Entrevista · Arquivo 2018
ショッカー大野の秘密基地へようこそ · 第126回

A Longa Trajetória de Hirofumi Ishigaki Como Suit Actor

O eremita da ação japonesa fala pela primeira vez ao microfone: Yamagata, o sonho americano abortado, a peneira semanal da JAC, o apelido Ika-tarō, sete anos de herói, o punho bêbado — e o dia em que caiu no tanque dos hipopótamos.

Hirofumi Ishigaki no estúdio do programa
Fonte Web-rádio Bem-vindos à Base Secreta do Shocker Ōno, episódio 126, distribuído em 1º de abril de 2018 — cerca de 109 minutos, produção da gráfica de doujinshi Neko no Shippo. Ouvir a fonte original →
Hirofumi Ishigaki
O convidado · イカちゃん
Hirofumi Ishigaki 石垣広文 · n. 1963

Suit actor de sete esquadrões seguidos, o corpo dentro do Mechagodzilla de 2002 e diretor de ação de oito temporadas consecutivas de Super Sentai. Nunca deu entrevista na internet aberta — esta foi a primeira vez que falou num programa de rádio.

Shocker Ōno
O anfitrião · 秘密基地
Shocker Ōno

Ator, locutor e ex-soldado inimigo da agência M Project. Conheceu Ishigaki nos sets de Goggle V, no começo dos anos 1980, e levou mais de trinta anos para arrancar dele uma conversa ao microfone. "Se não for assim, ele não vem."

01
Abertura
Um eremita no estúdio
Ōno apresenta

O convidado de hoje é uma amizade de mais de trinta anos. Começamos na época dos policiais espaciais, os uchū keiji; depois vieram muitos e muitos anos de Super Sentai, os Kamen Riders da era Heisei como suit actor e, por fim, a direção de ação. O convidado de hoje: Hirofumi Ishigaki!

Ishigaki

Boa noite. Sou o Ishigaki, que o Ōno obrigou a vir. Pode dizer quantas vezes quiser: fui obrigado.

Ōno

Foi à força mesmo. Porque, se não for assim, ele não vem. Existe até uma fama de que você não conversa, não aparece na frente do público. Sempre me chegava esse boato. Você é o eremita do mundo da ação: o homem que ninguém consegue trazer para a frente do público.

Ishigaki

É o diretor de ação Junji Yamaoka. "Quem é de bastidor, dedica-se ao bastidor." O dublê se apaga atrás da câmera. Na época em que ele ainda era ativo como diretor de ação, ensinava isso, e a gente seguia à risca. Era outra época.

Ōno

Hoje é uma coisa impressionante. Até suit actor virou nome bonito. No nosso tempo não existia essa palavra: a gente era chamado de stuntman, de action man, de "moço do kigurumi". E, se um desses faz um evento hoje, um numerozinho que seja, esgota ingresso na hora. Pois é nesse cenário que eu digo: vamos, hoje, quebrar a regra de uma vez.

"Quem é de bastidor, dedica-se ao bastidor. O dublê se apaga atrás da câmera."

A regra de Junji Yamaoka que Ishigaki seguiu por quarenta anos
02
O apelido
De Alien Icarus a Ika-tarō
Ōno pergunta

Na Japan Action Club — hoje Japan Action Enterprise — os veteranos te chamam de Ika, Ika-tarō. Dizem que quem colou o apelido foi o Tsutomu Kitagawa.

Ishigaki

Foi o Kitagawa mesmo, ou por aí. E, como depois eu continuei fazendo os shows do Kōrakuen, todo mundo pegou pela primeira impressão. Ikarus... virou Ika-tarō. E também Ika-chan. O diretor de efeitos especiais, por exemplo, me chama de Ika-chan. É dessa turma de gente que me chama de Ika-san, Ika-chan, Ika-tarō.

Ōno conta

A origem é o teatro ao ar livre do parque Kōrakuen. Na época de Sun Vulcan, o show de Ano-Novo, o "Grande Encontro dos Super Heróis". O principal era o Sun Vulcan, mas entravam heróis de épocas anteriores — Denji Green, Battle Japan, Kamen Rider Stronger entrando de moto no palco, Ultraman Taro. E, para o Taro, precisava de um vilão da linhagem Ultra: então, sabe-se lá por que, entra o Alien Icarus. E o roteiro, sem cerimônia: "Você, Alien Icarus, foi derrotado pelo raio do Ultraman Taro". E a gente por dentro pensando: mentira deslavada, o Icarus nem é inimigo do Taro. O pessoal de cima inventava as continuidades a bel-prazer, e nós, por dentro do traje, resmungando enquanto assistíamos.

Ishigaki

Virou apelido. Assim, do jeito que estava. E, por um tempo, com Goggle V e o resto, fui sempre o Kōrakuen — então, pela imagem daquele primeiro personagem, todo mundo me chamou assim. De Ikarus.

Herói de tokusatsu em pose de combate
O palco e o set: por anos, Ishigaki foi "o Kōrakuen" — o corpo que entrava em qualquer traje que o espetáculo pedisse, herói ou vilão.
03
Origens
Yamagata, a natação e o sonho americano
Ōno pergunta

Nascido na província de Yamagata. Como era o menino Hirofumi?

Ishigaki

Bem no meio da terra da cereja, um lugar chamado Sagae. Quase ninguém conhece. Perto tem Tendō, essa às vezes conhecem. Cercado de natureza. Da criança em si eu não lembro muito. Só brincava. Rio, riacho, era esse tipo de coisa. Interior daquele jeito não tinha esporte, não tinha clube esportivo, nada especializado.

Fiz um pouco de judô. Mas o negócio foi a natação, e por acaso. Quando pequeno, só pulava no rio, e por isso não sabia nadar em piscina. Na sexta série me puseram na turma dos que não sabiam nadar, para aprender direito — só que nadar no rio até é mais difícil. E, nesse mesmo ano, sabe-se lá como, me escalaram como titular para o campeonato distrital, pela turma dos que "não sabiam nadar". Daí, no ginásio, fui titular em toda competição, cheguei ao campeonato da província. Entrei no colegial por recomendação esportiva. Sem prova de vestibular.

Ōno pergunta

E televisão? Somos da mesma geração, a geração criada na TV.

Ishigaki

Lá em casa pegavam três canais, contando a NHK. A TBS vinha do lado de Miyagi: as ondas atravessavam a montanha e a gente assistia com aquele chuvisco, meia imagem, meia estática. Via na areia. Então não fui tão "criança de TV" assim. De herói, quase não tenho lembrança. Kamen Rider eu conheci mais pelo mangá, o trabalho original do professor Ishinomori. Ultraman também parei mais ou menos no Seven.

Mangá eu lia muito. Eu tinha um irmão mais velho e era o mensageiro dele: desde o começo do primário, ele me dava o dinheiro e mandava comprar, umas oito, nove da noite. E não era livraria — livraria ficava longe, era a vendinha de secos e molhados, que àquela hora já estava fechando. Interior não tinha conveniência; eu nunca tinha visto uma na vida. Lia Shōnen Magazine, essas coisas. E aí, sabe-se lá por que, no colegial migrei para o mangá shōjo. Kabamaru, Patalliro... Igano Kabamaru. Foi mais ou menos na época do Kabamaru que achei que ação era uma coisa divertida.

Ōno pergunta

E o futuro? Já pensava "o que eu faço da vida"?

Ishigaki

Meu tio era animador, então a palavra "animador" existia lá em casa. Pensei em virar animador — na verdade eu desenhava bem. Fui ver de perto, mas naquela época não era como hoje, com computador; era tudo feito à mão. E uma folha valia poucas centenas de ienes, não dava para comer daquilo. Aí pensei: então quero ir para a América.

Ōno estranha

Espera — de animador para a América. Como isso se liga?

Ishigaki

Para ir para a América precisa de dinheiro. E aí vi: "recrutam-se stuntmen". Stuntman, em um ou dois anos, junta uma bolada. Trabalho comum, salário fixo, pegar trem todo dia, isso rende pouco. Se é para juntar de uma vez, em pouco tempo, tem que ser arriscando a vida. Era a época da JAC, com a Etsuko Shihomi e companhia em alta. Achei aquilo incrível e me candidatei. Vi num anúncio do Sports Nippon.

Eu não tinha aquela admiração toda pela JAC. Era só a ponte para a América. Ia largar em dois anos.

"Para quem não fazia nada, 'stuntman' soava como quinhentos mil ienes por salto."

Ishigaki, sobre a conta que fez para financiar o sonho americano
04
A peneira
Cinquenta candidatos, cinco sobreviventes
Ōno pergunta

Na época, a JAC ainda era um fenômeno: pela popularidade da Etsuko Shihomi e do Hiroyuki Sanada, as turmas onze e treze tiveram milhares de candidatos.

Ishigaki

A minha foi bem menor, uns cinquenta. Bem depois desse pico, um vão ali no meio. Em regra era uma turma por ano. Mas eles ficaram tão populares que o Sonny Chiba quis transformar todo mundo em ator. E aí faltava gente para os programas infantis da Toei, que eram o ganha-pão. Daí o "recrutam-se stuntmen". A gente entrou por essa porta.

Oficialmente devem ter entrado uns trinta. Mas, com o treino, a cada semana ia caindo metade, metade. Sobraram uns cinco, seis. Esses passaram a ir para os sets.

Ōno lembra

E o que você pegou de cara foram os grandes veteranos: Goggle V e Gavan, do mesmo ano. E os shows do Kōrakuen.

Ishigaki

E nessa época, também, uns bicos, aqui e ali.

Bastidor · a casta dos novatos

"Eu e o Shoji vivíamos os dois carregando as cinco máscaras dos cinco heróis. O outro carregava a máscara do monstro. Não dava para pedir isso aos veteranos de cima. As cinco eram pesadas, ninguém podia pedir. Aí o Ōno vinha e, de vez em quando, ajudava a segurar. Salvava demais."

"Sapato, antigamente, não tinha tamanho certo. Separava-se o tamanho certo para os veteranos, e a gente calçava o que sobrava — às vezes um pé 24,5 e o outro 27."

"Gente-trampolim": ficar embaixo segurando o colchão para os veteranos que pulavam do alto. Tinha dia em que a gente ia embora sem entrar num único corte.

Ishigaki
05
O encontro
A toalha dobrada em quatro
Ōno recorda

Eu sou de outra agência, a M Project, e me mandavam ajudar nos sets da JAC. Foi mais ou menos em paralelo aos gêmeos Hachisuka que eu fui para Goggle V e conheci o Ika-chan. Num episódio, alguém se machucou numa descida de tirolesa; no dia seguinte a pessoa estava lá, normal, em cima de um caminhão em movimento, trocando golpes contra os soldados Madara. E o seu Fukui, dos adereços, ria: "hoje é Madara Amarelo e Madara Azul, que Madaras chiques".

Ōno recorda

E foi aí que eu vi o Ika-tarō: dobrava a toalha de banho em quatro, encostava no vidro da janela do ônibus e dormia com aquilo de travesseiro, sorrindo. Sempre com aquela cara serena. Eu nem sabia seu nome. "Que sujeito sereno", pensei.

Ishigaki

Em Goggle V éramos mais eu e o Shoji, o Hirokazu Shoji. Foi um dos primeiros amigos que fiz. Foi essa turma o primeiro pessoal com quem fiz amizade no set. Disso eu lembro.

Ōno explica

A gente era da "dupla do obturador": dois figurantes cruzando o quadro na frente da câmera, da esquerda para a direita e da direita para a esquerda, alternando. Um monte de gente aparecendo, só pelo movimento. Não lutava; só cruzava de um lado para o outro. Como quem fecha e abre um obturador.

Ishigaki

E, mesmo começada a ação, demorava a deixarem a gente entrar de fato. No Sentai, com dez soldados, a gente nem sempre estava. Em Gavan só tinha cinco — com cinco, a taxa de aparição de cada um sobe. Nesse sentido, os uchū keiji davam mais o que fazer, tinham mais graça. E, no fim, me usaram bastante, graças a Deus.

06
A promoção
Dynaman: de soldado a monstro
Ōno pergunta

Em Dynaman você participou praticamente o ano inteiro. Promoção: de soldado a monstro.

Ishigaki

Foi de Dynaman que comecei a fazer monstro. O Tsujii falou que queria fazer o Kōrakuen e foi para lá; a vaga de monstro abriu, e assumimos eu e o Koji Nakamura. Meio que como terceiro na fila. E monstro é diferente de soldado: tem atuação. O Yamaoka me dizia toda santa vez: "O protagonista é o monstro. O único que muda a cada semana é o monstro. Você está no papel principal, faça direito". Aí resolvi levar a atuação a sério, e foi ficando divertido.

Assistente

Aliás, era para largar em dois anos e ir para a América, né?

Ishigaki

Verdade, verdade. Era para eu ter ido.

"O protagonista é o monstro. O único que muda a cada semana é o monstro. Você está no papel principal, faça direito."

Junji Yamaoka, diretor de ação, em Dynaman
07
Os mestres
Bioman: o Blue e a Pink me criaram
Ōno pergunta

Aí vem Bioman, e você faz os Junoids.

Ishigaki

Fiz o Aquaiger, o ano inteiro de monstro. E, quando o Aquaiger morreu na história, passei a fazer também a Rainha, o Juuoh. E foi o ano em que dois veteranos cuidaram de mim: o Kitagawa, que fazia o Blue Three, e o Michihiro Takeda, que fazia a Pink Five. O Blue e a Pink me criaram. Com o Takeda eu vivia saindo para beber.

A gente era o reforço do reforço: um dia em Dynaman, um dia em Sharivan. Como transitava entre os dois, fiquei amigo do pessoal dos dois lados. E do pessoal de produção também.

Ōno pergunta

E os shows do Kōrakuen? A JAC estava sempre lá.

Ishigaki

Sempre. No Kōrakuen a gente se machucava. Eu costumava cobrir o Kitagawa — foi mais ou menos daí que fiquei próximo dele. Umas duas vezes o zíper das costas abriu no meio da ação. Com o zíper aberto, você luta sem dar as costas para a plateia. "Coisa de suit actor", né.

Máscara de herói, raramente cai. Mas às vezes o fecho estourava. Aí é ritual conhecido: fingir que está imobilizando o herói. É resolvido no set, na hora. Grudam, "está aberto aqui", e o herói, não sei por que, para de se mexer. Com gente entrosada, faz enquanto luta. Se não der, chega perto, avisa em voz baixa, todos seguram, arruma — e o herói salta de novo, e segue a cena.

08
Metal Heroes
Metalder: o pistoleiro canhoto
Ōno revela

Em Metalder você fez o Top Gunder. E aqui vai o segredo: o Top Gunder, canonicamente, é canhoto, atira com a esquerda. Você é destro. Então, quem for rever no DVD: se a arma estiver na mão direita, é o Ishigaki.

Ishigaki

O Top Gunder era, originalmente, do Kenmochi. Eu era, dos graduados, o Dranger. E daí, na metade final, comecei a fazer o Top Gunder. Do fim para a frente, é tudo meu.

Herói de tokusatsu em pose de combate num cais
Cada traje impõe um peso, uma geometria e uma personalidade — a gramática que Ishigaki atravessou por sete esquadrões seguidos, de 1988 a 1994.
09
Herói, finalmente
Liveman e o Black Bison que ele mesmo desenhou
Ōno provoca

Agora eu preciso contar uma história que você vai negar. Você, o quase-animador, desenhava mangá — e, na época, quando desenhou por conta um herói seu, o nome do personagem era, por coincidência, Black Bison. Lembra?

Ishigaki

Não lembro.

Ōno insiste

Eu ouvi de você! Pensei "que coisa mais incrível".

Ishigaki

Liveman e Black Bison. Aquilo foi anunciado como obra comemorativa dos dez anos do Super Sentai. Começou com três heróis e depois aumentou para cinco. Mas, desde o começo, eu já fazia monstro, várias coisas; eu já era do elenco de Liveman, já estava no set. Já tinha o Daisuke Shima, a Megumi Mori, gente de nome; dava para sentir que era mesmo a obra dos dez anos, um ar suntuoso. E eu estava ali no set. Não me preparei psicologicamente para grande coisa. Era fazer. Não tinha mais quem fizesse, também.

Ōno pergunta

E dali você emenda um personagem de Sentai atrás do outro: Black Turbo, Five Blue, Yellow Owl, Kirin Ranger, Tiger Ranger. Sete obras seguidas, sete anos.

Ishigaki

Sete anos. Divertido.

Ōno lembra

Nesse meio, o Niibori virou diretor de ação, e você vivia bebendo com ele. E aqui entra o famoso desenho: nos caminhões de equipamento, colado na porta do trailer, tinha um retrato do Niibori tipo robô gigante dizendo "vamos comer fígado cru?". Quem desenhou? "Foi o Ishigaki." Virou até estampa de camiseta do Red Action Club.

Ishigaki

Todo dia era divertido, aquela época. Em Turboranger — você mesmo me disse aquilo, "o set agora está divertido demais". Red com o Niibori, líder; Black comigo; Blue e Pink com os gêmeos Hachisuka; e o Yellow com outro companheiro de turma. Praticamente todo mundo da mesma geração, com o Niibori de chefe no centro, o grupo fechado, entrosamento ótimo.

10
O mais trabalhoso
Dairanger e o punho bêbado
Ōno pergunta

E Dairanger, o Kirin Ranger.

Ishigaki

O mais trabalhoso. Uns três meses antes de os cinco entrarem em gravação, já treinávamos. No meu caso, o punho bêbado, o suiken — o mestre do punho bêbado. Foi duro.

11
Exportação
Zyuranger vira América
Ōno pergunta

Em Zyuranger, o Tiger Ranger — e a história mais maluca de todas. A série virou Power Rangers, foi exportada, e lá o amarelo foi transformado em personagem feminina.

Ishigaki

Antes de transformar, atores americanos. Depois de transformar, aparece de repente o interior de Saitama.

Ōno

De repente é Nova York, e de repente a América vira um close do interior de Saitama. E o movimento é cem por cento do Ika-chan, mas na versão americana está valendo que é uma garota que se mexe. "Então dá para fazer assim", a gente pensava, assistindo.

Ishigaki

Vieram da América pedir para observar o set. "Não dá para fazer com isso", eles diziam. Um ensaio só, e já rodava. Naquela época não tinha monitor, era filme. A gente rodava cento e trinta cortes por dia.

Ōno

Cento e trinta cortes. Uns cento e cinquenta. Americano vendo aquilo deve tomar um choque cultural. E o número de refletores — vocês usavam uns três, com marcação. Lá é dinheiro sem fim, até na iluminação. Aqui, pouquíssimos. Visto de lá, deve ter sido chocante. Mas é motivo de orgulho.

"Antes de transformar, atores americanos. Depois de transformar, aparece de repente o interior de Saitama."

Ishigaki, sobre o Tiger Ranger virar a Yellow Ranger de Power Rangers
12
A voz
B-Fighter, Shigeru Chiba e o microfone de lapela
Ōno pergunta

Nos Metal Heroes da época de B-Fighter aconteceu uma coisa: o Schwarz.

Ishigaki

Eu fazia o corpo, e a voz era do Shigeru Chiba. O homem improvisa sem parar. Dublar de corpo os improvisos dele me obrigou a estudar muito. Falar, gesticular a fala com o corpo — descobri que aquilo era divertidíssimo. E, quando fazia o Kōrakuen, eu era um dos vilões graduados e normalmente quem falava era outra pessoa, de fora. Eu disse "deixem eu falar", pus um microfone de lapela e comecei a fazer eu mesmo. Tinha que decorar o texto inteiro. Hoje em dia quase todo mundo põe.

Ōno pergunta

E o Junichi Haruta, do teatro do Kōhei Tsuka — o veterano que você admirava.

Ishigaki

O Haruta, que eu admirava, esse não muda. Um veterano dos sonhos. E eu disse "quero fazer também". Entrei na lista de membros. Só que a agência atravessou. Barrou. E aí eu pensei: se é assim, enquanto eu fizer este trabalho, nunca vou conseguir dizer o que quero fazer. Então larguei o posto. "Não faço mais nada disso", falei — porque eu queria estar no palco do Tsuka. Fui fazendo bico, esperando a chance, até conseguir participar de fato.

13
Atrás da câmera
"Ótimo, então estuda aqui"
Ōno pergunta

Como suit actor havia aquilo, mas você passa para o lado da direção de ação. Deve ser difícil.

Ishigaki

Aprendia observando. E depois, sempre com o Takeda, colado nele. Pedi conselho a ele e ouvi "quanto antes, melhor". Com a licença da agência, virei sombra dele. Não é qualquer um que vira diretor de ação. Há mais de trinta anos, o chefe da minha agência já dizia: "de agora em diante, ou vocês viram atores, ou viram mestres de esgrima cênica — mas só uma pequena parte consegue". O Sonny Chiba foi o primeiro no Japão a se dar o título de "diretor de ação", uma espécie de exclusividade da JAC. E, mesmo dentro dela, são poucos.

Quando o Takeda ficava ocupado — nos filmes VS e por aí —, eu cobria. E, em dia comum, sem folga, de carona no ônibus, só estudando. Por algum motivo, só vinha trabalho de fora, pela agência: Onmyoji II, Azumi. Aprender fora também importa, cada empresa tem um jeito. Eu queria mais uns anos assim, com calma. E, bem nessa hora, veio o "faça logo": Dekaranger. Indicação de diretor, o Katsuya Watanabe.

Ishigaki

"Se você já estuda esgrima cênica, então vira diretor de ação." Eu: "ainda estou estudando". E ele: "ótimo, então estuda aqui". Foi de Dekaranger que virei diretor de ação titular, por conta própria.

"Eu: ainda estou estudando. E ele: ótimo, então estuda aqui."

Katsuya Watanabe empurra Ishigaki para a cadeira de diretor de ação, em Dekaranger
14
A pedreira
Duzentos heróis enfileirados na neve
Ōno conta

Foi você que me devolveu ao set depois de vinte e cinco anos, na época de Shinkenger: "aqui eu preciso juntar uns cinquenta soldados, vem me ajudar". Éramos uns cinquenta, e transformaram em dez mil por computador. Fui até a cavalo, num cavalo branco.

Ōno conta

Mas o marcante mesmo foi o filme: para juntar todo mundo, duzentos, trezentos suit actors. Seis ônibus de excursão na frente do prédio Subaru, em Shinjuku, de madrugada. No local, a pedreira de Iwafunayama, em Tochigi — neve. Duzentos heróis enfileirados, todos tremendo de frio até gritarem "ação". E, na hora de tremer, um só, sozinho, fazendo a apresentação direitinho. "Só você aí fazendo a pose direito", falaram. "É que meu joelho está gelado", ele disse. Quando gritaram "ação", duzentos heróis abertos em fileira, e a gente pensando "não podemos ficar atrás". E tudo por causa do convite do Ika-chan.

Ishigaki

Não dá para fazer de novo. Gokaiger, eu falei que era meu último Sentai. "Estou cansado, me deixem descansar." E o Sentai terminou para mim. O Fukuzawa também queria a vez. Depois fui para o lado do Rider. Aí abre tudo de novo, logo em seguida.

15
Correio dos ouvintes
Hipopótamos, lhamas e um pescador
Assistente lê

Do ouvinte "Kirin Yellow": de todos os heróis que interpretou, qual o personagem mais marcante?

Ishigaki

Pelo trabalho que deu, foi o Kirin Ranger, aquele que estudou o kung fu. Mas, em termos de obra, a locação de Changeman em Nagasaki — Holland Village, Bio Park. Essa foi a que mais ficou na memória.

Porque aconteceu de tudo. Caí no tanque dos hipopótamos. Fui jogado no meio da manada de lhamas. O tratador avisou antes: "na água ninguém vence o hipopótamo; até outro dia eram seis aqui dentro, agora são dois — dizem que houve canibalismo". Do jeito que ele falou, no instante em que entrei na água, saí voando. No filme revelado, mal aparecem os quadros — de tão rápido que pulei fora. E a lhama: no instante em que eu ia, o Yamaoka fez sinal para me derrubarem exatamente onde as lhamas se juntavam. E aí vieram todas. Assim que caí, o estalo dos cascos rente ao ouvido. Assustador.

Me derrubaram de um barco a motor em pleno mar aberto; o barco seguiu filmando, foi se afastando, e eu boiando sozinho, esperando socorro. Nisso, sabe-se lá de onde, chega um pescador local: "o que você está fazendo aí?". Pois é, né — um homem no meio do mar. "Que roupa esquisita. Vai pegar friagem, viu." E foi embora. Até fico na dúvida sobre qual dos dois deveria socorrer o outro.

Assistente lê

Com quem o senhor atuou e pensou "esse eu não alcanço"?

Ishigaki

Nos monstros, quando comecei, o meu objetivo era o Tsujii. Até hoje sinto que não cheguei lá. Fiz muito monstro, consegui dar personalidade a cada um, e dos que vieram depois de mim não pretendo perder para ninguém — mas do Tsujii, ainda não. Nos personagens, o meu mestre é o Kitagawa, segue sendo a meta.

Assistente lê

Como o senhor cria os movimentos de um personagem novo?

Ishigaki

A partir da imagem. No começo, o personagem já tem um certo enredo, uma ficha. Eu sigo aquilo, "é mais ou menos assim". Com gente como o Fukuzawa, o Takeuchi, eu entrego: "é por aqui, o resto é com vocês". É o diretor de ação. Com um novato que acabou de chegar, se constrói do zero. Sempre a partir de que série é, de que personagem é — em Dekaranger, por exemplo, a imagem era liberdade. Quando me puseram em Go-Busters, me disseram "você vai fazer uma apresentação, pensa numa". Eu era o carpinteiro — então, plaina, martelo, batidinha, combinei essas coisas. Mostrei no set e ouvi "muito longa!". Encurtei. A cena, claro, de tão longa, foi cortada.

16
Despedida
"Torçam pelos mais novos"
Ōno fecha

Esse encontro entre as pessoas, esses mais de trinta anos — poder ter você aqui me deixa muito feliz. Por fim: uma palavra aos fãs que acompanham.

Ishigaki

Obrigado por assistirem a tantas obras, por tanto tempo. Hoje em dia eu mesmo já não faço esse trabalho. Mas os mais novos estão crescendo, e vão continuar fazendo coisas interessantes. Torçam por eles.

Ōno encerra

O convidado de hoje foi Hirofumi Ishigaki. Muito obrigado!

Ishigaki

Foi o Ishigaki. Dia 12 de abril, no Naked Loft, o Festival Ishigaki. Não garanto que seja divertido. Mas apareçam.

Nota de edição

Tradução da transcrição do episódio 126 do web-rádio "Bem-vindos à Base Secreta do Shocker Ōno" (1º de abril de 2018, cerca de 109 minutos; produção da gráfica de doujinshi Neko no Shippo).