Um misterioso robô gigante aparece
謎の巨大ロボ出現
ESTREIA
Cinco jovens, biopartículas de outro planeta e o Império Gear de Doctor Man. A série que modernizou o Super Sentai e que Hollywood tentou transformar em Power Rangers anos antes de todo mundo.
Choudenshi Bioman foi ao ar na TV Asahi entre 4 de fevereiro de 1984 e 26 de janeiro de 1985, aos sábados às 18h, em 51 episódios de 25 minutos, como oitava série da metassérie Super Sentai. A produção coube a Moriyoshi Kato pela TV Asahi, Seiji Abe e Takeyuki Suzuki pela Toei e Yasuhiro Tomita pela Toei Agency, com Hirohisa Soda como roteirista-chefe, assinando 37 dos 51 roteiros, Nagafumi Hori na direção principal, Tatsumi Yano na trilha incidental e Ichiro Murakoshi na narração. A Toei entrou no projeto com um diagnóstico declarado, o de que a fórmula de vilão da semana com desfecho fechado tinha fôlego curto para sustentar o interesse do público ao longo de um ano inteiro. A resposta foi mexer ao mesmo tempo em nomenclatura, tecido dos trajes, sistema de câmera, estrutura de inimigos e arquitetura dramática, e é por causa desse pacote que os livros de produção da Toei tratam a série como ponto de virada da franquia.
A palavra sentai saiu do nome da série, e os heróis passaram a ser chamados por cor mais número, de Red One a Pink Five, no lugar da fórmula anterior de nome da equipe mais cor. Os trajes abandonaram o algodão com náilon e adotaram o Opekotto, fibra sintética elástica e resistente ao calor que ficaria em uso na linha a partir dali. O sistema de câmera Toutsu ECG, já rodando nos Metal Heroes desde Uchuu Keiji Gavan, entrou de vez no Super Sentai com Bioman e seguiria até Ohranger, em 1995. As máscaras ganharam diodos emissores de luz piscando, detalhe que amarrava o super-elétron do título. Foi também a partir desta série que o nome do inimigo passou a aparecer em legenda na sua primeira entrada em cena. Nas batalhas de robô gigante, antes rodadas apenas em estúdio, a equipe passou a filmar em exterior, com suspensão por guindaste e coreografia mais trabalhada.
A primeira versão do projeto era outra série. A ideia trazia heróis do folclore japonês, Momotaro, Kintaro, o Pequeno Polegar e a princesa Kaguya, banhados pelas biopartículas no passado e trazidos ao presente por viagem no tempo para lutar ao lado de uma mulher contemporânea. A proposta caiu cedo, com o argumento de que não havia garantia de que toda criança conhecesse os contos. O conceito migrou para o registro hi-tech e levou ao título a palavra biotecnologia, termo que então começava a circular no Japão. A associação com modificação biológica fez a equipe cogitar heróis ciborgues, descartados por destoarem do tom claro e festivo que a franquia mantinha como conceito unificador; chegou-se também a estudar cinco protagonistas alienígenas, e os nomes dos personagens mudaram várias vezes até a versão final. Do plano antigo sobraram resíduos, entre eles a comunicação de Shiro Gou com animais e parte das fichas de personagem: Mika Koizumi se chamava Shinoyama Mika no rascunho e era a única do grupo nascida no presente. O Bio Robo, batizado Bio King no projeto inicial, ganhou vontade própria pela mesma cartilha antimesmice, com o objetivo declarado de criar convivência entre piloto e máquina.
Um time de cinco homens chegou a ser cogitado e foi descartado porque estreitava demais as possibilidades de drama. Takeyuki Suzuki propôs então duas mulheres no núcleo, com um raciocínio prático: uma sozinha tende a virar figura decorativa, duas permitem cena e conflito entre elas. Havia resistência interna, baseada na leitura corrente de que guerreiras não funcionavam bem em produto voltado a meninos, e o resultado inverteu o argumento a ponto de, no planejamento de Changeman no ano seguinte, surgir a sugestão de um time inteiramente feminino. Foi nesse mesmo núcleo que a produção enfrentou seu maior problema de bastidor, a saída de Yuki Yajima, a primeira Yellow Four, ainda no começo da temporada. A saída virou roteiro: a fotógrafa Mika Koizumi morre no episódio 10, Sayonara Yellow, exibido em 7 de abril de 1984, depois de obrigar Mason a esgotar na própria Mika a munição Anti-Bio da Bio Killer Gun, e o velório é feito com ela ainda no uniforme amarelo. A arqueira Jun Yabuki, vivida por Sumiko Tanaka, estreia no episódio 11, uma semana depois. O remendo teve custo de produção: o episódio 9 já havia sido filmado com Mika e precisou ser refeito, a estreia de Jun não pôde entrar imediatamente na sequência, e uma cena já rodada em que Jun dá um tapa em Hikaru, presente no trailer do episódio 15, acabou cortada da versão final.
Hideo Kageyama, engenheiro de robótica que estimulou o próprio cérebro em experimento consigo mesmo e pagou com envelhecimento acelerado, é o primeiro chefe de organização inimiga da franquia a ser um ser humano, ainda que convertido em ciborgue. A escolha vem acompanhada de uma estrutura narrativa: Suzuki trazia a experiência da linhagem de Robôs Românticos de Nagahama, e Soda montou sobre o caso semanal uma continuidade de folhetim, com o triângulo entre Doctor Man, o filho verdadeiro Shuichi e o androide Prince, construído à imagem do rapaz, além do reencontro de Shiro Gou com o pai, Shinichiro, escondido sob a identidade do professor Shibata. Duas outras decisões estruturais saem do mesmo desenho. Os monstros de tamanho humano deixaram de ser descartáveis e viraram elenco fixo, ao lado dos generais, o que obrigou cada batalha gigante a trazer um robô inimigo sem relação de forma com o vilão da semana. E tanto o time quanto o Bio Robo ganharam uma identidade visual comum para as finalizações, com o Bio Robo girando em torno de uma arma central, a Super Maser, ainda que executasse diversas técnicas e cortes nomeados ao longo da série. A padronização era deliberada, para fixar a identidade dos personagens junto ao público infantil. O drama romântico, inspirado no anime Tosho Daimos, também chegou a ser estudado e foi adiado por avaliação de que ficaria cru demais em imagem real diante dos pais, indo amadurecer só em Jetman, em 1991.
O visual do Novo Império Gear é em boa parte de Yutaka Izubuchi, dos Mechaclones aos Jyunoid. Os soldados aparecem nas pranchas com o nome de projeto Fightnoid, e Izubuchi atribui o desenho à influência dos mecha robôs da primeira metade de Super Robot Red Baron. Ele defendia feras inteiramente robóticas, e Suzuki pediu elementos animais para facilitar a leitura pelo público infantil, o que explica por que as versões reforçadas do terço final voltam a enfatizar o lado mecânico, dessa vez a pedido do próprio designer. A fortaleza Neo Graad foi usada em tela diretamente a partir da ilustração de Izubuchi, sem que se construísse maquete. No terreno comercial, a Popy, responsável pelos DX Chogokin da franquia, foi absorvida pela Bandai durante a exibição de Dynaman, de modo que Bioman já saiu com a linha sob a marca Bandai, incluindo o DX Denshi Gattai Bio Robo. O robô, com 52 metros e 920 toneladas de ficha e acabamento sóbrio em preto, puxou a linha na direção do mecha realista, e o suit actor Hideaki Kusaka registrou que o traje era mais fácil de movimentar que os dos robôs anteriores.
Fora do Japão, a série estreou na França pelo Canal+ em 1985, aos sábados às 12h30, com dublagem produzida pela AB Groupe no Studio Garcia Ktorza, e migrou para a TF1 em 2 de setembro de 1987 dentro do Club Dorothée, com tema francês gravado por Bernard Minet. O tamanho da audiência francesa levou a AB Groupe a importar e dublar outras séries Super Sentai para a região. Bioman também foi ao ar no Channel 7 da Tailândia entre abril de 1985 e maio de 1986, na ABS-CBN das Filipinas entre 1987 e 1988 e na IBC entre 1993 e 1994, saiu em vídeo doméstico na Grécia em 1987 como Electronic Bionic Man e ganhou dublagem coreana em 1990, pela Daeyoung Panda, como Space Commando Bioman. Foi esse desempenho que atraiu Haim Saban, que em 1986 produziu o piloto americano Bio-Man, com Mark Dacascos, Miguel Núñez e Tricia Leigh Fisher no elenco e um robô assistente derivado de Peebo. O piloto foi oferecido a várias emissoras, não encontrou comprador e nunca foi ao ar, mas a ideia voltaria em 1993 no Mighty Morphin Power Rangers. No Brasil a série nunca passou na TV aberta, e ainda assim deixou rastro, detalhado adiante neste verbete.
Mais que uma série sobre biotecnologia, Bioman é uma história sobre a fronteira entre homem e máquina. Doctor Man começa humano e voluntariamente transforma o próprio corpo, mas não consegue eliminar os sentimentos pelo filho. Prince é uma máquina construída para ocupar o lugar desse filho; Brain aprende amizade com Hikaru; Peebo sente medo, luto e coragem; e até o Bio Robo toma decisões para proteger seus pilotos. Enquanto o vilão tenta provar que a máquina é superior ao homem, a própria série demonstra repetidamente que suas máquinas só se tornam completas quando aprendem comportamentos humanos. Essa contradição dá unidade a histórias que, vistas isoladamente, poderiam parecer apenas aventuras semanais.
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Os cinco Bioman, o robô tutor Peebo e o vilão-mor do Império Gear. Entre parênteses, o ator ou atriz por trás de cada um.
O Novo Império Gear, comandado pelo ciborgue Doctor Man a partir da fortaleza Neo Graad, no Polo Sul. Seus generais não são monstros descartáveis: têm personalidade, disputas internas e, em alguns casos, um destino trágico.



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A ação de Bioman saiu de um único fornecedor: a JAC, o clube de dublês fundado por Sonny Chiba, com Junji Yamaoka na direção de ação. E o número que importa é este: oito pessoas cobriam os cinco heróis, o robô gigante, Silva, Peebo e parte dos monstros da semana. O sistema obrigava acúmulo de papéis dentro do mesmo seriado, às vezes dentro do mesmo episódio: Makoto Kenmochi alternava o Green Two com o monstro Mettzler, Hideaki Kusaka saía do Bio Robo para vestir o Psygorn, Hirotsugu Tsujii deixava a Yellow Four para virar o Juuoh. O confronto de gigantes que a criança via era, com frequência, dois colegas de clube se batendo.
Quando Bioman estreou, Kazuo Niibori já vinha de cinco vermelhos consecutivos, desde Battle Fever J, em 1979. E continuaria no posto por mais oito anos. Boa parte do que se entende como "jeito de Red", a pose ao aterrissar um salto, o tempo de sacar a arma, o queixo erguido antes da ordem de ataque, é vocabulário que passou pelo corpo dele ao longo de treze anos de franquia.
O detalhe de bastidor: Niibori nunca foi filiado à JAC. Os créditos o abrigavam sob o guarda-chuva do clube, mas o posto de Red era dele por mérito próprio, independente da logomarca que assinasse a ação do seriado.
Bioman ainda deu a ele um bônus raro: nos episódios 25 e 26, aparece fora do traje, como o Conde Drácula. É uma das poucas chances de ver o rosto do homem que passou a década sendo visto só pelo visor.
Makoto Kenmochi é o retrato do sistema que sustentava a série: no crédito, Green Two; na escala real, também o monstro Mettzler. O herói de uma cena e o vilão de outra saíam do mesmo corpo, e esse acúmulo não era exceção no seriado, era o método de trabalho.
O verde ainda foi o posto mais dividido do time. Hirofumi Ishigaki revezava o traje com Kenmochi, e nos intervalos vestia o monstro Aquaiger e cobria o Juuoh. Oito corpos para todo o elenco de ação significava que ninguém ficava parado entre uma tomada e outra.
Em 1984, Tsutomu Kitagawa já era veterano do posto azul: tinha vestido o Denzi Blue em Denziman e passado por Sun Vulcan antes de chegar ao Blue Three. Era um dos corpos mais constantes da linha de frente da JAC no período.
Quinze anos depois veio a consagração improvável: a Toho o escolheu para ser o Godzilla da era Millennium. Kitagawa carregou o traje mais pesado do cinema japonês em Godzilla 2000, Megaguirus, Godzilla X MechaGodzilla, Tokyo SOS e Final Wars (2004), o último filme japonês do monstro antes do hiato.
Em 2007 voltou para casa: reapareceu na franquia Super Sentai já sob o nome atual do clube, JAE (Japan Action Enterprise), acumulando pontas como ator de rosto além do trabalho de ação. O esquadrão e o kaiju, na mesma carreira.
A Yellow Four foi a primeira personagem feminina da carreira de Hirotsugu Tsujii. A prática era padrão na era: as coreografias exigiam impacto físico que a produção não confiava a atrizes sem formação de dublê, então as heroínas de cena eram, por baixo do capacete, homens do clube.
É por isso que a troca mais dramática da série não mudou nada nas lutas. Mika morreu no episódio 10, Jun assumiu no 11, duas atrizes diferentes na frente das câmeras, e o corpo dentro do traje amarelo seguiu o mesmo, de ponta a ponta. A continuidade física da Yellow Four é inteira de Tsujii.
Nos intervalos do amarelo, ele ainda vestiu o monstro Juuoh e um Mechaclone no episódio 50. Herói, monstro e soldado descartável, no mesmo contracheque.
A Pink Five que está na tela é a despedida de Michihiro Takeda: Bioman foi a última série da carreira dele dentro de um traje. Ao fim das gravações, pendurou o capacete e passou para o outro lado, virou coordenador de ação.
É o caminho clássico do clube: o dublê que conhece cada limitação do traje por dentro se torna quem desenha as cenas para a geração seguinte. Cada queda e cada corte da Pink Five em 1984 vinha de alguém já a caminho da prancheta.
A inversão perfeita do quadro: enquanto as duas heroínas eram vestidas por homens, dentro do robô Peebo havia uma mulher, Nahoko Nomoto. O personagem era montado em duas metades que nunca se encontravam: o corpo de Nomoto no set, a voz de Yoshiko Ota gravada no estúdio.
No filme de cinema, Nomoto ganhou um raro momento fora do robô: liderou o Esquadrão Cat ao lado de Kaori Kikuchi e Shinobu Shimura, as três em cena de ação aberta, sem máscara de mascote.
O expediente de Hideaki Kusaka em Bioman era o mais esquisito do elenco: num dia, o herói de cinquenta metros; noutro, o Psygorn, monstro que enfrenta esse mesmo herói. As lutas de gigantes da série colocavam frente a frente dois trajes que ele conhecia por dentro.
Traje de robô gigante é a especialidade mais ingrata do ofício: visão quase nula, armadura rígida, movimento que precisa parecer pesado sem nunca parecer lento. Kusaka fez disso a carreira inteira, e seguiu como o gigante de plantão da franquia por décadas de robôs, vilões colossais e mechas.
A escalação de Yoshinori Okamoto foi planejada com antecedência incomum. O diretor de ação Junji Yamaoka já o queria para Silva, e o Mechaclone nº 1 do episódio 28, um robô decrépito usado como faz-tudo do Gear, serviu, na leitura do próprio Okamoto, como sua apresentação discreta ao set antes do papel grande. Ele conta que gostou do papel já na primeira leitura do roteiro.
Quando Silva finalmente entra, no episódio 37, a série muda de eixo: um caçador que não responde nem ao Gear nem aos Bioman, e que briga pela própria máquina, o Balzion. A fisicalidade seca de Okamoto é parte do que faz o terço final funcionar, e coincide com a recuperação de audiência que fecha a série em alta.
O quadro também explica por que a troca de Mika por Jun, na frente das câmeras, não mudou nada nas cenas de luta: o corpo dentro do traje amarelo era o mesmo, de Hirotsugu Tsujii, do episódio 1 ao 51. E do lado dos vilões, a JAC completava o elenco com Yukari Oshima fazendo os próprios nunchakus como Farrah Cat. Clique nas abas para abrir cada ficha.
A trilha de Bioman foi assinada por um time pequeno e coeso. Takayuki Miyauchi canta a abertura e o encerramento, e para ele a série foi a estreia como voz solo de um tema principal de Super Sentai depois de anos fazendo inserções. A composição dos dois temas é de Kunihiko Kase, que nos anos 60 tinha sido guitarrista do The Wild Ones, um dos grupos centrais da era Group Sounds do rock japonês, e a letra é de Chinka Kō. Tatsumi Yano arranjou os dois temas e ainda assinou toda a trilha incidental dos 51 episódios, o que dá à série uma unidade sonora rara para a época: é a mesma mão desenhando a abertura, o encerramento e o que toca por baixo das cenas.
A discografia completa vai bem além dos dois temas conhecidos. São dez canções gravadas para a série, entre inserções, temas de personagem e canções de imagem, reunidas em definitivo só em 1996, no CD Complete Song Collection. E há uma faixa que costuma passar despercebida: "Yūyake no Pegasus" é cantada por Ryosuke Sakamoto, o próprio ator que interpreta Shirou Gou, o Red One.
Foi a estreia de Takayuki Miyauchi como voz solo de um tema de abertura de Super Sentai, depois de anos fazendo inserções e vinhetas. A composição é de Kunihiko Kase, que nos anos 60 tinha sido guitarrista do The Wild Ones, um dos grupos centrais do rock japonês da era Group Sounds. A combinação de um vocalista de tokusatsu com um compositor vindo do rock é parte do que dá ao tema aquele peso de guitarra que destoa das aberturas anteriores da franquia.
O encerramento saiu no verso do mesmo compacto e manteve a equipe inteira da abertura. É uma faixa mais contida, construída sobre o mesmo vocabulário melódico do tema principal, o que faz o compacto funcionar como um par e não como uma música e um complemento.
Aqui estão os dois créditos mais surpreendentes da trilha inteira. A letra é de Hirohisa Soda, o roteirista-chefe da própria série, que assinou 37 dos 51 episódios: o mesmo homem que estruturou o arco do Império Gear escreveu a canção do robô de apoio. E a música é de Kohei Tanaka, que anos depois se tornaria um dos compositores mais conhecidos do Japão, responsável pela trilha de One Piece, entre muitas outras. É um daqueles créditos que só ficam visíveis olhando para trás.
Tatsumi Yano assinou a música incidental e também arranjou os dois temas cantados, o que dá à série uma unidade sonora rara para a época. É a mesma mão desenhando a abertura, o encerramento e o que toca por baixo das cenas, e isso ajuda a explicar por que a identidade sonora de Bioman soa tão coesa quando comparada à de séries vizinhas.
A audiência de Bioman está documentada episódio a episódio, e os números seguem a compilação japonesa de índices da região de Kanto, os mesmos que já usamos na seção Super Sentai do Kyoudai Express. São 51 registros sem lacunas, do primeiro ao último episódio. A média da série fechou em 10,55%, e esse número ganha sentido quando comparado com o resto da metassérie: no conjunto de séries que mapeamos, é a segunda maior média já registrada, atrás apenas de Himitsu Sentai Goranger, que marcou 16,09% em uma outra era da televisão japonesa, e bem à frente de nomes que a memória do fã costuma tratar como equivalentes, como Jetman com 7,09%, Zyuranger com 7,14% e Gaoranger com 8,84%. Bioman não foi apenas a série que reorganizou o desenho e a gramática do formato. Ela sustentou esse experimento com público real, semana após semana, durante um ano inteiro.
A largada foi das melhores da franquia. A estreia, em 4 de fevereiro de 1984, cravou 11,8%, e o primeiro bloco de treze episódios se firmou como o trecho mais forte de toda a série, com média de 11,53%. É nesse intervalo que aparecem alguns dos maiores números do ano, como os 12,9% do episódio 10 e os 12,8% do episódio 13. O detalhe mais interessante desse começo é o que acontece justamente no episódio 10, "Adeus Amarelo", que marca a saída de Mika Koizumi: em vez de afastar o público, foi o terceiro maior índice da série inteira, e o episódio seguinte, com a entrada de Jun, sustentou 12,1%. A troca de heroína no meio da temporada, uma decisão de produção que poderia ter custado caro, não produziu qualquer fuga imediata de audiência. O ajuste veio depois, e por razões que a curva mostra com clareza.
O tombo chegou no episódio 14, exibido em 5 de maio de 1984, que despencou para 7,8% e marcou a primeira vez abaixo dos 8%. A partir dali a série entra no seu trecho mais irregular e mais longo: o segundo bloco de treze episódios cai para média de 9,95% e o terceiro fica praticamente no mesmo patamar, com 9,98%. No total, 16 dos 51 episódios ficaram abaixo da marca de 10%, e o piso absoluto veio no episódio 22, em 30 de junho de 1984, com 7,7%. É um vale que dura quase metade da temporada, o período em que a série trabalha a estrutura do Império Gear e aprofunda Doctor Man sem ainda ter apresentado a ameaça que reorganizaria o terço final.
A recuperação inverte a curva de forma consistente. O bloco dos episódios 40 a 51 sobe para média de 10,73%, e é nele que está o maior índice de toda a série: 13,6% no episódio 43, exibido em 24 de novembro de 1984, seguido de perto pelos 13,0% do episódio 44. A retomada coincide com a chegada de Bio Hunter Silva e com o endurecimento do arco final, quando a série passa a operar com uma ameaça externa que não responde nem ao Gear nem aos Bioman. O encerramento confirma o movimento: o episódio 51, "Adeus! Pibo", foi ao ar em 26 de janeiro de 1985 com 10,3%, acima da média da própria série. Bioman terminou estável, sem a erosão que costuma marcar o fim de temporadas longas, e é esse conjunto, mais do que qualquer pico isolado, que ajuda a explicar por que a Toei tratou o pacote de decisões da série como base consolidada para o que veio depois.
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ESTREIA集合!宿命の戦士
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脱出!わなの町!
柴田博士の正体!?
出現!バルジオン
危うしバイオロボ
突撃ネオグラード
さよなら!ピーボ
FINAL{{ impactoNote }}
Bioman chegou à França em 1985, pelo Canal+, aos sábados ao meio-dia e meia. Em 2 de setembro de 1987 migrou para a TF1, dentro do Club Dorothée, o programa infantil que virou fenômeno nacional depois da privatização do canal e que chegou a ocupar quase 30 horas semanais da grade. A dublagem saiu pelo estúdio Garcia Ktorza, sob licença da AB Groupe, e o tema de abertura ganhou uma versão francesa gravada por Bernard Minet.
Essa versão fez algo que nenhuma abertura de tokusatsu costuma fazer: entrou nas paradas de verdade. "Bioman", de Bernard Minet, chegou ao 9º lugar do Top 50 francês em maio de 1988, e foi o primeiro hit real do Club Dorothée desde a estreia do programa. Não era uma música de nicho tocada dentro de um bloco infantil. Era um single competindo com o mercado.
E aí veio o problema que gerou a parte mais estranha dessa história. O Club Dorothée ficou sem episódios. Bioman tem 51 e acabou. Mas a marca estava valendo dinheiro demais para ser abandonada, e a AB Groupe tomou uma decisão que soa absurda hoje: continuou a série com séries que não eram a série. Hikari Sentai Maskman virou "Bioman 2: Maskman" e estreou no Club Dorothée em 8 de junho de 1988. Choujuu Sentai Liveman virou "Bioman 3: Liveman", em 31 de maio de 1989. Três produções japonesas sem qualquer ligação entre si, sem continuidade, sem personagens em comum, vendidas ao público francês como uma trilogia.
O resultado é que existe uma geração inteira de franceses para quem Bioman é uma franquia de três temporadas. Uma franquia que não existe no Japão. Lá, Bioman, Maskman e Liveman são a 8ª, a 11ª e a 12ª série de uma metassérie chamada Super Sentai, cada uma com seu elenco, seu universo e seu encerramento. A trilogia francesa é uma invenção comercial que sobreviveu à memória afetiva de milhões de pessoas, e ainda hoje é comum ver fãs franceses descobrindo tarde que os "três Bioman" nunca foram parentes.
O quanto isso penetrou na cultura francesa dá para medir por um detalhe: o trio humorístico Les Inconnus, um dos maiores nomes da comédia televisiva do país, fez um esquete paródico chamado "Biouman". Séries importadas não costumam render paródia em horário nobre. Bioman rendeu.
Maskman e Liveman estão na nossa galeria de wallpapers. Na França dos anos 80, os três teriam o mesmo nome.
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Quadros da série original de 1984. Imagens em alta resolução via TMDB.