Reportagem · Super Sentai

O acordo que transformou o Sentai em Power Rangers

Silvio Dória · 11 min

O acordo que transformou o Sentai em Power Rangers

Boa parte do mundo conheceu os heróis coloridos da Toei sem nunca ter ouvido a palavra Sentai. Conheceu como Power Rangers. E a história de como uma coisa virou a outra é um dos capítulos mais curiosos e mais lucrativos de toda a franquia.

A virada aconteceu em 1993, quando o produtor Haim Saban pegou um Super Sentai japonês e o adaptou para os Estados Unidos. A série escolhida foi o Zyuranger, de 1992, o dos dinossauros, e o resultado foi o Mighty Morphin Power Rangers, que explodiu como febre mundial.

O truque das duas filmagens

O segredo da mágica era econômico e engenhoso. No lugar de regravar tudo, a produção americana reaproveitava as cenas de ação japonesas, com os heróis mascarados e os robôs gigantes, e filmava por cima cenas novas com atores ocidentais sem o capacete. Casava um com o outro na montagem.

Isso explica uma coisa que confundia muita criança. Quando os Rangers estavam de máscara lutando, era footage japonesa, e quando estavam de rosto à mostra conversando, era elenco americano. Dois mundos colados, costurados quadro a quadro, pra criar a ilusão de uma série só.

O impacto financeiro foi imenso, e não só pra Saban. O sucesso global do Power Rangers ajudou a sustentar a própria produção do Super Sentai no Japão, num arranjo em que a versão estrangeira virou uma fonte de renda valiosa pra franquia original.

Duas franquias, uma raiz

Desde então, quase todo ano um Sentai japonês ganha sua versão americana, com alguns anos de atraso. É por isso que dá pra assistir a uma temporada japonesa e reconhecer, tempos depois, os mesmos robôs e monstros num programa falado em inglês.

Tem uma ironia gostosa nisso tudo. Muita gente que cresceu amando Power Rangers não fazia ideia de que aquilo era, na origem, um produto profundamente japonês, com décadas de história por trás. O Sentai conquistou o planeta meio disfarçado, com outro nome e outro idioma.

Eu acho esse acordo um dos motivos de o Sentai ter durado tanto. Uma franquia que descobriu como se exportar e se reinventar em outro mercado ganhou um fôlego que pouca produção de TV consegue. Os heróis coloridos viraram globais sem nunca deixar de ser, lá no fundo, japoneses.

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