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Marcos Andres toca sax alto diante do microfone durante o concerto no Bunkyo
KYOUDAI EXPRESS / REPORTAGEM · CONCERTO
Banda Filarmônica de São Paulo Concertos Bunkyo 2026
サンパウロ・フィルハーモニック・バンド · 文協大講堂

Jaspion, Ultraseven e Machine Man ganham versões sinfônicas em concerto especial em São Paulo

A Banda Filarmônica de São Paulo apresentou clássicos dos tokusatsu e dos animes japoneses no Grande Auditório do Bunkyo, sob a regência do maestro Marcos Sadao Shirakawa. O Kyoudai Express acompanhou a apresentação, que reuniu composições de Chumei Watanabe, Tohru Fuyuki, Yuji Ohno e outros nomes históricos da música japonesa.

SÃO PAULO · GRANDE AUDITÓRIO DO BUNKYO·18 DE OUTUBRO DE 2026·REGÊNCIA: MARCOS SADAO SHIRAKAWA·SÉRIE CONCERTOS BUNKYO 2026

As trilhas sonoras que acompanharam as aventuras de alguns dos mais conhecidos heróis japoneses ganharam uma nova dimensão na manhã deste domingo (18), em São Paulo. A Banda Filarmônica de São Paulo realizou um concerto especial no Grande Auditório do Bunkyo, no bairro da Liberdade, reunindo temas de séries clássicas de tokusatsu, animações japonesas e composições brasileiras.

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Sob a regência do maestro Marcos Sadao Shirakawa, o espetáculo integrou a programação da série Concertos Bunkyo 2026 e apresentou um repertório que percorreu diferentes momentos da música japonesa, com destaque para as produções que marcaram as décadas de 1960, 1970 e 1980.

Entre as atrações mais aguardadas pelos admiradores dos tokusatsu estavam as interpretações de Ultraseven (1967), Seiun Kamen Machineman (1984) e O Fantástico Jaspion (1985), incluindo o inesquecível tema do gigante guerreiro Daileon.

O solista Marcos Andres canta ao microfone diante da Banda Filarmônica de São Paulo, com o maestro de costas à direita
O solista Marcos Andres, a Banda Filarmônica de São Paulo e, de costas, o maestro Marcos Sadao Shirakawa · foto: Kyoudai Express

A apresentação demonstrou como composições originalmente criadas para a televisão podem adquirir novas possibilidades quando interpretadas por uma formação sinfônica, preservando melodias reconhecidas por diferentes gerações de fãs.

Jaspion e Daileon: a música de Chumei Watanabe

Um dos momentos de maior interesse para os fãs brasileiros de tokusatsu foi o medley dedicado a O Fantástico Jaspion, produção da Toei lançada originalmente no Japão em 1985 e que conquistou enorme popularidade no Brasil a partir do final da década de 1980.

O repertório reuniu o tema de abertura da série e a música associada ao gigante guerreiro Daileon, duas das composições mais reconhecidas de Chumei Watanabe, também creditado em algumas publicações como Michiaki Watanabe.

A interpretação contou com acompanhamento vocal e arranjo para banda sinfônica, com Marcos Andres creditado no programa como responsável pelo arranjo e pela participação como solista.

Marcos Andres canta ao microfone, com um tablet de partitura ao lado
Marcos Andres, creditado no programa como arranjador e solista dos temas de Jaspion e Machine Man · foto: Kyoudai Express

As composições de Watanabe sempre foram fundamentais para a identidade de Jaspion. Seus temas combinam melodias heroicas, ritmos marcantes e uma instrumentação que ajudou a estabelecer a sonoridade característica de diversas produções japonesas de ação e ficção científica.

No concerto, a adaptação dessas músicas para um conjunto de sopros e percussão ofereceu outra perspectiva sobre o trabalho do compositor, especialmente nas passagens de maior intensidade dramática.

Falecido em junho de 2022, aos 96 anos, Chumei Watanabe deixou uma extensa contribuição para os universos do tokusatsu e dos animes, com trabalhos em produções como Kikaider, Mazinger Z, Gorenger, Uchuu Keiji Gavan e Jaspion.

Sua importância para a música japonesa já foi explorada pelo próprio Kyoudai Express em uma entrevista de 2013, traduzida e publicada em nosso acervo.

Machine Man: a contribuição de Yuji Ohno

Outra série lembrada durante o espetáculo foi Seiun Kamen Machineman, produção da Toei exibida originalmente em 1984.

Embora seja frequentemente associado à mesma geração de produções que popularizaram os heróis japoneses no Brasil, Machine Man possui uma identidade musical própria, marcada pelo trabalho do compositor Yuji Ohno.

Conhecido internacionalmente por suas composições para a franquia Lupin III, Ohno também foi responsável pela música de Machine Man, incorporando ao universo dos super-heróis japoneses elementos de sua linguagem musical.

A apresentação contou com arranjo de Marcos Andres, também responsável pela participação como solista, conforme os créditos do programa.

Ao lado das composições de Jaspion, a presença de Machine Man no repertório destacou a diversidade musical dos tokusatsu produzidos durante os anos 1980, período em que diferentes compositores contribuíram para definir a identidade sonora dessas séries.

Ultraseven e a música de Tohru Fuyuki

A franquia Ultra também esteve representada por Ultraseven, série produzida pela Tsuburaya Productions e exibida originalmente em 1967.

A música de Tohru Fuyuki, um dos principais compositores associados às produções da Tsuburaya, ganhou uma interpretação especialmente preparada para banda sinfônica, com arranjo assinado por Wagner Nery.

Lançada um ano após o início da franquia com Ultra Q, em 1966, Ultraseven consolidou uma abordagem própria da ficção científica japonesa, apresentando histórias sobre invasões alienígenas, conflitos humanos e dilemas morais.

A trilha sonora de Fuyuki teve papel importante nessa identidade, alternando passagens de caráter militar, temas dramáticos e composições que reforçavam o aspecto grandioso das aventuras do herói.

Sua execução no concerto representou uma oportunidade de apreciar essa tradição musical fora do contexto televisivo, evidenciando a qualidade das composições desenvolvidas para as produções japonesas de efeitos especiais.

Studio Ghibli e Gundam também fizeram parte do repertório

Além das séries de tokusatsu, o concerto apresentou uma seleção de composições de Joe Hisaishi, um dos nomes mais importantes da música para animação japonesa e colaborador de longa data do diretor Hayao Miyazaki.

O medley, com arranjo de Kazuhiro Morita, reuniu temas de três produções emblemáticas: Meu Amigo Totoro, O Castelo no Céu e Nausicaä do Vale do Vento.

As melodias de Hisaishi ofereceram um contraste interessante com as composições de ação e aventura presentes no restante do programa, destacando o lado mais lírico e contemplativo da música japonesa.

Outra homenagem importante foi dedicada a Mobile Suit Gundam, série lançada em 1979 e considerada um marco na história dos animes de robôs gigantes.

O medley Fly! Gundam, com músicas de Takeo Watanabe e arranjo de Tomohiro Tatebe, reuniu seis composições associadas à produção original: Nagai Nemuri, Gundam Daichi ni Tatsu, Tobe! Gundam, Tatakai e no Kyoufu, Sassoutaru Char e Eien ni Amuro.

A seleção permitiu revisitar diferentes aspectos da identidade musical de Gundam, desde os temas mais heroicos até as composições que acompanham os conflitos e personagens da série.

O programa japonês também incluiu March Blue Spring, de Masafumi Suzuki.

Um encontro entre a música japonesa e a brasileira

O concerto não ficou restrito às trilhas sonoras de produções japonesas. A proposta do espetáculo também contemplou composições brasileiras, estabelecendo um diálogo entre diferentes tradições musicais.

Duas obras representaram essa vertente: Brado Amazônico, de Gilson Silva, e Marahu, de Gessé Sousa.

Segundo a apresentação oficial do evento, essas composições foram selecionadas para abordar elementos culturais e indígenas da região amazônica, além de promover uma reflexão sobre a importância da preservação ambiental.

A combinação de obras brasileiras com músicas de animes e tokusatsu reforçou a proposta da série Concertos Bunkyo de aproximar diferentes expressões culturais por meio da música.

A Banda Filarmônica de São Paulo

Fundada em 2019, a Banda Filarmônica de São Paulo é uma instituição dedicada à interpretação e à valorização da música sinfônica para instrumentos de sopro e percussão.

Com um corpo estável de aproximadamente 60 músicos, a instituição desenvolve um repertório que contempla tanto composições tradicionais quanto obras contemporâneas e adaptações de músicas populares.

A direção musical está a cargo do maestro Marcos Sadao Shirakawa, profissional com extensa trajetória na regência de conjuntos sinfônicos brasileiros.

Shirakawa já esteve à frente de instituições como a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, a Banda Sinfônica de Cubatão e a Banda Sinfônica do Exército, além de ter colaborado com diversas orquestras e projetos de formação musical.

O maestro Marcos Sadao Shirakawa rege a Banda Filarmônica de São Paulo no palco do Grande Auditório do Bunkyo
Marcos Sadao Shirakawa rege a banda no Grande Auditório do Bunkyo · foto: Kyoudai Express

A apresentação deste domingo integrou a temporada Concertos Bunkyo 2026, realizada no Grande Auditório da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social, na Rua São Joaquim, 381, no bairro da Liberdade.

O legado musical dos tokusatsu no Brasil

A presença de Jaspion, Machine Man e Ultraseven em um programa de concerto evidencia a permanência das trilhas sonoras japonesas na memória cultural dos brasileiros.

Embora essas composições tenham sido originalmente desenvolvidas para acompanhar aventuras televisivas, muitas delas ultrapassaram os limites de suas respectivas produções e continuam sendo reconhecidas décadas depois.

No caso de Jaspion, esse vínculo é particularmente significativo. A série se tornou um fenômeno na televisão brasileira, e suas músicas ajudaram a estabelecer uma relação afetiva que permanece viva entre os espectadores que acompanharam sua exibição original.

A interpretação sinfônica dessas composições também permite reconhecer o trabalho de músicos que, muitas vezes, permanecem menos conhecidos do que os próprios personagens aos quais suas obras estão associadas.

Chumei Watanabe, Tohru Fuyuki e Yuji Ohno representam diferentes vertentes da composição musical japonesa, mas compartilham a capacidade de criar temas que se tornaram inseparáveis das imagens e dos personagens para os quais foram concebidos.

Mais do que uma apresentação dedicada à nostalgia, o concerto da Banda Filarmônica de São Paulo demonstrou que a música dos tokusatsu possui valor artístico próprio e pode encontrar novos públicos e interpretações fora da televisão.

Para o Kyoudai Express, acompanhar essas composições executadas ao vivo, em uma sala de concerto, representou uma oportunidade especial de revisitar uma parte importante da história dos heróis japoneses no Brasil.

O legado dos tokusatsu vive também nas melodias que continuam a acompanhar seus heróis, décadas após a estreia.

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Serviço: Concerto da Banda Filarmônica de São Paulo, 18 de outubro de 2026, Grande Auditório do Bunkyo (Rua São Joaquim, 381, Liberdade, São Paulo), regência de Marcos Sadao Shirakawa, série Concertos Bunkyo 2026. Fonte dos créditos do programa: Bunkyo, programação oficial do concerto.