
O conto de fadas da Terra da Luz. O Ultra que nasceu da luz dos cinco irmãos, ganhou uma Mãe Ultra e, no fim, abriu mão dos poderes para viver como gente comum.
Ultraman Taro, exibido no Japão entre 6 de abril de 1973 e 5 de abril de 1974 pela TBS, é a sexta produção da franquia Ultra e talvez a mais calorosa e familiar de toda a era Showa. Concebida como obra de aniversário de dez anos da Tsuburaya, a série chega logo depois do sombrio Ultraman Ace e faz o caminho oposto, abraçando o tom de conto de fadas e colocando a família no centro de tudo.

O Ultraman Ace havia levado a franquia a um terreno mais pesado e melancólico. Para a temporada seguinte, a Tsuburaya quis o oposto, uma nova fábula luminosa, voltada às crianças. Até o nome aponta nessa direção. Taro é o sufixo dos heróis do folclore japonês, como Momotaro e Urashima Taro, o equivalente a batizar o herói de João. É o Ultra mais comum e próximo de todos, e isso é proposital.
A grande inovação da série é a família. Taro apresenta a Mãe Ultra, traz de volta o Pai Ultra, surgido em Ace, e fecha o time dos Seis Irmãos Ultra. No primeiro episódio, o jovem Kotaro morre em combate, e são os cinco irmãos que levam seu corpo à Terra da Luz, onde a Mãe Ultra o ressuscita com a luz combinada de todos, transformando-o em Ultraman Taro, o sexto irmão. A ideia de uma família de gigantes de luz, que organiza toda a mitologia Ultra até hoje, ganha aqui sua forma definitiva.
Do lado humano, o anfitrião de Taro é Kotaro Higashi, um jovem aspirante a boxeador vivido por Saburo Shinoda, que se junta à equipe de defesa ZAT. Conhecida pelas armas e veículos de desenho extravagante, a ZAT reforça o clima leve e lúdico da série, bem distante da seriedade militar de outros tokusatsu da época.
Apesar do tom de conto de fadas, Taro guarda alguns dos momentos mais duros da franquia. No arco do monstro Birdon, entre os episódios 17 e 18, um único kaiju mata tanto Taro quanto Zoffy, algo raríssimo até então. Taro só volta no episódio 19, ressuscitado pela Mãe Ultra e armado com o Bracelete Rei. Mais tarde, no episódio 40, o quimera Tyrant derrota um a um os cinco irmãos antes de ser vencido por Taro na Terra.
O traço mais bonito da série está no fim. Em vez de simplesmente voltar para as estrelas, Kotaro devolve seu poder à Mãe Ultra e escolhe seguir a vida como um ser humano comum. É um desfecho incomum para um herói infantil, e o que se segue, contado adiante neste verbete, sela Taro como uma das despedidas mais singelas e marcantes de toda a saga Ultra.
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O herói, seu anfitrião humano, a família Ultra e a equipe ZAT. Entre parênteses, o intérprete de cada um.
A cada semana, um novo monstro gigante ameaça o Japão. Uma seleção dos kaiju mais marcantes que Taro enfrentou.
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Ibope japonês (Video Research, região de Kanto) na faixa nobre das sextas-feiras da TBS.
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Quadros da série original de 1973, remasterizados. Imagens via The Movie Database.