O melhor detetive! Entra Jupiter
最強の刑事!ジュピター登場
ESTREIA
A aposta cara e futurista da Toho contra os heróis da Toei. Gravada em videoteipe, com CGI pioneiro e drama adulto, fracassou em casa e virou febre do outro lado do mundo.
Em 1988, a Toho fez uma aposta que poucos esperavam. Depois de quase uma década longe da televisão, o estúdio que havia criado o Godzilla voltou ao tokusatsu com Dennou Keisatsu Cybercop, uma série que cruzava ficção científica sombria, polícia do futuro e armaduras que reluziam como cromo. Era a resposta da casa à hegemonia da Toei, dona dos Sentai e dos Metal Heroes, e o resultado foi uma obra ambiciosa, estranha e, à sua maneira, inesquecível.
A trama se passa numa Tóquio de 1999 tomada pelo crime e pela tecnologia fora de controle. Para enfrentar ameaças que a polícia comum não dava conta, o governo cria a ZAC, uma unidade especial cujos agentes vestem armaduras de combate de alta tecnologia. São os Cybercops, cada um batizado com o nome de um planeta, cada um pilotando uma Unidade Cyber com capacidades próprias.
O título deste verbete não é por acaso. Cybercop é, no fundo, uma série sobre o preço do futuro, sobre um mundo em que a máquina avançou mais rápido do que a consciência de quem a controla. Os vilões não são monstros de borracha, e sim a própria tecnologia virada contra o homem, num tom mais adulto e melancólico do que era comum no gênero naquele tempo.
À frente das Unidades estavam personagens com dramas próprios. Takeda, o Júpiter, era um guerreiro misterioso e sem memória, na verdade um combatente vindo do século 23. Hojo, o Marte, líder ranzinza e destemido, carregava o trauma de ter visto o pai ser arruinado. Mouri, o Saturno, era o brincalhão que escondia no humor a preocupação com os irmãos mais novos. Uesugi, mesmo sem uma Unidade, era o coração do time. E Lúcifer, o rival vindo do futuro, começava como inimigo e terminava como aliado relutante.
A mecânica de ação tinha um charme só dela. Em vez de carregar as armas o tempo todo, os Cybercops acessavam o arsenal por meio dos Cyber Cards, em terminais escondidos pela cidade que entregavam as Cyber Arms e as Cyber Weapons por dutos subterrâneos. Era um detalhe de roteiro que dava à série uma lógica quase de videogame, anos antes de isso virar lugar-comum.
Nos bastidores, o projeto nasceu movido por interesse comercial. Quem o impulsionava era a Takara, fabricante de brinquedos que queria uma linha de heróis para rivalizar com a dupla Bandai e Toei. A empresa chegou a ressuscitar um conceito de boneco Cybercop pensado lá em 1983, e o desenho das Unidades Cyber descende diretamente dos antigos Henshin Cyborg da marca.
O desempenho de vendas no Japão acabou matando um sucessor já planejado, o herói gigante Cyberman. Mas a ideia não se perdeu: o conceito de um herói que se equipa com um robô de apoio virou semente do Gridman, de 1993, e foi reaproveitado no anime Metal Jack, de 1991. Cybercop semeou bem mais do que colheu.
E há ainda a história paralela, a que mais nos toca por aqui. No Japão, Cybercop passou quase despercebido. No Brasil, virou febre, com anos de exibição, gibi, brinquedo e até circo rodando o país com as armaduras de verdade. Foi um daqueles casos em que uma obra encontrou o seu verdadeiro lar a milhares de quilômetros de onde foi filmada, e é por isso que, para tanta gente da nossa geração, aquele futuro de cromo de 1988 nunca saiu de moda.
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Os Cybercops, cada um com sua armadura de planeta, mais aliados e vilões. Entre parênteses, o intérprete.
A organização criminosa que quer trocar a humanidade por uma vida de silício, comandada por um supercomputador e seus androides. Quase todos os vilões são, eles mesmos, máquinas que se julgam gente.
Cada armadura tinha pontos fortes e fracos bem definidos, num nível de detalhe raro para um tokusatsu. As Unidades e o arsenal dos Cybercops.
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Cybercop não era Toei. A série saiu da Toho Kikaku com a Studio Jump, sob supervisão de Hiromi Muraishi, e a ação foi dirigida por Ryojiro Nishimoto. Isso muda o trabalho do dublê: em vez de monstro da semana e luta corpo a corpo, o traje precisava sustentar tiroteio, veículo e uma camada de efeito digital que só entraria depois, na pós.
O corpo dentro do traje de Jupiter é Toshikazu Seike. Nos primeiros episódios o papel foi dividido: Takashi Sakamoto também vestiu o herói na fase inicial, antes de Seike firmar-se no posto.
Cybercop tinha um problema físico que Sentai e Metal Hero não tinham. O traje era rígido, cheio de placas e detalhes de armadura, e a série vendia o realismo dessa carapaça — não dava para disfarçar com movimento amplo. Coube ao dublê fazer um traje pesado parecer tecnologia militar plausível, e não fantasia.
A ficha mais consequente do quadro. Kazutoshi Yokoyama aparece em Cybercop como substituto no Mars Bit e num papel de rosto no episódio 16, ainda no começo da carreira.
Anos depois ele se tornaria um dos corpos mais importantes da era Heisei do Kamen Rider, vestindo protagonistas da franquia, e migraria para a direção de ação. Cybercop pega esse nome antes de ele virar esse nome.
A ação de Cybercop foi dirigida por Ryojiro Nishimoto, e o trabalho dele aqui é diferente do de um tokusatsu da Toei. A série não tinha monstro da semana com luta corpo a corpo prolongada: tinha tiroteio, veículo e efeito digital.
A coreografia precisava conviver com a maior aposta técnica do programa, os efeitos gerados por computador que a Toho vendia como diferencial. Boa parte do que o dublê fazia em cena existia para casar com uma camada visual que só seria adicionada depois, na pós-produção.
Além de Seike e Sakamoto, os créditos listam Goichi Natsuyama, Tokio Iwata, Takayuki Ishii, Yasuhiko Imai, Eiichi Takagi, Hiromitsu Miyamoto e Takahiro Kasahara sem atribuição individual de personagem.
Essa ausência de crédito detalhado é comum na produção japonesa do período e vale como registro: são sete pessoas cujo trabalho está em cena nos 36 episódios sem que se saiba exatamente onde. O Yasuhiko Imai dessa lista, aliás, também aparece nos créditos de Jiraiya, no mesmo ano.
O traje de Jupiter foi de Toshikazu Seike, com Takashi Sakamoto dividindo o papel na fase inicial. E há um nome nos créditos que valeria ouro anos depois. Clique nas abas.
A trilha de Cybercop tem duas assinaturas que valem destaque. A abertura foi composta por Daisuke Inoue, nome consagrado fora do tokusatsu por temas centrais da franquia Gundam — escalá-lo diz muito sobre o tipo de produção que a Toho queria vender aqui, mais próxima da ficção científica adulta que do programa infantil de sábado.
A segunda é mais rara: Mika Chiba, que canta o encerramento e três das cinco canções de inserção, não é uma intérprete contratada para a trilha. Ela está no elenco da série, na frente das câmeras. É a atriz fechando cada episódio com a própria voz. A música incidental dos 36 episódios é de Ichiro Nitta, que ainda compôs duas das inserções.
A composição é de Daisuke Inoue, um nome grande fora do tokusatsu: ele assinou temas centrais da franquia Gundam, entre eles "Ai Senshi" e "Meguriai". Ter Inoue na abertura sinaliza o tipo de produção que a Toho queria vender, mais próxima da ficção científica adulta que do programa infantil.
Quem canta o encerramento é Mika Chiba, que também está no elenco da série, na frente das câmeras. Não é uma cantora contratada para o tema: é a própria atriz fechando cada episódio com a voz.
Canção de personagem dedicada ao protagonista, usada em quatro episódios específicos, todos no bloco em que a série aprofunda o arco dele.
Escrita para representar Lucifer. Dar canção própria ao antagonista é um recurso que a série usa para elevar o vilão à mesma altura dramática do herói.
Segunda das três faixas cantadas por Mika Chiba, usada na reta final da série.
Ichiro Nitta assina a trilha incidental e ainda compôs duas das canções de inserção, o que dá coesão entre o que toca por baixo das cenas e o que os personagens "cantam".
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FINALIbope japonês (Video Research, região de Kanto), com a virada fatal na mudança de horário.
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Quadros da série original de 1988. Imagens via The Movie Database.