Entrevista 03 · Exclusivo
Hiroshi Butsuda: o homem por trás dos efeitos especiais do tokusatsu

Diretor de efeitos especiais por trás de gerações de robôs gigantes de Super Sentai, Butsuda fala sobre miniaturas, computação gráfica, GoGoFive e o futuro do tokusatsu.

Da engenharia ao tokusatsu
Como aconteceu sua passagem da Faculdade de Engenharia da Universidade de Kyushu para o Instituto de Pesquisa de Tokusatsu? Houve algum acontecimento decisivo que o levou a seguir uma carreira na área? Além disso, de que maneira o trabalho como assistente de arte e a criação de storyboards no início de sua carreira influenciaram posteriormente sua direção de efeitos especiais?
Vim para Tóquio com meu amigo Miike. Enquanto trabalhávamos em empregos temporários, telefonávamos para várias empresas para marcar encontros. Não houve nenhum acontecimento específico que tenha sido decisivo. Eu gostava de Thunderbirds desde pequeno. Mais tarde, percebi que a arte e os storyboards eram a maneira mais simples e clara de transmitir minhas intenções à equipe de efeitos especiais.
A estreia como diretor em Fiveman
Ao estrear como diretor de efeitos especiais em Chikyuu Sentai Fiveman, qual foi seu maior desafio? Existe alguma lembrança do set de filmagem que tenha ficado especialmente marcada?
Tentei introduzir a sensibilidade da animação nas imagens filmadas ao vivo. O que ficou marcado foi perceber como é difícil fazer tudo sair exatamente de acordo com o storyboard.
As mudanças no papel do Instituto de Pesquisa de Tokusatsu
Comparando o antigo Instituto de Pesquisa de Tokusatsu com o atual, como mudaram seu papel no set de produção e o tipo de trabalho solicitado por outras empresas?
Em vez de recebermos pedidos para realizar tudo com miniaturas filmadas ao vivo, aumentaram os pedidos para produzirmos imagens em computação gráfica.
A divisão de trabalho em Super Sentai
Na produção da série Super Sentai, como a equipe principal da Toei e a unidade de efeitos especiais do Instituto de Pesquisa de Tokusatsu dividem suas funções e compartilham a orientação visual da obra?
A equipe principal filma sobretudo as atuações dos atores e as cenas de ação em tamanho real. A equipe de efeitos especiais filma as batalhas gigantes com os trajes dos robôs. Antes das filmagens, realizamos reuniões com base nos storyboards para compartilhar a direção que seguiremos.
Quando uma mudança de planos melhora o resultado
Ao longo de tantos anos de filmagens, houve algum caso em que o método inicialmente planejado não funcionou e uma ideia encontrada no próprio set acabou produzindo imagens ainda mais marcantes? Poderia contar o que aconteceu nos bastidores?
No início, pretendíamos fazer o GaoLion como o Land Lion, usando uma miniatura. Porém, tomamos a decisão ousada de mudar para a computação gráfica, e isso nos permitiu criar imagens dinâmicas como nunca se tinha visto naquela época.
Uma combinação especialmente marcante
Entre todos os robôs e todas as sequências de transformação e combinação em que trabalhou, se tivesse de escolher uma pela qual sente um carinho especial, qual obra e qual cena escolheria? Por quê?
Escolheria o primeiro episódio de Kyuukyuu Sentai GoGoFive, quando cada uma das Victory Machines participa das operações de resgate enquanto elas avançam para a combinação. O motivo é que a cena lembra Thunderbirds e é muito legal.
Como evitar a repetição
Ao longo de muitos anos, o senhor dirigiu as transformações e combinações de inúmeros robôs de Super Sentai. Ao filmar um robô novo, que recursos utiliza para evitar repetir as formas de representação empregadas no passado?
Procuro não ficar preso somente às miniaturas e experimento usar a computação gráfica de maneira ousada. Ao mesmo tempo, uma sequência de combinação feita exclusivamente em computação gráfica pode ficar visualmente plana. Nesse caso, experimentamos inserir planos do traje do robô, por exemplo.
Escala e sensação de peso
Quais são os elementos mais importantes da filmagem e da direção para transmitir a escala e o peso de robôs gigantes e monstros?
A velocidade da câmera — quantas vezes acima da velocidade normal ela está filmando —, a distância focal da lente e o ângulo de baixo para cima.
O brinquedo e a imagem na tela
Como concilia os mecanismos de transformação e combinação dos brinquedos e suas limitações de design com a necessidade de fazer tudo parecer espetacular na obra audiovisual?
Respeito os mecanismos fundamentais do brinquedo, mas, nas partes que considero interessantes, exagero ou estilizo a representação durante a direção.
O que o digital trouxe — e o que levou embora
Na transição da época dominada por miniaturas e composição óptica para a era da computação gráfica e da composição digital, o que o tokusatsu ganhou e o que perdeu?
O que ganhamos foi a facilidade para apagar os fios usados nos mecanismos. O que perdemos foi a tensão de ter de acertar tudo em uma única tomada no set.
Miniatura ou computação gráfica?
Nas produções atuais, quais critérios determinam se uma cena será filmada com miniaturas ou criada em computação gráfica? E o que é necessário para combinar naturalmente as duas técnicas?
Não existe um critério específico e fixo. Para combiná-las de maneira natural, é necessário conhecer profundamente as características de ambas.
Os desafios de GoGoFive
Kyuukyuu Sentai GoGoFive costuma ser citado como uma das obras mais marcantes de sua carreira. Entre as cenas de efeitos especiais envolvendo desastres e operações de resgate, qual foi particularmente difícil de filmar? Poderia contar como ela foi realizada?
No primeiro episódio, foram especialmente difíceis os planos em close de cada parte dos veículos durante as operações de resgate. Para realizá-los, acrescentamos mecanismos às miniaturas especificamente destinadas aos closes — na base da escada do caminhão dos bombeiros e nos propulsores do veículo hover, por exemplo.
O tokusatsu japonês de hoje
Depois de acompanhar os sets de produção durante tantos anos, como o senhor enxerga o tokusatsu japonês atual? Que encanto permanece inalterado e quais foram as maiores mudanças?
É uma pena que as filmagens com miniaturas estejam diminuindo gradualmente. Mesmo hoje, porém, nos sets em que elas são utilizadas, a equipe trabalha com entusiasmo e se diverte durante as filmagens.
Uma mudança importante é que hoje temos menos trabalho para esconder os mecanismos usados nas cenas, porque podemos apagá-los depois por meio do processamento digital.
Diferentes gerações e culturas
Embora as obras sejam produzidas principalmente para crianças, também é necessário atender às expectativas de fãs de longa data, adultos e espectadores de outros países. Como pensa uma expressão audiovisual capaz de alcançar, ao mesmo tempo, gerações e culturas diferentes?
Basicamente, filmo acreditando que aquilo que considero divertido quando me coloco no estado de espírito de uma criança também chegará aos adultos e às pessoas de outros países.
O futuro do tokusatsu
O público atual tem contato não apenas com a televisão, mas também com serviços de streaming, redes sociais, jogos, vídeos curtos e uma quantidade enorme de outros conteúdos. Além disso, é necessário disputar sua atenção com grandes produções internacionais e obras criadas para plataformas de streaming. Nesse cenário, quais são as dificuldades para despertar o interesse do público pelo tokusatsu e fazer com que ele continue acompanhando essas produções? Quais são as forças próprias do tokusatsu japonês, que aspectos precisam evoluir e o que deve continuar sendo preservado?
Para despertar o interesse das pessoas pelo tokusatsu, eu gostaria que elas pudessem assistir a mais vídeos de bastidores e conteúdos sobre a produção. Por outro lado, há quem diga que isso destruiria os sonhos das crianças, o que torna a questão difícil.
A força do tokusatsu japonês está nas técnicas de filmagem com miniaturas desenvolvidas e aperfeiçoadas ao longo de muitos anos. Acredito que, se incorporarmos ousadamente a elas a computação gráfica, a inteligência artificial e outras tecnologias, poderão nascer obras inteiramente novas.
