A atriz Tokie Shibata, intérprete de Nana, a jovem do planeta Rigel em Dengeki Sentai Changeman, deu esta entrevista à revista Toei Hero Max em 2009, quando a Toei Video lançava a série pela primeira vez em DVD no Japão, 24 anos depois da estreia na TV Asahi. O Kyoudai Express traduziu a conversa na íntegra.
Shibata nasceu em Tóquio em 1969 e fez o primeiro papel com falas em Choudenshi Bioman, como Miki, a humana mecânica dos episódios 43 e 44, exibidos em 1984. No ano seguinte, a Toei a chamou de volta para Changeman como Nana, personagem semifixa que chega à Terra ainda criança e reaparece crescida no episódio 33. A partir daí, Nana volta à história no episódio 42, como estudante do colegial, e acompanha os Changeman até o último episódio.
Depois de Changeman, Shibata fez participações em Hikari Sentai Maskman, de 1987, e em Tokkei Winspector, de 1990, e foi a heroína Kazue Kitashirakawa da série 1, 2, 3 to 4, 5, Roku, de 1988, e da continuação, de 1989.
A conversa foi gravada em 9 de junho de 2009, na Toei Video. Na entrevista, ela conta que fez boa parte das próprias cenas de ação pendurada por cabos de aço, a pedido do diretor de ação Junji Yamaoka, da JAC, e que o traje de alienígena de Rigel era a mesma roupa usada pela atriz da Nana criança. Shibata também lembra a despedida de Nana gravada num trem perto de Chichibu, numa linha em que o trem seguinte só passava meia hora depois.
01A humana mecânica Miki, em Bioman
Vamos começar pela época em que a senhora interpretou a humana mecânica Miki nos episódios 43 e 44 de "Bioman" (1984).
Fui escolhida numa audição e assim acabei entrando na série. Não era exatamente a minha primeira vez diante das câmeras, mas, como papel com falas, acho que foi praticamente a minha estreia. Por isso, quando cheguei ao set, eu não sabia nada (risos amarelos). Não sabia ler o roteiro e não conseguia entender que parte estava sendo gravada naquele momento. Me explicavam "tem um robô gigante ali na frente", mas é claro que, na realidade, não tinha nada ali (risos). Eu atuava perguntando quase tudo à equipe, começando pelo diretor Hori (Nagafumi Hori). Lembro que só dizia "desculpe" e "por favor".
A senhora se lembra da história?
Lembro mais ou menos. Havia bastante cena em que eu corria de uniforme escolar de marinheiro. Naquela época, estava na moda um comercial em que a Yuki Kudo corria carregando uma chaleira. Parece que a ideia da Miki era inspirada nele, e já na audição me disseram: "Você vai correr de uniforme de marinheiro!" (risos)
E não era só correr. Havia também cenas de "voar", ou melhor, de "mergulhar".
Como será que gravaram aquilo? O diretor de ação era o Yamaoka (Junji Yamaoka), da JAC (hoje JAE), e nos trabalhos seguintes também, toda vez que eu ia, ele me fazia fazer "alguma coisa". Quer dizer, me dava a oportunidade de fazer (risos). Fui pendurada por cabos de aço, fui içada de um penhasco por guindaste. Tanto na ação quanto nos efeitos especiais, quando via o resultado pronto, eu ficava admirada: "Ah, então é assim que fica". Na gravação das vozes, no começo, eu morria de vergonha de soltar gritos como "Kyaaa!". Mas o grito de "Tou!" dos atores que faziam os heróis era tão bonito que pensei que eu também precisava me esforçar. Contracenei bastante com o Hidetomo Iura e com o saudoso Tadao Nakamaru, e os dois foram extremamente gentis comigo.

02Nana chega a Changeman no episódio 33
A Miki fez sucesso, e no ano seguinte, em "Changeman", a senhora entrou no meio da série como semifixa, no papel de uma personagem importante, a Nana, do planeta Rigel.
A Nana começa como criança, e eu interpretei a fase depois que ela cresce. A conversa foi: "Você não vai aparecer em todos os episódios e ainda não sabemos em quantos". No primeiro episódio em que apareci (episódio 33), foi praticamente uma aparição relâmpago, mas atuei com foco na tristeza de ser separada da família que tinha cuidado dela até então. Também encontrei no set a Nana pequena (Miyako Hayakawa) e conversamos bastante. Com a Yuriko Hishimi, que fazia a mãe adotiva da Nana, estive uma vez no set e outra na gravação das vozes.
Que cena triste. A família não sabe que a Nana cresceu de repente, então passa por ela sem reconhecê-la. A própria Nana não quer colocar a família em perigo e por isso não pode dizer quem é. E os Changeman só podem acompanhar tudo de longe.
Gravamos numa ponte pênsil. Me marcou como o vale era bonito. Eu estava insegura de entrar numa série já em andamento, mas os protagonistas me receberam com muito carinho e isso me ajudou muito.
03O festival da escola no episódio 42
A Nana volta no episódio 42, agora como uma garota comum que frequenta o colegial.
É o episódio do festival da escola, não é? Lembro que a cena da fogueira foi gravada num lugar que parecia um estacionamento perto do estúdio. Era tarde da noite e fazia frio, mas foi aí que conversei bastante com os protagonistas. A história também estava ficando cada vez mais intensa. Dava para sentir muito o clima de "vamos fazer juntos uma série boa". Acho que o trabalho em equipe e o entusiasmo de todos aparecem nas imagens. Com quem fazia os vilões era a mesma coisa. O Shohei Yamamoto e a Fukumi Kuroda não encaravam os papéis de jeito nenhum como se fosse "programa infantil". Eles criavam a própria maquiagem e pensavam a fundo nos personagens. Acho que vilões tão cativantes são um dos motivos pelos quais "Changeman" era tão bom. Para mim, o mais difícil foi a cena em que fui pendurada por cabos de aço. Na verdade, se mover na horizontal dá mais medo do que subir e descer. Nessa também fiz eu mesma (risos). Mas naquela época os protagonistas também saltavam sozinhos, numa boa, de um segundo ou terceiro andar. Se eles achavam aquilo tranquilo, isso eu já não sei (risos). Eu acho que, no fundo, é sempre melhor quando a própria atriz faz a cena, porque a expressão nas cenas antes e depois fica diferente. Por isso eu encarava o desafio, mas depois sempre me arrependia (risos). Nas cenas de explosão, quem corre devagar não consegue sair da fumaça e acaba não aparecendo na tela. Então me diziam "Tokie, corre, corre!", e eu corria com toda a força, e às vezes acontecia de eu não aparecer, mesmo tendo feito a cena eu mesma.

04A despedida de trem perto de Chichibu
No final do episódio 43, a Nana desaparece mais uma vez da frente dos Changeman.
Acho que foi para os lados de Chichibu. Ela vai embora de trem, não é? Eu tinha que chorar exatamente no momento certo, só que passavam poucos trens, e se errasse, o próximo só vinha meia hora depois. Me disseram "Tokie, contamos com você!", e a pressão foi enorme (risos). No fim, deu certo, e eu fui junto com o cinegrafista, o Inokuma (Masao Inokuma), de trem até a estação seguinte. Também devo muito ao Inokuma. Ele era muito ativo, subia em árvore para filmar, e quando eu estava pendurada nos cabos, ele também ficava pendurado junto. Até hoje, quando vejo o nome dele nos créditos, lembro daquela época e quase choro.
05O traje de Rigel da Nana criança
O uniforme de marinheiro da Nana é marcante, mas e o traje de alienígena de Rigel?
Aquele figurino foi um sofrimento. Posso contar?
Claro (risos).
A meia-calça roxa foi feita sob medida para mim, mas a parte da roupa era a mesma que a Nana pequena usava. Uma estudante do colegial usando a mesma roupa de uma criança do primário não tinha como dar certo, ainda mais eu, que nem era tão miudinha. Só de me mexer já era duro. Era duro de verdade (enfatiza). É claro que, pela história, ela cresceu de repente, mas mesmo assim aquilo era realista demais (risos). A equipe me dizia "dá para usar, sim!", e eu passava o tempo todo dizendo "não dá". Se eu engordasse um pouquinho que fosse, não entrava mais. Nos dias de gravação, não podia nem comer (risos amarelos). Outra coisa difícil era que, mesmo gravando em dias frios de inverno, eu não podia usar nada por baixo.
06A reta final de Changeman, em Gotemba
Entendo. E assim chegamos à reta final, em que a Nana tem muito destaque.
Eu não imaginava que fosse aparecer tanto. Participei até das batalhas. Só que, nas cenas de ação, eu era praticamente a única amadora. Na locação do último episódio, em Gotemba, fiquei muito nervosa. Havia uma cena em que eu pulava por cima da câmera, e perguntei, morrendo de medo: "Quanto custa esta câmera?" (risos). A história teve reviravoltas enormes, não é? A Kana (Kana Fujieda), que fazia a Shiima, por exemplo, até então tinha a voz dublada por um homem e só no final passou a falar com a própria voz. E o Fujimaki (Jun Fujimaki) dizia: "Então eu era alienígena?". Ele ficou surpreso (risos). Como minha casa ficava longe do estúdio, na reta final me deixaram ficar uma vez no alojamento feminino da JAC. Fui junto com a Sakura (Sachiko Shigeno), e lembro que a Mai Oishi, que fazia a Change Phoenix, cuidou muito bem de nós.
07Janus no Kagami e Sukeban Deka II
Nessa mesma época, a senhora também atuou em "Janus no Kagami" (1985), da Daiei Television, e em "Sukeban Deka II" (1985), da Toei.
Em "Janus no Kagami" eu fazia uma garota delinquente, então havia algumas cenas de luta, mas ninguém me pendurou em cabo, o que foi ótimo (risos). Em "Sukeban Deka II", a Yoko Minamino se disfarça de mim para se infiltrar, não é? Acho que eu fazia a presidente do grêmio estudantil ou algo assim, um papel totalmente diferente de mim, e foi divertido (risos). Lá também tive umas cenas de ação, mas é completamente diferente de Sentai. Por algum motivo, até hoje me dão muitos papéis com cenas de luta. Faço peças de época no teatro, e, mesmo sem ser boa nisso, as oportunidades não param de aparecer (risos amarelos). Eu não tenho coordenação motora. Não é que eu não queira fazer, porque gosto de cenas de luta coreografada. Nesse sentido, sou grata por ter tido a chance de praticar tanto quando era jovem.
08Os cabos de aço de Maskman e Winspector
Depois disso, a senhora fez participações em "Maskman" (1987) e "Winspector" (1990).
Em "Maskman" eu usava uma roupa estilo Peter Pan, lembra? Nessa época, fiquei pendurada num penhasco por cerca de uma hora. Hoje é uma boa lembrança (risos). O que me deu mais medo, sem dúvida, foi "Winspector". Eu caía de uma altura de uns dez andares e era salva pelo Yokoyama (Kazutoshi Yokoyama, que fazia o Fire), e isso também era com cabos de aço. Como eu precisava atuar com cara de medo, tinha que ser eu mesma. Me convenceram com jeitinho, dizendo "você consegue", e acabei fazendo, mas quando cheguei ao chão minhas pernas estavam tremendo. O Yamaoka tinha me dito "quando acabar, pode me dar um soco", então fui chorando bater nele (risos). "Maskman" e "Winspector" foram dirigidos pelo Tojo (Shohei Tojo), um diretor gentil, conhecido pela barba. Ele é muito detalhista, mas não me lembro de ter levado bronca dele diretamente. A voz dele, muito alta, essa sim me marcou (risos).
09Dois anos em Kansai com 1, 2, 3 to 4, 5, Roku
Não é uma produção da Toei, mas como foi a série "1, 2, 3 to 4, 5, Roku"?
Gravamos durante dois anos lá na região de Kansai. Entre o fim da primeira parte e o começo da nova série, houve cerca de um mês de pausa nas gravações, mas na televisão a nova série estreou já na semana seguinte. Nesse intervalo, voltei para a casa dos meus pais, relaxei e engordei 3 quilos, e levei bronca de uns 30 membros da equipe (risos amarelos). Pouco tempo atrás, reencontrei num palco, depois de muitos anos, o Junichi Nitta, que era meu par na nova série. A filha do Nitta hoje é atriz, o que mostra quanto tempo já passou (risos).
10O sonho de ser heroína do Super Sentai
Naquela época, entre os fãs, havia grande expectativa de que a senhora um dia fosse interpretar uma heroína de Sentai.
Na verdade, eu também esperava ansiosamente por isso, mas infelizmente a oportunidade não veio. Se eu tivesse entrado como fixa, é claro que ficaria feliz com uma heroína, mas também teria gostado de fazer uma vilã. Mesmo assim, até hoje os fãs que assistiam aos meus trabalhos daquela época vêm falar comigo. Gente que foi ver minha peça sem saber que eu estava no elenco me pergunta: "Você é aquela Shibata?" (risos). Fico muito feliz de ser lembrada. Neste outono também vou fazer teatro, então quem tiver interesse, por favor, apareça. É uma peça de época, com o rosto pintado de branco, bem diferente da imagem da Nana (risos).
E se recebesse um novo convite para atuar?
Hoje em dia, que tal o papel de uma senhora que faz a faxina da base? (risos)
Que é isso (risos). Então, que tal uma personagem que no dia a dia é assim, mas na hora H entra em combate com toda a classe?
Ah, essa também é boa. Então fica combinado assim (risos).