
Cinco guerreiros-pássaro, uma guerra interdimensional e o triângulo amoroso mais trágico do tokusatsu. A aposta adulta que tirou o Super Sentai da beira do fim.
Choujin Sentai Jetman, exibido no Japão entre 15 de fevereiro de 1991 e 14 de fevereiro de 1992 pela TV Asahi, é a décima quinta série da franquia Super Sentai. Nasceu num momento de crise. A série anterior, Fiveman, havia registrado a pior audiência da linha até então, e a própria produção chegou a tratar Jetman como possivelmente o último Sentai. O que veio a seguir não foi só uma sobrevivência, foi um renascimento, conduzido por uma virada de tom tão ousada que reescreveu o que um Sentai podia ser.

Em 1990, Fiveman fechou o ano com números fracos e acendeu o alerta na Toei. O produtor Takeyuki Suzuki temia que a franquia entrasse em declínio prolongado, e há relatos de que Jetman foi planejado já com a hipótese de ser o ponto final da série. A decisão foi arriscar. Em vez de repetir a fórmula, a equipe apostou numa reinvenção radical do tom, mirando não só as crianças, mas também os adolescentes e adultos que haviam crescido com o gênero.
A primeira escolha foi temática. Jetman é o primeiro Sentai concebido abertamente como homenagem a outra obra, o anime Kagaku Ninjatai Gatchaman, a equipe de cinco guerreiros com motivos de aves e rivalidades internas. Durante a fase de testes, o projeto chegou a se chamar Choujin Sentai Birdman e era apresentado aos atores como uma versão em carne e osso de Gatchaman. Daí vêm os cinco pássaros, o falcão, o condor, a coruja, o cisne e a andorinha, e a tensão que existe entre eles desde o primeiro episódio.
A segunda escolha foi a mais corajosa. Sob o comando do roteirista-chefe Toshiki Inoue, Jetman injetou no Sentai um drama adulto de romance e tragédia. O eixo da história é um triângulo amoroso entre o líder Ryu, a herdeira Kaori e o solitário Gai, complicado pelo retorno do antigo amor de Ryu, Rie, transformada em inimiga. Pela primeira vez na franquia, os heróis se chamam pelo nome, e não pela cor, uma decisão dos criadores que consideravam o tratamento por cor artificial. A Bandai chegou a resistir aos episódios sem transformação ou luta até a segunda metade da série.
Se a série tem um símbolo, é o Condor Negro. Gai Yuki é jogador, mulherengo, brigão de rua e foi recrutado contra a vontade. Ao longo dos episódios ele se torna o personagem mais popular da temporada, querido em especial pelo público adolescente e adulto. Sua rivalidade com o androide pistoleiro Grey e seu amor difícil por Kaori dão à série uma camada de maturidade que nenhum Sentai havia ousado antes.
A aposta deu certo. A audiência se recuperou na reta final, a média do ano superou a de Fiveman e a franquia seguiu viva. A série seguinte, Zyuranger, viraria a base do Mighty Morphin Power Rangers em 1993, e o tom mais dramático inaugurado por Jetman influenciaria gerações de Sentai. Mais do que números, Jetman deixou um final que entrou para a história do gênero, detalhado adiante neste verbete.
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Os cinco Jetman, a comandante e os nobres da Vyram. Entre parênteses, o ator ou atriz que deu vida a cada um.
O Esquadrão de Guerra Dimensional Vyram, nobres de outra dimensão que se dizem deuses e desprezam a humanidade. Mais do que vilões, são personagens com arcos próprios, alguns trágicos.
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A abertura e o encerramento ficaram com Hironobu Kageyama, uma das vozes mais conhecidas do gênero. Mas a trilha vai além, com inserções para cada clima e até uma canção dedicada só ao Condor Negro, cantada pelo próprio ator.
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Ibope japonês (Video Research, região de Kanto) dos 51 episódios na faixa das sextas-feiras da TV Asahi.
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Quadros da série original de 1991, dos cinco pássaros ao Jet Icarus. Imagens via The Movie Database.