Hiroshi Miyauchi tinha 25 anos quando estreou como Shiro Kazami, o protagonista de Kamen Rider V3, em fevereiro de 1973, e nunca mais largou o personagem. Em 2024, na série de entrevistas THE CHANGE, da editora Futabasha, resumiu o lugar do papel na carreira: "Para mim, a obra que marcou a virada foi Kamen Rider V3."
Nascido em 14 de junho de 1947, Miyauchi foi Shiro Kazami em Kamen Rider V3 (1973 a 1974), Akira Shinmei, o Aoranger, em Himitsu Sentai Gorenger (1975 a 1977) e o detetive Ken Hayakawa em Kaiketsu Zubat (1977). Depois vieram Sokichi Banba, o Big One, em JAKQ Dengekitai (1977), e o comandante Shunsuke Masaki em Tokkei Winspector e Tokkyu Shirei Solbrain (1990 a 1992). Na franquia Kamen Rider, ele voltou a viver Kazami em episódios de Kamen Rider X, Kamen Rider Stronger e do Kamen Rider de 1979, o Skyrider, e no filme Zenin Shugo! 7-nin no Kamen Rider!! (1976), o que faz dele o ator com mais aparições na série da era Showa. A imprensa japonesa o chama de Mister Hero.
Entre 2001 e 2003, ele manteve uma coluna mensal no site Toei Hero Net, onde se apresentava como "o associado número 4410". A seção se chamava Hitorigoto (monólogos). Nela, Miyauchi comentou Kamen Rider V3 monstro por monstro e os 32 episódios de Kaiketsu Zubat, um a um, revendo cada capítulo em laserdisc antes de escrever.
Tanba e Chiba
Ainda jovem, Miyauchi procurou o ator Tetsuro Tanba, conhecido de seu pai, assim que terminou o ginásio. Ele contou à Futabasha, em 2024, que se achava talhado para atuar desde criança. Tanba respondeu que ainda havia um degrau antes disso e mandou o rapaz concluir o colegial primeiro.
Em 1968, Miyauchi passou na seleção de novos talentos da Toei, a chamada New Face, na 12ª turma, e entrou para a Tanba Production, a agência do mentor. Os primeiros trabalhos foram em filmes de gangue do estúdio, como Nagasaki Blues e Soshiki Boryoku: Kyodai Sakazuki, os dois de 1969, e nas séries Furyo Bancho (1970 e 1971) e Onna Bancho (1972 e 1973). Na televisão, estreou em 1969 na novela de época Aa Chushingura, da Kansai TV.
Em 1971, a gravadora Teichiku lançou um compacto com a voz dele, "Yogiri no Sekai". O disco quase não vendeu, e Miyauchi contou que só saíam algumas centenas de cópias nas campanhas em que ele aparecia pessoalmente.
O aprendizado de ação veio em Key Hunter, série policial da TBS exibida entre 1968 e 1973, na qual Miyauchi fazia o agente Shunsuke Dan ao lado de Tanba e de Shinichi (Sonny) Chiba. Chiba deu ao novato um conselho que Miyauchi repetiu em entrevista ao site Mynavi em 2023:
Se é para ficar olhando, olhe por trás da lente da câmera que o cinegrafista está segurando.
Shinichi Chiba a Hiroshi Miyauchi, no set de Key HunterO ator chamou a frase de "um tesouro que guardo até hoje". Com ela, entendeu que dois atores separados por um metro, com o movimento sincronizado, parecem trocar golpes de verdade na tela.
Em Key Hunter, Dan costumava apanhar até a chegada de Kazama, o personagem de Chiba, e Miyauchi levou a fórmula para V3. Na coluna do Toei Hero Net, Miyauchi batizou o recurso de "estética de apanhar" e explicou que o herói só ganha peso quando entra em cena depois que o vilão já levou vantagem: "Se o monstro aparece e a gente já faz 'Henshin!' na hora, isso não acontece."
V3
Miyauchi foi escolhido para Kamen Rider V3 sem teste. Ele gravava Key Hunter em Urabandai, na província de Fukushima, quando recebeu ordem de ir ao escritório da emissora MBS em Tóquio. Ficou sentado esperando sem saber que era uma entrevista e ouviu perguntas sobre ação e moto. Miyauchi chegava com terceiro dan no caratê, primeiro dan no judô e as cenas de luta de Key Hunter no currículo. Voltou para Fukushima e, no dia seguinte, soube que seria o próximo Kamen Rider. Ao Mynavi, ele descreveu a segunda visita à emissora: "De longe, ouvi a voz alta do produtor Seiji Abe gritando: 'Chegou!'"
Tanba, o mentor, achou que o pupilo passaria a série inteira dentro da roupa de herói e disse: "Desista." Quando Miyauchi explicou que faria o personagem sem máscara, antes da transformação, Tanba mudou de ideia: "Então tudo bem. Pode fazer."
Miyauchi não sabia o que era Kamen Rider e comprou fitas de vídeo para assistir a Hiroshi Fujioka no papel do primeiro Rider. Concluiu que, depois de treinar com Chiba, conseguiria dar mais ação ao herói sem máscara, e pediu à equipe mais cenas antes da transformação. Para isso, treinou pilotar a moto com uma mão só e depois sem as duas mãos, segundo contou à Futabasha. Com isso, a divisão do tempo em cena se inverteu ao longo da série. No começo, Shiro Kazami sem máscara aparecia em cerca de 40% das cenas e o V3 de roupa, em 60%. No fim, Kazami ficava com 70%. Nas primeiras semanas, ele gravou de peruca, porque o cabelo ainda estava curto por causa de um filme da série Onna Bancho. O boato de que "Miyauchi usa peruca" correu tanto que um fabricante de perucas o convidou para um comercial, convite que ele recusou.

Miyauchi trocou o grito de transformação "buisurii", o V3 pronunciado à japonesa, por "buisuryaa", porque, segundo ele, a vogal "a" produz um eco mais bonito. Entre uma locação e outra, ele dirigia a própria moto de cena em vez de deixá-la seguir no caminhão da produção, e pedia à equipe de efeitos mais explosivos do que o roteiro indicava. Ryo Hayami, protagonista do seriado seguinte, Kamen Rider X, tinha medo de pólvora e comentou sobre o colega: "Ele é mesmo diferente."
A cena mais perigosa da série, segundo o próprio Miyauchi, foi no episódio 22, quando ele precisou passar por baixo de uma cortina de fogo e o vento mudou de direção no meio da tomada. Em entrevista ao Mynavi em 2017, lembrou: "Eu avançava, avançava, e as chamas não acabavam nunca." O ator Akiji Kobayashi, que fazia Tobei Tachibana, o "Oyassan" dos Riders, era quem dava bronca e conselho ao protagonista, dentro e fora do estúdio.
O sucesso de V3 levou Miyauchi a passar domingos, feriados e férias escolares em shows nos terraços de lojas de departamento de todo o Japão. Havia apresentações anunciadas apenas como "Shiro Kazami está chegando", sem a roupa do herói, e, segundo o ator, chegavam a acontecer shows em cerca de 100 lugares do país no mesmo dia. O personagem estampava bicicleta, refrigerante e curry. Anos depois, Miyauchi ainda corrigia quem o cumprimentava na rua com "olha o Kamen Rider": "Nessa hora, feito criança, faço questão de responder 'Kamen Rider V3!'."
O tema de abertura, "Tatakae! Kamen Rider V3", foi gravado na voz de Miyauchi. O compositor Shunsuke Kikuchi começou a sessão sem ensaio, e o cantor Ichiro Mizuki, que tinha gravado a versão de teste, levou o ator para o corredor e ensinou a melodia em partes. Os dois brigaram de verdade tempos depois, num intervalo de evento, e saíram da briga amigos para o resto da vida. Depois da morte de Mizuki, em 2022, Miyauchi disse ao Mynavi que anime e tokusatsu da época continuam amados "graças a Ichiro Mizuki, que passou a vida inteira cantando".
Gorenger
Em 1975, a Toei ofereceu a Miyauchi o papel de Akaranger, o líder de Himitsu Sentai Gorenger, e ele recusou. Segundo o site Magmix, o ator se incomodava com a ideia de agir sob ordens dentro de uma equipe. Veio então a proposta para Aoranger, e quem convenceu Miyauchi foi o próprio criador da série, Shotaro Ishinomori, no primeiro encontro entre os dois. Ishinomori comparou a dupla aos rivais mais famosos da esgrima japonesa:
Akaranger é Musashi Miyamoto, e Aoranger é Kojiro Sasaki.
Shotaro Ishinomori, ao convencer Miyauchi a fazer GorengerMiyauchi tinha outras três séries em andamento e só conseguia dedicar cerca de um dia por semana a Gorenger. A produção resolveu o problema colocando Akira Shinmei com frequência no comando da nave Varibune, cenas filmadas em estúdio, e em cerca de dez episódios o ator participou apenas da dublagem. Ele disse à Magmix que cuidava da postura o tempo todo: "Quando fazia o Shinmei, eu prestava atenção na maneira de ficar de pé."
Nos papéis de herói, Miyauchi mudava a postura de um personagem para outro. Shiro Kazami enfrentava os monstros com o quadril baixo e Akira Shinmei encarava o inimigo no mesmo nível, ao passo que Ken Hayakawa e Sokichi Banba falavam de cima, com a folga de quem já sabe o fim da luta. O gesto de Hayakawa de encolher os ombros veio do Havaí, onde V3 também era exibido. Numa sessão de autógrafos promovida pela emissora KIKU-TV, na época de Gorenger, Miyauchi viu um menino local fazer o movimento e guardou a ideia.
Zubat
Kaiketsu Zubat estreou em 2 de fevereiro de 1977 no Tokyo 12 Channel, atual TV Tokyo, às quartas-feiras, às 19h30. Ken Hayakawa é um detetive particular que percorre o Japão atrás do assassino do melhor amigo, o cientista Goro Asuka, e veste o traje criado por Asuka, que aguenta só cinco minutos de uso. A série se inspirou nos faroestes Wataridori, da Nikkatsu, estrelados por Akira Kobayashi, e 30 dos 32 roteiros foram escritos por Shukei Nagasaka. Na coluna, Miyauchi lembrou uma frase do roteirista: "Eu escrevia os roteiros para que até universitários achassem graça."
Miyauchi queria fazer a série inteira como Hayakawa, sem transformação. Ele já acumulava três trabalhos fixos e, antes de aceitar, pediu para ler o roteiro, que ainda não estava pronto. Segundo o ator, o pedido pode ter chegado ao produtor Toru Hirayama como uma recusa, e o papel ficou com ele mesmo assim.
O som de uma guitarra anunciava a chegada de Hayakawa em todos os episódios, com o detetive num lugar alto ou em silhueta, e cada capítulo terminava num duelo com o guarda-costas contratado pelo vilão, em geral com a arma do próprio adversário. Nos duelos, Hayakawa costumava dizer ao rival que ele era apenas o segundo melhor do Japão naquela especialidade.
Miyauchi preparava esses duelos brincando com objetos de cena nas horas vagas, ao lado do coreógrafo de luta Kazutoshi Takahashi, que vinha do cinema de samurai e, segundo o ator, brincava com os objetos ainda mais do que ele. Na coluna, explicou o método: "Para conseguir fazer esse tipo de coisa, ajuda muito o hábito de brincar com os objetos de cena no dia a dia." Dessas brincadeiras saiu, por exemplo, o anel de fumaça de cigarro que ele encaixava no cano de um revólver.
No episódio 2, o adversário era um guarda-costas vivido por Hideyo Amamoto, especialista em iaijutsu, a arte japonesa de sacar a espada e golpear num só movimento. Miyauchi fez o saque com a lâmina virada ao contrário e devolveu a espada à bainha numa única tomada. No episódio 26, contra um assassino armado de bisturis, devolveu os golpes e aproveitou para aparar a barba do rival, deixando um bigodinho de cada lado. No 27, disparou uma flecha usando a corda da guitarra e depois a usou como palito de dente, e no 28, numa praia, cavou a areia com o pé e fincou a guitarra no chão, dois improvisos criados no set.
A série tinha muitas cenas externas, e a equipe vivia de olho no tempo. O episódio 3 foi gravado no fim de dezembro, num depósito de equipamentos em Murayama, nos arredores de Tóquio, e a neve começou a cair pouco antes do meio-dia, no último minuto do tempo-limite do traje. Quem estava livre no elenco e na equipe limpou o chão das partes que apareciam no quadro para terminar a luta final.
No episódio 4, as explosões em volta do Zubacker, o carro do herói, eram tantas que em várias tomadas Miyauchi não enxergava nada à frente. No episódio 30, o único em que Hayakawa anda de moto, ele pilotou em pé, com alguém na garupa, e as lanças-bomba do vilão foram filmadas com napalm, explosivo de clarão forte, em tomadas seguidas, porque o ator gostava de cenas com pólvora. O figurino branco de verão, usado a partir do episódio 24, também foi ideia dele.
Para o guarda-costas do episódio 29, Miyauchi chamou Baku Hatakeyama, o Kiranger de Gorenger, vizinho e amigo desde a série anterior. Hatakeyama morreu em 1978. Na coluna, o ator escreveu apenas: "Aconteceram muitas coisas, e não consigo escrever sobre isso."
A audiência chegou a 15,5% no episódio 6, mas os brinquedos da patrocinadora Takatoku venderam pouco. A empresa pediu mais cenas de luta, Nagasaka se recusou a mudar os roteiros, e a série terminou em 28 de setembro de 1977, no episódio 32, dos 52 planejados. No último capítulo, Hayakawa encontra o verdadeiro assassino de Asuka, o Líder Supremo D, chefe da organização Dakker, e vai embora sozinho, com o figurino de couro preto da abertura. Décadas depois, Miyauchi autografou todas as cópias do último volume da coleção em laserdisc.
Big One
Em JAKQ Dengekitai, a série Super Sentai seguinte, Miyauchi entrou no meio da exibição, em 1977, como Sokichi Banba, o Big One, primeiro guerreiro adicional da franquia. Miyauchi ouviu que faria o "capitão" da equipe e esperava poucos dias de gravação dando ordens. Descobriu depois que o personagem se transformava e lutava. A entrada de Banba mudou o foco da série, e Miyauchi disse ter se sentido em dívida com Yoshitaka Tanba, filho de seu mentor e protagonista original de JAKQ.
O figurino de Banba foi feito segundo sugestões de Miyauchi, com o forro vermelho para aparecer nas cenas de luta. O ator também criou para o personagem uma coleção de disfarces cômicos, com maquiagem e voz diferentes a cada aparição. Em 2001, para o filme Hyakujuu Sentai Gaoranger vs. Super Sentai, lançado direto em vídeo, ele voltou a vestir o terno branco de Banba, feito de novo porque ninguém sabia se o original ainda existia.
Winspector e Solbrain
Depois de Zubat e JAKQ, Miyauchi passou mais de uma década sem papel fixo em série de herói. Fez participações, como a do policial espacial Alan em Uchuu Keiji Gavan, em 1982, e trabalhou muito no teatro, em peças de época. A volta veio em 1990, com Tokkei Winspector, exibido pela TV Asahi aos domingos, às 8h, de 4 de fevereiro de 1990 a 13 de janeiro de 1991.
Winspector abriu a trilogia Rescue Police da Toei. A equipe atendia crimes cometidos com tecnologia e desastres, e a prioridade das missões era salvar vidas, sem uma organização de monstros como inimigo fixo. Miyauchi fez Shunsuke Masaki, comandante de 41 anos que havia fundado a unidade, com a patente de keishikan, um dos postos mais altos da polícia japonesa.

Para o papel, Miyauchi se inspirou nos chefes que Tanba fazia em Key Hunter e G-Men '75. A condição dele para aceitar foi não se transformar, porque queria mostrar um lado novo como ator. Mesmo assim, pediu cenas de ação e sugeriu ideias para o figurino. Masaki ia a campo, prendia criminosos e lutava ao lado dos subordinados, e no episódio 13 ele mesmo testou o Winscord, o veículo da equipe, apesar do risco de se ferir. Miyauchi ainda gravou "Moyase! Hitomi o", canção do personagem lançada no álbum de músicas da série, em 1990.
Em Tokkyu Shirei Solbrain, exibido de 20 de janeiro de 1991 a 26 de janeiro de 1992, Masaki reorganizou a unidade com uma equipe nova, que tinha como lema salvar também o coração dos criminosos. A presença dele ligava as duas séries. Por meio de Masaki, integrantes de Winspector voltaram como convidados, e Ryoma Kagawa, o protagonista anterior, reapareceu em vários episódios. Na época, Miyauchi ouvia com frequência por que um ator com quatro heróis de transformação no currículo continuava aceitando programas infantis como Solbrain. A resposta dele ficou registrada em Kyomoto Masaki no HERO Kosho-gaku, livro que o ator e pesquisador de heróis Masaki Kyomoto lançou pela Bandai em julho de 1992, com depoimentos de quem fez as séries de herói:
O que é programa de criança? O conteúdo pode ser feito para a criança entender, mas chamar de programa de criança uma obra em que profissionais da imagem colocaram a alma é uma ofensa.
Hiroshi Miyauchi, em Kyomoto Masaki no HERO Kosho-gaku (1992)Masaki apareceu uma última vez no fim de Tokusou Exceedraft, a terceira série da linha, nos episódios 47 a 49. A produção pediu a participação de Miyauchi para amarrar as três séries, e ele vestiu o uniforme da época de Solbrain, com outro quepe. Na história, Masaki está a bordo de um avião com autoridades da polícia a caminho de uma conferência em Paris quando o vilão o prende em outra dimensão, e só volta depois da derrota do inimigo.
O Figurino
Miyauchi criou para si a regra de que herói não troca de roupa. Em JAKQ, Winspector, Solbrain e Chouriki Sentai Ohranger (1995), ele usou uma peça só em cada série, com o seguinte raciocínio: "Se o personagem transformado não muda, por que o de antes da transformação mudaria?" Outra regra era não comer nada diante da câmera, que ele mesmo quebrou em Zubat e comentou com humor: "Que apetite é esse desta vez, hein?"
A atriz Tamao Sato, do elenco de Ohranger, contou ter estranhado ver o colega de meias numa pousada em pleno verão. Miyauchi respondeu: "Se uma criança me visse desse jeito, ia achar feio. O herói tem que estar sempre elegante." As luvas brancas, marca dos personagens dele, vieram de uma ideia de Chiba para proteger as mãos nas cenas de ação.
A frase que Miyauchi mais repetiu na carreira é "série de herói é programa educativo". Ao Mynavi, em 2023, ele explicou o que queria dizer: "Não se trata de passar sermão. Continuei fazendo heróis com a ideia de que a influência forte de um herói tem algo capaz de fazer milagres." No primeiro episódio de Zubat, Hayakawa tira o chapéu e as luvas diante do altar do amigo morto, gesto que Miyauchi comentou na coluna como coisa que os pais deveriam ensinar aos filhos. As cartas de crianças, ele respondia em hiragana, o silabário que elas aprendem primeiro.
Hakuba
Em novembro de 2001, durante as filmagens de um telefilme de mistério da TV Tokyo em Hakuba, na província de Nagano, o ônibus da equipe derrapou no gelo a caminho da montanha. Ao descer, Miyauchi escorregou, torceu o corpo como faria numa queda ensaiada e sentiu um estalo na lombar. Passou o resto da filmagem subindo todo dia uma montanha de 2.000 metros de altitude com cinta e bandagens, e escreveu na coluna: "Se fosse um acidente em cena, atuando, ainda vá lá."
Em 2002, ele estava em temporada no teatro Meijiza, em Tóquio, na companhia do cantor Hiroshi Itsuki, e escrevia a coluna no camarim, com o monitor do palco ligado. Disse que a postura e os gestos que aprendeu em Zubat o ajudavam no teatro. Em 2005, no filme Kamen Rider The First, fez numa única cena Tobei Tachibana, o papel de Akiji Kobayashi, e disse estar feliz por viver "o papel do Tobei, que eu admirava desde aquela época".
Em 2008, Miyauchi passou por uma cirurgia de oito horas para implantar vasos sanguíneos artificiais. Contou o caso em público só em 2012, num evento ao lado de Naoya Makoto, o Akaranger de Gorenger, e mais tarde brincou na televisão: "Acho que virei um humano artificial." Em 2019, apareceu no último episódio de Tokusatsu GaGaGa, da NHK, como dono de uma livraria.

Em 29 de abril de 2024, aos 76 anos, Miyauchi abriu a exposição dos 50 anos de Kamen Rider em Tokorozawa, na província de Saitama, com o cinto Double Typhoon na cintura. Antes de fazer a pose, disse ao público: "A justiça é imortal. Vou mostrar para vocês a transformação do Shiro Kazami." Na entrevista de 2023 ao Mynavi, quando revisitou os 50 anos de V3, resumiu a relação com o personagem: "Olhando para trás, percebi que o eu de hoje também é igual ao Shiro Kazami. Posso me transformar a qualquer momento."
Fontes: Toei Hero Net, Mynavi (2023), Mynavi (2017), Magmix, Oricon, Cinema Today, Futabasha THE CHANGE, Nakanocchi e Wikipédia japonesa.