truque que a série repetiria. Kidamar, a árvore gigante, é a fera favorita de Uehara, que planta uma muda de cedro na cena final.

    11,2%
  10. 10
    O Peixe Monstruoso Ancestral que Trouxe uma Espiã
    7/6/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Osamu TsujiFera: Pirazar, Amazoness

    Primeiro episódio dirigido por Osamu Tsuji.

    10,0%
  11. 11
    A Grande Marcha do Sapo Gigante de Guetsukuba
    14/6/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Takeshi OgasawaraFera: Gamagoras
    12,6%
  12. 12
    Satan Goss Teme a Grande Profecia Misteriosa
    21/6/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Takeshi Ogasawara

    Único episódio sem fera. A menor audiência da primeira metade, 9,9%.

    9,9%
  13. 13
    O Ajudante do Espaço. Os Quatro Reis Celestiais do Mal Enlouquecem
    28/6/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Michio KonishiFera: Kabegonta

    Chegam os Quadridemos, Iki, Zampa, Purima e Gyoru. Jaspion executa pela primeira vez a pose completa ao vestir a armadura, até então reduzida a levar as mãos às orelhas.

    11,8%
  14. 14
    Corte o Arquipélago Japonês! Operação Ataque ao Lago Hamana
    5/7/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Michio KonishiFera: Umiking

    Shozo Iizuka, a voz de Satan Goss, aparece de rosto descoberto como o diretor Akiyama, amigo do fotógrafo Nanbara. Locação no lago Hamana.

    13,9%
  15. 15
    Sonho? Ilusão? O Pássaro Dourado que Bate Asas
    12/7/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Takeshi OgasawaraFera: Portsanki

    Isao Sasaki estreia como Kenichiro Nanbara, o fotógrafo que registrou o Pássaro Dourado. Primeira aparição da ave.

    11,7%
  16. 16
    O Futuro da Humanidade? O Terrível Império das Grandes Feras
    19/7/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Takeshi OgasawaraFera: Alienígena Daiman
    10,4%
  17. 17
    O Tarzan da Galáxia que Corre pelo Mar de Amor e Lágrimas
    26/7/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Michio KonishiFera: Headdreamer

    A fera Headdreamer foi desenhada por Keita Amemiya, futuro diretor de Garo.

    11,7%
  18. 18
    O Homem-Máquina de Combate de Olhos Vermelhos que se Levanta mesmo Destruído
    2/8/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Michio Konishi

    Terry O Brien e Yutaka Nakajima interpretam Gary e Anna, os pais de Jaspion, que vieram à Terra no passado atrás do Pássaro Dourado. O comediante Genpei Hayashiya faz um motorista de caminhão.

    11,3%
  19. 19
    SOS do Mar dos Golfinhos onde Ri o Amaldiçoado Homem do Fundo do Mar!
    23/8/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Takeshi OgasawaraFera: Umiblar, Zamurai
    11,0%
  20. 20
    Filha! Filho! Aposte na Última Chance
    30/8/85Roteiro: Haruya YamazakiDireção: Takeshi OgasawaraFera: Hakaburn, Girarist

    Primeiro dos quatro roteiros de Haruya Yamazaki.

    13,4%
  21. 21
    A Coragem de 160 km/h que o Garoto de Beisebol Arremessa
    6/9/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Michio KonishiFera: Magneder

    Maior audiência da primeira metade, 14,3%.

    14,3%
  22. 22
    A Grande Feiticeira Chikita, a Mulher Monstruosa que Transforma Meninas em Demônios
    13/9/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Michio KonishiFera: Kumoda, Chikita

    Chikita, a ilusionista mestra de Purima, faz a menina Kumiko ter dois corações, o de anjo e o de demônio. Satan Goss fala pela primeira vez, com a voz de Shozo Iizuka.

    13,0%
  23. 23
    O Show de Grandes Feras do Século Manipulado pela Mão do Demônio
    20/9/85Roteiro: Haruya YamazakiDireção: Osamu TsujiFera: Shishiorn

    O ex-domador Yada criava em segredo a fera Shishiorn e a ensinava a fazer truques, até MacGaren montar um show de TV. Hirohisa Sonoda, o professor Morimoto de Mahogumi, faz Yada.

    12,1%
  24. 24
    Preparem-se! Um Salário de Cem Milhões de Ienes
    11/10/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Osamu TsujiFera: Moke

    Dinheiro como isca: um banco on-line e cobranças violentas de dívidas, cenas raras numa série de heróis. Roteiro de Yamazaki.

    13,9%
  25. 25
    Socorro! Tóquio Desaparece! Deathmatch de Bolinhas do Mal e Bolinhas do Bem
    18/10/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Takeshi OgasawaraFera: Dongess, irmãos Gasami

    Dongess, desenhada por Keita Amemiya. Koko, o menino do episódio 3, volta.

    12,1%
  26. 26
    A Terra Troveja! O Grande Contra-Ataque de Daileon Enfurecida
    25/10/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Takeshi OgasawaraFera: Bogar, Gasami irmão mais velho
    12,7%
  27. 27
    Cante, Dance e Corra pela Estrada da Juventude!
    1/11/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Michio KonishiFera: Sodomon, guerreiro-fera de três faces
    11,9%
  28. 28
    O Golpe Mortal da Fera do Cérebro Eletrônico
    8/11/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Michio KonishiFera: Aigar, Aigarman
    13,5%
  29. 29
    MacGaren Morre! Mas Kilza...
    15/11/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Takeshi OgasawaraFera: Gasler

    Jaspion mata MacGaren em duelo. Maior audiência da série, 15,3%, marca repetida no episódio 32.

    15,3%
  30. 30
    Balão Vermelho, Balão Azul. Pânico dos Balões
    22/11/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Takeshi OgasawaraFera: Balloom

    A bruxa galáctica Kilza ressuscita MacGaren, que volta com armadura nova.

    13,3%
  31. 31
    Mamãe, Socorro! A Transmissão ao Vivo do Terror
    29/11/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Michio KonishiFera: Deathchilas
    13,8%
  32. 32
    O Bico Noturno do Robô Doméstico
    6/12/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Michio KonishiFera: Chip

    O robô doméstico Chip. Empata com o episódio 29 como o de maior audiência, 15,3%.

    15,3%
  33. 33
    A Grande Batalha Mágica em que até os Valentões Dançam
    20/12/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Takeshi Ogasawara
    10,2%
  34. 34
    O Amor de Pai e Filho que Derruba a Fortaleza de Ferro
    27/12/85Roteiro: Shozo UeharaDireção: Takeshi OgasawaraFera: Mazin
    10,8%
  35. 35
    A Bíblia Encontrada. Agora, a Verdade Terrível...
    6/1/86Roteiro: Shozo UeharaDireção: Takeshi OgasawaraFera: Fordon

    Primeiro episódio no novo horário, segunda-feira às 19h. A Bíblia encontrada revela que o herói da profecia é o tocado pela luz.

    10,6%
  36. 36
    O Brilho da Nova Vida que Chama o Milagre
    13/1/86Roteiro: Shozo UeharaDireção: Osamu Tsuji

    Mika Kawada, a Rumi, seria a Diana criança em Spielvan. Nos episódios 36 e 37, MacGaren espalha a notícia falsa de uma chuva de meteoros de diamante e transforma as pessoas em escravas da escavação, enredo típico da crítica social de Uehara.

    11,3%
  37. 37
    O Menu Completo do Terror. Que Tal uma Cozinha Infernal?
    20/1/86Roteiro: Shozo UeharaDireção: Osamu TsujiFera: Jimushi
    10,8%
  38. 38
    Minha Irmã Está Estranha! O Mistério da Operação Wappen
    27/1/86Roteiro: Haruya YamazakiDireção: Michio KonishiFera: Ebizol, Bluggle

    Roteiro de Yamazaki.

    11,0%
  39. 39
    O Beijo de Miyo-chan Tem a Força de Um Milhão de Cavalos
    3/2/86Roteiro: Shozo UeharaDireção: Michio KonishiFera: Aqua Rocky

    Menor audiência da série, 9,3%.

    9,3%
  40. 40
    Operação Homem Rico. O Mistério da Chuva de Meteoros de Diamante
    10/2/86Roteiro: Shozo UeharaDireção: Shohei Tojo
    9,9%
  41. 41
    A Hora do Duelo. A Justiça do Pistoleiro Mortal que Você Chama
    17/2/86Roteiro: Shozo UeharaDireção: Shohei TojoFera: Diagoras

    Jaspion reencontra Joe, o pistoleiro, no planeta R402. Duelo entre os dois e luta corpo a corpo entre a fera Destran e Daileon.

    9,7%
  42. 42
    Os Amigos que Vieram das Estrelas. A História de Pippi e Hiroshi
    24/2/86Roteiro: Haruya YamazakiDireção: Takeshi OgasawaraFera: Destran, Tiger Joe

    A família de alienígenas de Brain, Pub, Mam e Pippi, de cérebros supergeniais. Último roteiro de Yamazaki.

    11,5%
  43. 43
    Satan Goss no País das Maravilhas que Alice Viu
    3/3/86Roteiro: Shozo UeharaDireção: Takeshi Ogasawara
    10,8%
  44. 44
    Você Sobreviverá?! O Mundo Mágico Ancestral que Surgiu
    10/3/86Roteiro: Shozo UeharaDireção: Shohei Tojo

    Chikita volta e enfeitiça Kanoko. A família Nanbara se reencontra e vai ao lugar onde o pai fotografou o Pássaro Dourado.

    12,5%
  45. 45
    Eu Sou o Filho de Satan Goss
    17/3/86Roteiro: Shozo UeharaDireção: Shohei TojoFera: Badolgess

    Os Quadridemos descobrem que são filhos de Satan Goss. O bebê na luz surge da terra.

    11,4%
  46. 46
    Humanos de Toda a Galáxia, Deem-se as Mãos
    24/3/86Roteiro: Shozo UeharaDireção: Takeshi Ogasawara

    Edin enfrenta o Grande Satan Goss e morre. Daileon destrói o vilão com a espada dourada e o Cosmic Halley. Jaspion batiza o bebê de Tarzan da Galáxia e parte com Anri, Miya e a criança para o planeta de Edin.

    9,7%

Audiência medida pela Video Research na região de Kanto. Episódios 1 a 34 às sextas-feiras, 19h30; 35 a 46 às segundas-feiras, 19h, na TV Asahi. Títulos em tradução livre do original japonês.

O que ficou da aventura

A Toei Hero Max avaliou em 2008 que Jaspion não conseguiu ressuscitar o gênero dos monstros gigantes, parado desde Ultraman 80, de 1980. O interesse da série migrou para o duelo entre Jaspion e MacGaren e para o mistério do Pássaro Dourado, e as feras ficaram à margem da trama na maior parte dos episódios. Yoshikawa reconheceu que a meta de elevar a audiência não foi atingida, e a Toei voltou em Spielvan à fórmula dos Uchu Keiji, com pose de apresentação e sem monstros gigantes.

O que a série deixou foi a combinação, rara na Toei, de efeitos de monstro gigante, batalha de robô e ação em tamanho humano no mesmo episódio. O elenco reunia três dos atores mais populares do JAC. Uehara resumiu o clima da equipe ao falar dos técnicos vindos do cinema, como Yajima e o cinegrafista Osamu Seo: "Esse sentimento, de que todos dariam o máximo de suas forças, se transmite pela tela". A exibição no Brasil, três anos depois, deu a esse trabalho a audiência que o Japão não deu.

Fontes: Toei Hero Max (edição de verão de 2008, com as entrevistas de Susumu Yoshikawa, Shozo Uehara e Takeshi Ogasawara), Tokusatsu Shichoritsu Hokan (audiência da Video Research), JBox, Dublagem Brasileira, Omelete e TecMundo.

Compartilhar: