Review · Metal Hero

“Gavan é o terceiro pilar da Toei”: Shirakura explica a importância do Metal Hero e a estratégia por trás dos heróis

“Gavan é o terceiro pilar da Toei”: Shirakura explica a importância do Metal Hero e a estratégia por trás dos heróis

O programa japonês Koichi & Shige no SHOW-man!!, exibido ontem (10) pela TV Asahi, apresentou a segunda parte de seu especial dedicado aos heróis da Toei. Novamente, o programa contou com a participação de Shinichiro Shirakura e Hirofumi Fukuzawa para revelar como franquias como Kamen Rider, Super Sentai e Metal Hero conseguiram acompanhar as mudanças da sociedade e permanecer relevantes por décadas.

Depois de abordar a história de Kamen Rider e a transformação das cenas de ação no primeiro episódio, a conclusão do especial se concentrou nas estratégias utilizadas pela Toei para ampliar o público, refletir cada época, alcançar outros países e transformar seus heróis em marcas capazes de atravessar gerações.

A escolha de jovens atores

Uma das estratégias destacadas pelo programa foi a escalação de atores ainda pouco conhecidos para protagonizar Kamen Rider. Muitos deles se tornariam grandes nomes da televisão e do cinema japonês.

A presença de jovens atores também ajudou a série a conquistar as mães que acompanhavam os filhos e um público feminino mais amplo. Shirakura, no entanto, explicou que essa preocupação não surgiu apenas durante a era Heisei.

Segundo ele, desde Hiroshi Fujioka, o primeiro Kamen Rider, a franquia sempre procurou escolher atores que representassem o tipo de protagonista valorizado em cada período.

A chegada de Pretty Cure à programação também tornou ainda mais importante pensar nas meninas e nas mães que assistiam à sequência de programas nas manhãs de domingo.

Heróis que refletem cada época

O especial também mostrou como os temas de Kamen Rider passaram a acompanhar acontecimentos e interesses de cada período.

Kamen Rider Fourze, por exemplo, surgiu em um momento de grande atenção ao espaço, após o retorno da sonda Hayabusa à Terra e a viagem do astronauta Satoshi Furukawa.

Anos depois, o crescimento das discussões sobre inteligência artificial ajudou a definir o universo de Kamen Rider Zero-One. Na série, o protagonista é o presidente de uma empresa de tecnologia, enquanto a inteligência artificial ocupa uma posição central na história.

Durante a pandemia de Covid-19, Kamen Rider Saber utilizou livros e histórias como parte de seu conceito. A ideia era oferecer às crianças uma aventura que também pudesse tornar o período dentro de casa mais interessante. No ano seguinte, Kamen Rider Revice incorporou dança e movimento, incentivando as famílias a se exercitarem juntas.

Para o programa, essa capacidade de perceber o ambiente social e transformá-lo em entretenimento é um dos motivos pelos quais Kamen Rider continua próximo do público.

Super Sentai também acompanhou as mudanças

O mesmo processo ocorreu em Super Sentai. Em 1975, quando a televisão em cores se tornava cada vez mais popular no Japão, Himitsu Sentai Gorenger apresentou uma equipe formada por cinco heróis de cores diferentes.

Durante o auge dos chamados “trendy dramas”, Choujin Sentai Jetman incorporou conflitos amorosos e um triângulo entre seus personagens. O próprio programa brincou ao definir a produção como um “trendy drama” dentro de uma série de heróis.

Mais tarde, o sucesso de produções de ficção científica influenciou o conceito de Mirai Sentai Timeranger, enquanto a popularidade das histórias de magia ajudou a abrir espaço para Mahou Sentai Magiranger.

Fukuzawa explicou que, depois de tantas equipes e estilos diferentes, um dos desafios é encontrar todos os anos uma nova resposta para a mesma pergunta: como criar um herói que seja imediatamente reconhecido como parte de seu tempo?

Segundo ele, isso também aparece nas cenas de ação. A forma de lutar, os movimentos e até os enquadramentos podem revelar a época à qual determinado herói pertence.

O desafio de chegar ao mundo inteiro

O programa também abordou a expansão internacional de Kamen Rider. Kamen Rider Zeztz foi apresentado como a primeira produção da franquia distribuída simultaneamente para mais de 100 países e regiões, alcançando o primeiro lugar entre os assuntos mais comentados do mundo no X após a exibição de seu episódio inicial.

Shirakura revelou que essa expansão exigiu atenção a diferenças culturais. Embora a série tenha elementos inspirados em histórias de espionagem, a palavra “espião” pode provocar uma reação negativa em determinados países. Por isso, a produção preferiu utilizar o termo “agente”.

O desenho do herói também levou em conta a percepção do público internacional. Os olhos arredondados são uma característica tradicional de Kamen Rider, mas, em algumas culturas, personagens com esse formato não são imediatamente reconhecidos como heróis. A solução foi manter a identidade da franquia, mas deixar o desenho dos olhos um pouco mais afiado.

Gavan e a criação de um novo tipo de herói

Outro grande destaque do especial foi Uchuu Keiji Gavan, exibido originalmente em 1982. Ao contrário de Kamen Rider, Gavan não se transformava biologicamente. Ele recebia um traje metálico de combate por meio do processo chamado Jouchaku.

Na série original, a instalação do traje levava apenas 0,05 segundo. Como o processo era rápido demais para ser acompanhado, cada episódio mostrava novamente a transformação em câmera lenta, criando uma das sequências mais lembradas da produção.

O termo Jouchaku vem de uma técnica utilizada para aplicar revestimento metálico. Segundo Shirakura, o mesmo processo foi empregado na fabricação do traje prateado de Gavan. Assim, a palavra usada para a transformação nasceu da própria maneira como o uniforme era produzido.

A série também ficou conhecida pelo trabalho de Kenji Ohba. Integrante do Japan Action Club, criado por Shinichi Chiba, o ator realizava pessoalmente grande parte das cenas de ação. O programa relembrou saltos, lutas, acrobacias com motocicletas e perseguições nas quais o próprio protagonista aparecia em cena.

Para Shirakura, Gavan ocupa uma posição especial dentro da história do estúdio:

Resposta

“Para a Toei, Gavan é o terceiro pilar, ao lado de Kamen Rider e Super Sentai.”

Ele também lembrou que Gavan abriu caminho para Sharivan e Shaider, estabelecendo a base do que posteriormente seria conhecido como a franquia Metal Hero.

Gavan renasce na era Reiwa

Mais de quatro décadas depois, o personagem retornou em Chou Uchuu Keiji Gavan Infinity, primeira produção do projeto PROJECT R.E.D.

A nova série mantém elementos tradicionais, incluindo o comando Jouchaku e a repetição da transformação em câmera lenta. A diferença é que o processo, que antes levava 0,05 segundo, agora ocorre em apenas um milissegundo.

A nova versão também amplia o conceito original ao apresentar diferentes Gavans vindos de múltiplos universos.

Fukuzawa explicou que as cenas anteriores à transformação procuram preservar a energia física de Kenji Ohba. Por isso, os novos atores são incentivados a se movimentar e realizar ações antes de vestir o traje, mantendo o corpo do intérprete como parte importante da identidade do herói.

Os brinquedos que sustentam Kamen Rider

A última estratégia apresentada pelo programa foi a evolução dos brinquedos.

Em 1971, o primeiro cinturão de transformação de Kamen Rider conquistou as crianças ao reproduzir luzes e movimentos semelhantes aos vistos na televisão. O produto vendeu cerca de 3,8 milhões de unidades.

Com o retorno da franquia em 2000, novos cinturões passaram a ser lançados anualmente. Cada produção acrescentou uma tecnologia diferente. O equipamento de Kamen Rider Faiz utilizava um telefone celular e reproduzia vozes. Kamen Rider Den-O incorporou um sistema de leitura por aproximação, enquanto Kamen Rider Decade transformou cartas em itens conectados a jogos, doces e outros produtos.

Em Kamen Rider OOO, as medalhas colecionáveis tornaram-se um fenômeno, ultrapassando 33 milhões de unidades distribuídas.

A partir de 2013, a Toei e a Bandai também passaram a investir diretamente nos adultos que haviam crescido assistindo às séries. Os cinturões da linha Complete Selection Modification utilizaram materiais mais sofisticados, detalhes próximos aos acessórios vistos na televisão e novas falas gravadas pelos atores.

O programa mostrou que os brinquedos não funcionam apenas como produtos derivados. Para as crianças, eles permitem reproduzir a transformação e participar da história. Para os adultos, preservam a memória e a ligação com os heróis de sua infância.

Ao longo de mais de cinco décadas, a Toei aprendeu a mudar seus temas, atores, ações, tecnologias e formas de alcançar o público. Ainda assim, o desejo de se transformar em um herói continua sendo o mesmo. É essa combinação entre mudança e continuidade que mantém essas produções vivas.